Alexandre de Moraes: “Impunidade não é opção”. Ao lado o Procurador Geral da República Paulo Gonet
No primeiro dia do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus por tentativa de golpe de Estado, o ministro Alexandre de Moraes deixou claro que o Supremo Tribunal Federal (STF) não se curvará a pressões ou intimidações.
Segundo ele, houve uma tentativa “covarde” de submeter o Brasil a um estado estrangeiro, em referência indireta às declarações do ex-presidente norte-americano Donald Trump.

Moraes foi categórico: “Impunidade não é opção para pacificação”, respondendo às pressões de setores da direita que defendem anistia ampla.
“Exorcizando os fantasmas do autoritarismo”

O senador Paulo Paim (PT/RS) destacou que o julgamento é um momento histórico para reafirmar a democracia brasileira.
Para ele, o país dá um recado ao mundo de que é capaz de enfrentar “os fantasmas do autoritarismo” sem abrir mão da Constituição.
Paim sublinhou que a democracia é um processo em constante construção, enraizado na justiça social, na soberania nacional e no respeito às diversidades. Citou Chico Buarque: “Com a democracia, tudo; sem a democracia, nada”.
Zucco : “Julgamento é perseguição, solução é a anistia”

O líder da oposição, deputado Luciano Zucco (PL/RS), classificou o julgamento como “um dia histórico, extremamente negativo”.
Para ele, Bolsonaro sofre perseguição política e não cometeu crime. Zucco afirmou que o ex-presidente não tem direito a um julgamento imparcial e que a saída para pacificar o país é a aprovação da anistia no Congresso.
Segundo Zucco, a mobilização nacional está em andamento para pressionar pela anistia, especialmente nas manifestações de 7 de setembro.
Carolina de Toni: “Dia da vergonha nacional”

A deputada Carolina de Toni (PL/SC) chamou o processo de “perseguição política” e disse que a data ficará marcada como “o dia da vergonha nacional”.
Para ela, há uma inversão de valores: Bolsonaro estaria sendo julgado sem provas de corrupção ou enriquecimento ilícito, ao contrário de adversários políticos.
Marcel Van Hattem: “Justiça virou justiçamento”

O deputado Marcel Van Hattem (Novo/RS) afirmou que o STF deixou de aplicar justiça para promover “justiçamento”.
Segundo ele, o processo contra Bolsonaro simboliza um estado de exceção, baseado em narrativas políticas e não em provas concretas. Também defendeu a aprovação da anistia como única saída para a pacificação.
Ubiratan Sanderson: “Condenação fajuta”

Para o deputado Ubiratã Sanderson (PL/RS), o julgamento é uma “farsa”.
Ele argumenta que, com uma condenação formal, ainda que “sem legitimidade”, cairão as resistências ao projeto de lei de anistia, abrindo caminho para sua aprovação no Congresso.
Tarcísio em campanha promete Anistia a ex-presidente

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos/SP), aproveitou o julgamento para reforçar sua aproximação com Bolsonaro e consolidar-se como candidato à Presidência em 2026.
Ele prometeu que, caso eleito, concederá indulto a Jair Bolsonaro como primeiro ato de governo.
Com esse gesto, Tarcísio nacionaliza seu discurso, busca apoio direto do bolsonarismo e transforma o tema da anistia em bandeira eleitoral.
Um país dividido entre Justiça e política
O julgamento de Jair Bolsonaro no STF escancara o contraste entre duas visões.
De um lado, o Supremo, representado por Alexandre de Moraes, insiste que não há democracia sem responsabilização. Do outro, setores da oposição e da direita veem o processo como perseguição política e articulam a anistia como forma de “virar a página”.
Enquanto o governo reforça a defesa da democracia institucional, a oposição transforma o julgamento em palanque político, preparando mobilizações de rua e antecipando a disputa presidencial de 2026.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa