O Tarifaço como Negócio de Família: A Motivação Econômica por trás da Pressão dos EUA sobre o Brasil

Divulgação / Casa Branca (via Flickr)/Reprodução

O novo ciclo de tarifas e de escalada geopolítica dos Estados Unidos sob Donald Trump tem um motor que vai além do discurso comercial: o objetivo é ganhar dinheiro. Reportagens de maio e julho de 2026 da _ProPublica_ e do canal _More Perfect Union_ revelam um padrão de alavancagem bilionária de empresas ligadas a Donald Trump Jr. e Eric Trump via contratos e empréstimos do Pentágono. No centro desse esquema estão os minerais críticos e, em especial, as terras raras brasileiras.

A engrenagem: usar tarifas para forçar, manipular o Pentágono para lucrar
A peça-chave da estratégia é Peter Navarro, conselheiro comercial de Trump e arquiteto do “tarifaço” contra dezenas de países. Segundo a _ProPublica_, foi Navarro quem acionou diretamente o Pentágono para acelerar um empréstimo de US$ 620 milhões à Vulcan Elements, startup de 3 anos e 30 funcionários que fabrica ímãs de terras raras na Carolina do Norte.
Três meses antes do empréstimo, a 1789 Capital — fundo de investimento do qual Donald Trump Jr. é sócio — havia comprado participação na Vulcan. A partir de então, servidores do Pentágono relataram que foram forçados a trabalhar “à noite” para concluir o processo após “a ligação da Casa Branca: precisamos concluir isso”.
O objetivo oficial era reduzir a dependência dos EUA da China, que domina mais de 90% do refino mundial de terras raras. No entanto, o objetivo real, segundo as reportagens, era valorizar ativos da família Trump. Quando a 1789 Capital entrou na sociedade, a Vulcan valia cerca de US$ 200 milhões. Após o empréstimo sem concorrência, pulou para quase US$ 2 bilhões.
Esse modelo se repete: a 1789 Capital investe em empresas pequenas de defesa e tecnologia — Hadrian Automation, Firehawk, Reflection AI, Anduril — e meses depois elas recebem contratos federais que somam bilhões. No caso da Anduril e SpaceX, juntas elas concentraram 97% do financiamento direto do governo ao grupo de defesa ligado aos filhos de Trump.
Por que o Brasil entrou na mira?
Terras raras e minérios críticos são o novo petróleo da guerra tecnológica. Servem para a fabricação de mísseis hipersônicos, caças F-35, drones e IA militar. E o Brasil tem uma das maiores reservas fora da China.
É aí que a tarifa vira instrumento de chantagem. Negociadores da Seção 301 (dispositivo da Lei de Comércio dos Estados Unidos), incluindo o ex-diretor-geral da OMC Roberto Azevedo, relataram que, nos bastidores, assessores da Casa Branca condicionavam a redução das tarifas ao acesso às terras raras brasileiras.
As reportagem desvendam como os articuladores de tais negócios utilizam uma lógica simples e lucrativa:
Primeiro passo, Compre barato ações de empresas com potencial de negócios estratégicos: A 1789 Capital entra em uma startup estratégica com potencial para faturar centenas de milhões.
Segundo, Alavanque a startup com dinheiro público: Garanta empréstimos ou contratos do Pentágono sem licitação.
Terceiro, Impulsione a valorização das ações na Bolsa: Com contrato garantido, a empresa multiplica seu valor.
Quarto, Force para a obtenção de matéria-prima: Use tarifas e pressão diplomática-militar para que países como o Brasil cedam suas reservas. Se o Brasil anunciar a cessão de terras raras, a Vulcan sozinha pode multiplicar seu valor em até 10 vezes mais.
Estratégia conhecida
Esse modelo não é novidade no governo Trump. O mesmo padrão aparece na mineração de tungstênio no Cazaquistão, via Cove Capital, que recebeu sinal verde do presidente local após assistência direta de Trump e Marco Rubio, e acesso a até US$ 1,6 bilhão em financiamento garantido pelo governo dos EUA.
Da tarifa à guerra: o conflito como ativo
O esquema, revelado na matéria, explica a insistência de Trump em ampliar frentes de conflito. As empresas do portfólio da 1789 Capital vivem de orçamento de defesa: armas autônomas, submarinos, IA para o Pentágono, vigilância de fronteira. Quanto mais tensão, mais contrato. Quanto mais contrato, mais valorização do fundo, cuja meta declarada é saltar de US$ 3,5 bilhões em ativos para US$ 10 bilhões.
Foco no Brasil
A pressão sobre o Brasil ganhou novo capítulo com a tentativa de classificar PCC e CV como organizações terroristas, capitaneada por Marco Rubio. Para os analistas, é mais um flanco de chantagem para acessar recursos brasileiros. Com a Venezuela sob influência direta de Rubio, após a intervenção militar, os EUA passam a ter “fronteira real” com o Brasil, o que adiciona peso militar à negociação.
Verifica-se, assim, que no caso do Brasil, o preço da mesa de negociação não é só tarifa. É soberania sobre terras raras. E uma vez confirmada a intencionalidade criminosa do esquema, restaria provado que o lucro não vai para o Tesouro americano. Vai para o balanço da 1789 Capital onde figuram como sócios os filhos de Trump.
Cleptocracia tarifária
Os Democratas já abriram, no Congresso americano uma demanda de explicações a Donald Trump Jr. e Eric Trump. Não há lei que limite negócios de filhos de presidente, mas a facilitação interna na Casa Branca configura, na visão da oposição, corrupção.
O “tarifaço” deixa de ser apenas política comercial e passa a ser lido como ferramenta de um governo de cleptocracia: usar o poder do Estado americano para comprar barato, financiar com dinheiro público e depois chantagear países para entregar seus recursos estratégicos.
Por: Peniel Pacheco, ex-deputado distrital, professor de teologia, com informações extraídas de ICL Notícias.