Lula acusa Flávio Bolsonaro de “entreguismo” após carta aos EUA sobre tarifas

Lula

Presidente reage ao pedido do senador para adiar tarifaço norte-americano e afirma que medida representa submissão aos interesses dos Estados Unidos; governo mantém negociações, mas avalia cenário com pessimismo.

Lula fala em “entreguismo” e “traição à pátria”

Durante agenda pública, Lula classificou a iniciativa como um ato de “entreguismo” e acusou Flávio Bolsonaro de defender interesses estrangeiros em detrimento do Brasil. Segundo o presidente, o pedido representa uma tentativa de submeter o país aos interesses dos Estados Unidos.

Lula afirmou ainda que não existe qualquer justificativa para a imposição do chamado tarifaço, seja antes ou depois das eleições, e classificou a iniciativa do senador como “mais uma atitude de traidores da pátria”.

Carta tenta desvincular Bolsonaro das tarifas

Na carta encaminhada ao governo norte-americano, Flávio Bolsonaro sustenta que a política tarifária adotada pela administração de Donald Trump tem fortalecido politicamente o governo Lula. Segundo o senador, o Palácio do Planalto passou a apresentar as medidas comerciais dos Estados Unidos como ataques à soberania nacional, o que teria ampliado o apoio ao governo.

A iniciativa também busca afastar a imagem da família Bolsonaro das recentes sobretaxas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, após o episódio em que integrantes do governo brasileiro atribuíram aos aliados do ex-presidente parte da articulação política em favor das sanções comerciais.

Propostas para eventual mudança de governo

No documento, Flávio Bolsonaro afirma que, caso haja mudança de governo após as eleições, pretende defender medidas para ampliar a integração econômica entre Brasil e Estados Unidos. Entre elas estão a adoção de tarifa zero para o etanol, a redução de taxas incidentes sobre empresas de cartões de crédito e maior abertura comercial entre os dois países.

O senador também defende que o Brasil flexibilize sua atuação no Mercosul para negociar acordos bilaterais diretamente com os Estados Unidos, argumentando que o bloco impõe restrições às negociações comerciais individuais.

Governo critica interferências nas negociações

Também nesta quinta-feira, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que manifestações políticas têm dificultado as negociações entre Brasil e Estados Unidos.

Sem citar nomes, o ministro criticou pessoas que comemoram publicamente o tarifaço ou reivindicam participação em sua adoção.

“Alguns atropelos provocados por terceiros acabam prejudicando as negociações. Há quem se apresente como patrocinador dessas medidas e quem celebre a imposição das tarifas. Isso contamina um debate que deveria permanecer no campo econômico e comercial, introduzindo um componente político que não contribui para a solução do impasse”, afirmou.

Nova rodada de negociações

Márcio Elias Rosa participou da quarta rodada de negociações com o representante do Escritório Comercial da Casa Branca, Jamieson Greer. As conversas abordaram a investigação comercial envolvendo o Brasil, além de temas como tarifas, etanol, desmatamento e relações comerciais bilaterais.

Apesar da continuidade do diálogo, fontes do Palácio do Planalto avaliam que as perspectivas de avanço permanecem limitadas. Integrantes do governo consideram que a administração Trump poderá manter ou ampliar as medidas tarifárias, utilizando o tema comercial também como instrumento de influência sobre o cenário político brasileiro durante o período eleitoral.

Flávio Bolsonaro reage a Lula e acusa governo de atuar contra classificação de facções como terroristas

O senador Flávio Bolsonaro reagiu às críticas feitas pelo presidente Lula e elevou o tom do confronto político. Em publicação na rede social X, o pré-candidato à Presidência afirmou que o petista “provocou, esbravejou, não negociou e fez lobby em favor do PCC e do Comando Vermelho para que não fossem classificados como organizações terroristas”.

Na mesma mensagem, Flávio Bolsonaro sustentou que o governo federal “envergonhou o Brasil” ao, segundo ele, atuar junto ao governo do presidente Donald Trump para evitar que as facções criminosas brasileiras fossem enquadradas como organizações terroristas pelos Estados Unidos.