O déficit histórico de representação feminina

Michele Bolsonaro e Simone Tebet (Crédito: Divulgação e Marcelo Camargo, Agência Brasil)

Apesar de as mulheres representarem mais de 50% do eleitorado, continuam sub-representação nos espaços de decisão. No Congresso, a bancada feminina ainda não alcança a paridade mínima. A sucessão de 2026, até agora, reforça esse desequilíbrio: apenas dois nomes femininos aparecem nas pesquisas, Michelle Bolsonaro e Simone Tebet, frente a uma lista extensa de homens. Isso mostra que o “Clube do Bolinha” ainda dita as regras.

A experiência já consolidada

Mulheres que chegaram ao poder mostraram capacidade de gestão e firmeza política. A presidenta Dilma Rousseff, mesmo sob forte resistência e ataques, que Maria do Rosário classifica como cassação “ilegítima e indevida”, abriu caminho simbólico para futuras lideranças. Simone Tebet tem se consolidado como voz respeitada no debate econômico, e Michelle Bolsonaro canaliza parte expressiva do eleitorado conservador. A trajetória dessas lideranças desmente a ideia de que falta preparo ou apelo popular.

Violência política de gênero

Maria do Rosário (Crédito: Vinicius Loures, Câmara dos Deputados)

Maria do Rosário alerta para um ponto crucial: muitas mulheres desistem de disputar cargos por causa dos ataques violentos, que vão além da crítica política e atingem a vida pessoal, a honra e até a integridade física. Proteger as eleições dessa violência é condição básica para ampliar o espaço feminino. Sem medidas firmes, as candidaturas femininas continuarão sendo alvo fácil.

Movimento que fortalece a democracia

Ampliar a presença feminina não é apenas questão de justiça ou representatividade: é reforçar a qualidade da democracia. Experiências internacionais comprovam que países com maior participação de mulheres em cargos estratégicos têm políticas públicas mais inclusivas e maior estabilidade social. No Brasil, a presença feminina nas câmaras municipais, assembleias e no Congresso já mostrou que mulheres trazem agendas de educação, saúde, proteção social e combate à violência que beneficiam a coletividade.

A sucessão de 2026 como oportunidade

Se de um lado o cenário ainda parece masculino, de outro a eleição de 2026 pode ser um divisor de águas. Além das candidaturas presidenciais, a ocupação de cadeiras no Congresso será decisiva. A articulação de bancadas femininas, como lembra Maria do Rosário, pode ser o grande salto para consolidar a força política das mulheres. O desafio será transformar a presença em poder real de decisão.

Representatividade em risco

Ilustração, Edgar Lisboa com recursos de IA

A ausência de outras lideranças femininas não é acaso. É reflexo do conservadorismo dos partidos e da dificuldade estrutural de abrir espaço para candidaturas competitivas de mulheres. Como observa Cassiano Sampaio, da Esplanada Comunicação Estratégica, trata-se de um déficit democrático. Num país em que mais da metade do eleitorado é feminino, a sub-representação no pleito presidencial revela a contradição de uma democracia ainda inacabada.

Simone com Lula
Para a deputada Maria do Rosário, “a sucessão de 2026 será o teste de maturidade da democracia brasileira: incluir ou excluir as mulheres do poder real. Maria do Rosário concluiu afirmando que “o nome de Simone Tebet é um nome muito alto da participação. Eu apoio o presidente Lula, mas, de toda forma, eu quero que Simone Tebet esteja com ele nesse processo”.

A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.

Edgar Lisboa