Sessão da Câmara dos Deputados (Crédito: Kayo Magalhães, Câmara dos Deputados)
Tribuna vira vitrine eleitoral
A semana no Congresso Nacional reforçou uma tendência crescente: o funcionamento do Legislativo já sob influência direta do calendário eleitoral. Tribunas, comissões e entrevistas se consolidaram como vitrines políticas, com discursos mais voltados ao eleitorado do que à construção de consensos. O debate técnico cedeu espaço a posicionamentos mais duros, com críticas abertas ao governo, ao Judiciário e ao próprio Parlamento.
Gaúchos elevam o tom na oposição
Entre os parlamentares do Rio Grande do Sul, o tom crítico foi predominante. O deputado Bibo Nunes (PL-RS) reforçou a resistência a mudanças na jornada de trabalho, classificando a proposta como prejudicial ao setor produtivo e alinhando seu discurso à defesa de menor intervenção estatal e maior liberdade econômica.
Preservação ambiental e renda
Na mesma linha, Daniel Trzaciak D (PSDB-RS) criticou a criação do Parque Nacional do Albardão, apontando impactos diretos sobre pescadores e a economia local. A argumentação evidencia a contraposição entre preservação ambiental e geração de renda — tema que tende a ganhar força no debate político.
Pauta social pressiona Congresso

Em contraponto ao clima eleitoral, deputadas gaúchas trouxeram à tribuna temas de urgência social. Daiana Santos (PCdoB-RS) alertou para o aumento dos casos de feminicídio e cobrou ações efetivas do Estado.
Integração entre União Estados e Municípios
Já para a deputada Maria do Rosário (PT-RS), uma das autoras do pedido para realização da comissão geral, as ações contra o feminicídio têm que ser mais integradas entre a União, estados e municípios. Ela afirmou que é necessário ter centros de referência dos direitos da mulher em todos os municípios. Maria do Rosário reforçou a necessidade de avançar na votação de medidas contra a misoginia, relacionando o crescimento da violência ao ambiente de discurso de ódio públicas consistentes.
Recursos orçamentários
A deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS) defendeu que o governo declare o feminicídio como uma questão urgente para que possam ser liberados recursos orçamentários sem as restrições das regras fiscais.
Disputa institucional e foco em 2026
O cenário foi ampliado por críticas de outros parlamentares às instituições. O deputado Alberto Fraga (PL-DF) questionou o papel do Supremo Tribunal Federal e do próprio Congresso, refletindo um ambiente de desconfiança institucional.
Deputado cobra mais empenho dos senadores
Luiz Lima (Novo-RJ), reclama da postura pouco combativa dos senadores frente aos outros poderes, como ele testemunhou na CPI do Crime Organizado do Senado, que arguiu o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sobre o caso do Banco Master. Apenas 3 senadores presentes.
Congresso entre função e campanha
O saldo da semana aponta para um Congresso fragmentado, marcado por forte carga retórica e menor capacidade de convergência. O governo segue pressionado, enquanto a oposição amplia sua presença no debate público. O plenário já opera como extensão da campanha, onde cada discurso carrega estratégia e cada posicionamento tem alvo definido.
O desafio agora é equilibrar o papel institucional com a crescente disputa eleitoral, ou aceitar que o ritmo da próxima eleição já passou a ditar o funcionamento do Congresso.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa