Região estratégica às margens do Lago Paranoá vive transformação urbana e enfrenta novos desafios de mobilidade

Por Edgar Lisboa
Ao completar 66 anos de fundação, Brasília segue tendo no Lago Sul uma de suas regiões mais emblemáticas. Às margens do Lago Paranoá, cercado por áreas verdes e considerado um dos locais de maior renda per capita do país, o Lago Sul tornou-se, ao longo das últimas décadas, símbolo de qualidade de vida, planejamento urbano e valorização imobiliária no Distrito Federal.

Mas por trás da paisagem marcada por amplas áreas residenciais, centros de lazer, gastronomia e forte integração com outras regiões administrativas, existe um trabalho permanente de infraestrutura, manutenção urbana e planejamento. Há sete anos e meio à frente da Administração Regional, Rubens Santoro Neto, hoje o administrador mais antigo do Governo do Distrito Federal, afirma que encara a função como a de um verdadeiro “zelador” da cidade.
“Eu me considero um zelador. Acho que todos os administradores regionais têm que atuar assim: acompanhar, verificar, cobrar soluções e estar próximos da população”, resume Santoro.
Segundo ele, a administração regional precisa manter diálogo permanente com moradores e frequentadores da cidade. “O Lago Sul é lugar de entretenimento, de moradia qualificada e também de ligação com outras regiões administrativas. A cidade tem uma função muito importante dentro do contexto de Brasília e precisa estar atenta às modificações que acontecem na vida do brasiliense todos os dias”, afirma.
Requalificação urbana
Nos últimos sete anos, a região passou por um amplo processo de renovação urbana. De acordo com Rubens Santoro, uma das prioridades da gestão do governador Ibaneis Rocha, agora sob continuidade da governadora Celina Leão, foi a recuperação da infraestrutura viária em diversas regiões do Distrito Federal e o Lago Sul integra esse projeto.
“Não foi diferente aqui. Ao longo desses sete anos e meio, construímos 65 mil metros de calçadas. Fizemos uma requalificação de todo o sistema viário. As principais vias do Lago Sul estão renovadas, com novo asfaltamento e novas calçadas”, destaca.
As melhorias ganharam importância ainda maior diante do envelhecimento da população e das recentes pesquisas que mostram o medo de idosos em circular pelas cidades por causa de calçadas mal conservadas e problemas de acessibilidade. A recuperação de passeios públicos e vias internas tornou-se uma das frentes mais visíveis da gestão regional.
Santoro admite, porém, que o desafio é permanente. “A gente ainda tem demandas internas, ruas que precisam de manutenção e serviços recorrentes. O desafio agora é manter o padrão de qualidade alcançado”, observa.
Crescimento e trânsito pressionam a região
Apesar dos avanços urbanos, o administrador reconhece que o Lago Sul enfrenta um novo cenário provocado pelo crescimento populacional do Distrito Federal, especialmente em áreas vizinhas como Paranoá, Jardim Botânico, São Sebastião e a região da DF-140.
Projetado originalmente para ser uma área residencial de baixa densidade e com trânsito mais tranquilo, o Lago Sul acabou se transformando em importante corredor de passagem entre diferentes regiões administrativas.
“O grande problema hoje não é segurança pública. A segurança está dentro do controle. O principal desafio é o trânsito crescente”, afirma Santoro.
Segundo ele, o crescimento urbano nas cidades vizinhas exige planejamento para evitar impactos diretos na qualidade de vida local. “O Lago Sul virou passagem. Como fazer um trabalho de infraestrutura futura sem prejudicar a região? A cidade precisa crescer, isso é natural. Mas precisamos contemporizar esse crescimento para que não haja perda da qualidade de vida”, ressalta.
Qualidade de vida e integração

Além da infraestrutura, o Lago Sul consolidou-se como um dos principais polos de convivência e lazer da capital. A presença do Lago Paranoá, parques, áreas esportivas, restaurantes, marinas e centros comerciais reforça o papel da região como espaço de integração urbana e turística.
Para Rubens Santoro, a evolução da cidade precisa acompanhar os anseios da população. “A gente precisa estar sempre evoluindo, de forma concatenada com os desejos da comunidade. Isso é importante”, afirma.
Ao completar mais de sete anos no comando da administração regional, Santoro acumula experiência rara dentro do GDF. Sua permanência no cargo atravessou diferentes momentos da capital e consolidou um modelo de gestão baseado em presença constante nas ruas, fiscalização de obras e diálogo com moradores.
Às margens do Lago Paranoá, o Lago Sul continua sendo uma das vitrines urbanas de Brasília. Mas, além do cartão-postal, a região tornou-se também exemplo dos desafios enfrentados por uma capital em expansão, que busca crescer sem abrir mão da
Santoro alerta para trânsito, meio ambiente e qualidade de vida
O Administrador Regional do Lago Sul, Rubens Santoro, faz um alerta direto sobre o futuro da região: preservar a qualidade de vida diante do crescimento acelerado das áreas vizinhas e do aumento constante do fluxo de veículos. Em entrevista especial à coluna, Santoro afirma que o Lago Sul vive um momento decisivo, em que planejamento urbano, mobilidade e preservação ambiental precisam caminhar juntos.
Segundo ele, uma das principais preocupações é impedir que todo o trânsito das regiões próximas continue sendo despejado para dentro do Lago Sul, especialmente em direção às pontes e ao Plano Piloto.
“O Governo do Distrito Federal já tem pensado nisso. Eu sou favorável a que se faça um cordão de passagem dessas regiões administrativas que desvie o fluxo”, afirmou.
Santoro revelou que já existem estudos para corredores viários externos, passando por trás do Lago Sul, como alternativa para aliviar o trânsito da região. Ele considera inevitável uma solução de longo prazo para evitar prejuízos à mobilidade e à própria qualidade de vida dos moradores.
Novas pontes e expansão urbana

Dentro desse planejamento, o administrador cita propostas para construção de novas pontes ligando Paranoá, Lago Norte e Setor de Clubes, além da futura implantação do Bairro Dom Bosco, previsto para a região da chamada QL 32. A ideia é redistribuir o fluxo urbano e evitar o estrangulamento das vias atuais.
Santoro reconhece que o crescimento urbano é inevitável, mas defende que ele ocorra de forma equilibrada e planejada.
“O Lago Sul hoje é completo. Tem vida própria, comércio forte, serviços, restaurantes e áreas de lazer. Mas essa independência não pode significar isolamento. O Distrito Federal precisa funcionar de forma integrada”, destacou.
Transporte coletivo ainda é desafio
O administrador admite que o transporte coletivo para trabalhadores continua sendo um problema, principalmente devido às características urbanísticas do Lago Sul, marcado por grandes lotes e baixa densidade populacional.
Segundo ele, algumas associações de moradores passaram a criar soluções próprias, como vans comunitárias que fazem o transporte interno dentro das quadras.
“É uma solução criada pelos próprios moradores e que funciona sem atrapalhar o trânsito”, observou.
Santoro afirma que a relação com as associações é permanente e que o diálogo tem sido essencial para resolver demandas locais.
Preservação ambiental virou prioridade
Ao falar sobre o meio ambiente, Rubens Santoro afirma que encontrou uma situação crítica no início do governo Ibaneis Rocha, especialmente na orla do Lago Paranoá. Segundo ele, havia projetos considerados excessivos de ocupação comercial da orla e áreas degradadas após desocupações judiciais.
“O Lago Paranoá tem que ser visto de frente e não de costas”, resume.
Santoro relata que o governo optou por um modelo de utilização controlada da orla, preservando o caráter ambiental da região. Ele lembra que o lago é um patrimônio estratégico para Brasília, inclusive como fonte de abastecimento de água.
Entre as ações destacadas estão a recuperação do Parque das Copaíbas, a implantação do Parque Bernardo Sayão e a revitalização da área próxima à Ponte das Garças, antes considerada degradada e com forte presença de criminalidade.
Hoje, segundo ele, o local abriga atividades esportivas, eventos internacionais de canoagem e espaços públicos de convivência.
Obras e infraestrutura
Santoro também destaca grandes obras de drenagem e captação de águas pluviais em diversas quadras do Lago Sul, como QLs 9, 11, 13, 14 e 28. Ele afirma que muitos problemas históricos de alagamento começaram a ser solucionados após intervenções estruturais realizadas pelo GDF.
O administrador admite, porém, que ainda há muito a fazer.
“Eu queria ter feito muito mais calçadas, porque a população idosa precisa disso. Queria ter feito mais asfaltamento interno e acelerar parques que ainda estão em projeto”, afirmou.
Cidade rica e desafios proporcionais
Com cerca de 35 mil habitantes, o Lago Sul continua figurando entre as regiões de maior renda per capita do país. Santoro lembra que uma pesquisa chegou a apontar que, se fosse município, o Lago Sul teria a maior renda per capita do Brasil.
Ele acredita, no entanto, que essa condição traz responsabilidades.
“A qualidade de vida do Lago Sul precisa influenciar positivamente quem tem menos. Essa integração dentro do Distrito Federal é importantíssima”, defendeu.
O administrador também chamou atenção para o crescimento acelerado do comércio local e da construção civil, especialmente na região após a Ponte JK, onde novos empreendimentos começam a transformar o perfil urbano da área.
Sem planos políticos
No comando da administração regional há vários anos, Rubens Santoro rejeita qualquer possibilidade de disputar cargo político. Afirma que entrou no governo apenas para ajudar o governador Ibaneis Rocha e agora a governadora Celina Leão.
“Não tenho vinculação partidária. Estou aqui para ajudar enquanto precisarem de mim”, declarou.
O desafio de preservar o Lago Sul sem frear Brasília
A entrevista de Rubens Santoro revela um Lago Sul muito diferente daquele imaginado décadas atrás apenas como área residencial de alto padrão. A região virou um centro urbano complexo, com forte expansão comercial, crescimento populacional indireto e pressão diária provocada pelo avanço das cidades vizinhas.
O mérito da atual gestão está justamente em reconhecer que qualidade de vida não se mantém sozinha. Ela exige planejamento permanente, infraestrutura moderna, proteção ambiental e capacidade de antecipar problemas futuros.
Ao defender corredores externos, novas ligações viárias e controle rigoroso da ocupação da orla, Santoro aponta para um debate essencial: Brasília não pode permitir que o crescimento urbano destrua exatamente aquilo que faz do Lago Sul uma das regiões mais valorizadas e agradáveis do país.
Ao mesmo tempo, chama atenção a preocupação social presente na fala do administrador ao defender integração entre regiões, mobilidade para trabalhadores, áreas públicas de lazer e preservação ambiental acessível a toda população.
O Lago Sul continua sendo símbolo de qualidade de vida. Mas a entrevista deixa claro que manter essa condição dependerá da capacidade do poder público de encontrar soluções equilibradas para trânsito, urbanização e sustentabilidade.
Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa