Tarifaço vira guerra política

Na reunião na Casa Branca, Donald Trump e Lula:Sorrisos e concordâncias

A nova rodada de tarifas anunciada pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros provocou uma reação dura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e abriu mais um campo de batalha política entre governo e oposição. Em reunião ministerial no Palácio do Planalto, Lula afirmou que o Brasil “não vai baixar a cabeça” diante do governo de Donald Trump e prometeu buscar novos mercados caso as negociações fracassem.

Política do “vira-lata”

Próximo encontro

O presidente deixou claro que considera a medida norte-americana uma afronta à soberania nacional. Disse que o Brasil “é dono do próprio nariz” e criticou o que chamou de política do “vira-lata”, afirmando que o País não aceitará ser tratado como “republiqueta”. Lula também destacou que o Brasil possui ativos estratégicos, como as chamadas terras raras, minerais considerados fundamentais para a indústria tecnológica mundial e de interesse direto dos Estados Unidos.

Da crise comercial para a disputa eleitoral

Bibo Nunes e  Bohn Gass(Crédito: Bruno Spada e Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

A crise econômica rapidamente ganhou contornos eleitorais. O presidente passou a atacar Flávio Bolsonaro, acusando aliados do ex-presidente de agirem contra os interesses brasileiros. A oposição reagiu imediatamente.

Pressão americana contra o crime

Para o deputado federal Bibo Nunes (PL), a reação de Lula demonstra “desespero”. Em entrevista à coluna Repórter Brasília, o parlamentar afirmou que a pressão americana contra organizações criminosas deveria ser vista como algo positivo para o Brasil. Segundo ele, Flávio Bolsonaro não incentivou o aumento das tarifas e teria defendido exatamente o contrário junto aos americanos.

Críticas à família Bolsonaro

Já o deputado federal Bohn Gass (PT) fez críticas duríssimas à família Bolsonaro e acusou o grupo político de atuar contra os interesses nacionais. Segundo ele, existe uma tentativa de subordinar o Brasil aos interesses dos Estados Unidos.

“A família Bolsonaro está operando contra o Brasil. Isso prejudica nossa indústria, o agro, o emprego e a soberania nacional. Não podemos aceitar ingerência externa nas decisões brasileiras”.

Diplomacia, mercados e soberania

O episódio mostra que o tarifaço americano deixou de ser apenas uma disputa comercial. A crise se transformou em combustível político em um ambiente já marcado pela antecipação da corrida presidencial. Enquanto Lula aposta no discurso da soberania e na diversificação de mercados, a oposição tenta associar o governo ao isolamento internacional e à deterioração das relações com Washington.

Evitar prejuízos às exportações

No meio desse embate, o Brasil tenta evitar prejuízos à indústria, ao agronegócio e às exportações. O desafio agora será separar interesses comerciais reais da radicalização política que domina Brasília. Afinal, discursos inflamados rendem manchetes, mas quem paga a conta das guerras comerciais são empresas, trabalhadores e consumidores.

Osmar Terra cobra CPI do Banco Master

(Brasília – DF, 19/07/2019) Presidente da República, Jair Bolsonaro, fala com a imprensa após a solenidade ao Dia Nacional do Futebol.
Foto: Marcos Corrêa/PR

O deputado federal Osmar Terra voltou a defender a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master. Segundo o parlamentar, o caso precisa ser apurado com profundidade e transparência. Terra criticou o governo Lula e rejeitou tentativas de associar o episódio ao senador Flávio Bolsonaro. Para o deputado, a CPI é o instrumento adequado para esclarecer responsabilidades e expor eventuais irregularidades, assim como ocorreu em outras investigações de grande repercussão nacional.

Fundo partidário

Os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que quase metade de todo o dinheiro destinado aos partidos políticos ficará concentrada em apenas três forças partidárias: o PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro; o PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva; e a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP.

R$ 4,3 bilhões três grupos políticos

Juntos, esses grupos deverão receber mais de R$ 2 bilhões, o equivalente a aproximadamente 49% de todo o montante distribuído pelo fundo. A distribuição dos recursos do Fundo Partidário para os próximos anos reacende um antigo debate em Brasília: até que ponto o financiamento público fortalece a democracia ou amplia a concentração de poder nas mãos das maiores legendas?

A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.

Edgar Lisboa