Produtores rurais pressionam Parlamento

Luis Carlos Heinze (Crédito: Geraldo Magela, Agência Senado)

Produtores rurais do Rio Grande do Sul seguem pressionando deputados e senadores em busca de uma solução para a grave crise de endividamento que atinge o setor. Desde 2018, o estado já enfrentou cinco secas e duas enchentes, sendo a maior delas em 2024, que devastou 90% do território gaúcho e deixou milhares de famílias em situação crítica. Para agravar ainda mais, na última safra, após as enchentes, uma nova estiagem devastou lavouras inteiras, aprofundando o prejuízo.

Fundos do pré-sal

Na Câmara dos Deputados, foi aprovado o Projeto de Lei nº 5122/2023, que cria uma nova linha de crédito com recursos do Fundo Social do pré-sal para refinanciar dívidas de produtores atingidos por eventos climáticos. O texto prevê prazos de até 10 anos para pagamento, com três anos de carência e juros limitados a 7,5% ao ano.

Resistência do governo

A matéria chegou ao Senado no início de outubro e, imediatamente, o senador Luis Carlos Heinze (PP/RS) protocolou um requerimento de urgência para acelerar a votação. No entanto, com a resistência do governo, o parlamentar tem negociado diretamente com líderes partidários e com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para viabilizar um acordo que permita levar o projeto ao plenário.

Redução da área plantada

“Essa linha de crédito é fundamental para dar fôlego ao produtor rural, que já vem acumulando enormes prejuízos nos últimos anos. A urgência se justifica pela proximidade do plantio da safra de verão; sem uma solução imediata, corremos o risco de uma redução drástica na área plantada”, afirma Heinze.

A Expointer, uma das maiores feiras agropecuárias da América Latina, começa na próxima semana, em Esteio, e vai reunir produtores, lideranças e autoridades de todo o país.

Sinalização aos produtores

Pedro Westphalen (Crédito: Vinicius Loures/ Câmara dos Deputados)

O deputado Pedro Westphalen (PP/RS) alerta para a necessidade de uma resposta rápida: “A força produtiva do nosso estado estará reunida e precisa sair de lá com uma sinalização concreta. Os produtores estão aflitos e não podem esperar mais”, disse. O governo do Rio Grande do Sul, em conjunto com federações, cooperativas e entidades representativas do setor, estima que o total de dívidas a serem renegociadas chegue a R$ 70 bilhões só no Rio Grande do Sul. A aprovação do projeto é vista como essencial para evitar o colapso da produção e preservar a economia rural gaúcha.

Fundo social

O deputado Afonso Hamm (PP/RS) defende o uso do Fundo Social do pré-sal, com mais de 30 bilhões de reais, para apoiar produtores afetados por desastres climáticos. Ele critica o Poder Executivo por se opor à renegociação das dívidas dos agricultores.

Financiar o agro

De acordo com Afonso Hamm, “o fundo já garante saúde e educação, e pode financiar o agro sem prejuízos”. Ele ressalta que “o boicote governamental atinge 180 mil agricultores gaúchos afetados por crises climáticas”, e cobra apoio dos senadores para resolver o impasse.

A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.

Edgar Lisboa