Mais ferrovias – Menos trens (Nilso Romeu Sguarezi)

Nilso Romeu Sguarezi/Divulgação

O Brasil já teve aproximadamente 30 mil kms de ferrovias, a maioria delas iniciadas pelo Imperador Dom Pedro II. Um ícone da visão de estadista do nosso Imperador é o trecho da Serra do Mar, aqui no Paraná, fazendo em 1885 a ligação do litoral ao interior do estado. Essa ferrovia venceu um desnível de 900 metros em apenas 70 km de percursoEFPC Estrada de Ferro Paranaguá–Curitiba atravessa a Serra do Mar, enquanto a Estrada da Graciosa é uma rodovia também histórica, que em certo trecho corre paralela aos trilhos do trem. Na ferrovia transitam trens de carga, sendo que no trecho de 70km Curitiba-Morretes é concessionária SERRA VERDE EXPRESS, que leva os turistas para contemplarem as belezas da Serra do Mar. São 41 pontes, 13 túneis, com incríveis viadutos que os trens serpenteiam o colosso da serra do mar, uma das maiores reservas de mata atlântica ainda existentes.

Foi a partir de 1927, cem anos atrás, no governo Washington Luís 1926–1930, que a construção e manutenção das ferrovias foi praticamente abandonada. Pelo governar é abrir estradas, criou-se o Fundo Especial para Construção e Conservação de Estradas de Rodagem Federaisdeterminando desta forma, o transporte rodoviário na prioridade federal.

Recentes dados levantados neste ano na Câmara dos Deputados Federais, relativos à Região Sul, demonstram a premente necessidade de retomarmos com urgência e de imediato o sistema ferroviário. Ele é de 7 a 8 vezes mais barato e seguro, podendo ser mais rápido com novos traçados e bitolas para os trens modernos.

Com planejamento do Ministro dos Transportes do Governo de FHC, o gaúcho Odacir Klein, profundo conhecedor do problema do abandono das ferrovias, possibilitou Marco Maciel licitar em dezembro de 1996 o trecho Sul, vencido pela Ferrovia Sul Atlântico S.A, que em 2015 passou a ser conhecida como a atual concessionária  RUMO.

Em 1982, na primeira eleição direta de governadores, o PMDB do Paraná elegeu José Richa e João Elísio Ferraz como Vice, que assumiu nos dois últimos anos daquele governo. A bancada estadual do PMDB, da qual tive a honra de ser seu líder, realizou vários estudos sobre os problemas cruciais que existiam no Paraná.  Destes estudos dois deram bons resultados, exatamente sobre ferrovias e eletrificação rural.

 Concebida no Governo Álvaro Dias e construída no de Roberto Requião – pelos batalhões ferroviários do Exército Brasileiro, a FERROOESTE, incorporou 248 km, ligando Guarapuava à Cascavel. Ressalte-se que esta foi a única ferrovia construída na Região Sul, em 50 anos, que apresenta este quadro:

Estado

Original

  Abandonadas

Operando

Paraná

2.287 km

1.093 km

1.194,5 km

Santa Catarina

1.373 km

1.000 km

   373 km

Rio Grande Sul

3.823 km

2.902 km

   971 km

A construção do MOEGÂO no Porto de Paranaguá possibilitara a receber até 900 vagões/diaum aumento de cerca de 60%, mas urge que as ferrovias sejam melhoradas e significativamente aumentadas para retirar das rodovias as carretas e grandes caminhões de carga, os maiores causadores de acidentes fatais nas estradas brasileiras e lentidão de fluxo a cada acidente.

Cartaz da atual campanha de conscientização do trânsito do IDL-Curitiba

No Paraná, por exemplo, os números são particularmente expressivos: em 2025 ocorreram cerca de 7.620 acidentes e 593 mortes nas rodovias federais. Em 2024, a PRF informou que 313 das 605 mortes nas BRs do Paraná, 51,7% envolveram caminhões. Pelos números já colhidos apenas neste mês de agosto, o número de mortes será ainda maior. Apenas no acidente da madrugada do último dia19 de agosto, foram 23 mortes na BR-373, no município de Ipiranga-Pr, na colisão de um caminhão Scania, com um micro-onibus da Prefeitura que levava pessoas para tratamento de saúde na capital.

A opção errada pelo rodoviarismo do século passado, pelo “governar é abrir estradas”, virou no trágico dito “são as estradas que matam”. Mais de 40 mil mortes por ano, nas estradas brasileiras, infelizmente é a triste realidade do verdadeiro caos deste sistema rodoviário, que o governo federal ignora e muito menos se preocupa com isso.

Serão os eleitores que precisam analisar para votarem exigindo mudança. O medo está instalado na mente de todos, não só pelo endividamento dos 80% das famílias, mas pelo pavor de andar nas ruas das grandes cidades e ser vítima de assalto por portar um celular ou ter uma aliança no dedo, mas também ao arriscar-se de viajar pelas estradas brasileiras.

NILSO ROMEU SGUAREZI, advogado, ex-deputado constituinte de 1988, defensor da tese da CONSTITUINTE EXCLUSIVA, com 50% de homens e mulheres, sem fundo eleitoral, com voto distrital e inelegibilidade de dez anos para quem escrever a nova constituição.