Prevenção vira política pública no combate à violência contra a mulher

“Antes que Aconteça”, aprovado pelos deputados (Crédito: Kayo Magalhães/ Câmara dos Deputados)

A Câmara dos Deputados deu um passo relevante no enfrentamento à violência de gênero ao aprovar o Projeto de Lei 6674/25, que cria o programa “Antes que Aconteça”. A proposta reforça a prevenção como eixo central das políticas públicas e amplia a efetividade das medidas protetivas, com uso de tecnologia e monitoramento eletrônico de agressores. O texto, de autoria do Senado, segue agora para sanção presidencial.

Unindo base governista e oposição

Deputada Amanda Gentil, relatora do projeto que uniu direita, esquerda, homens e mulheres. (Crédito: Kayo Magalhães/ Câmara dos Deputados)

Relatado pela deputada Amanda Gentil (PP/MA), o projeto conseguiu unir base governista e oposição, evidenciando consenso em torno de um tema sensível e urgente: a proteção da vida das mulheres.

Prevenção para salvar vidas

A deputada Maria do Rosário (PT-RS) enfatizou o alcance social da proposta e a importância da atuação antecipada. Ao citar dados alarmantes do Rio Grande do Sul, com 23 feminicídios registrados em 2026, ela reforçou que a violência pode ser evitada com políticas eficazes.

Evitar tragédias

A parlamentar destacou que muitas vítimas já demonstram sinais de risco ao buscar atendimento em serviços de saúde ou assistência social, mesmo sem registrar ocorrência policial. Para ela, o programa permitirá identificar esses sinais e agir a tempo de evitar tragédias.

Feminicídio um crime evitável

Maria do Rosário também lembrou a criação de uma comissão externa no Congresso para acompanhar casos de feminicídio no Estado e defendeu a união de esforços institucionais. “O feminicídio é um crime evitável se chegarmos antes que aconteça”, afirmou.

Rigor contra agressores

Bibo Nunes em discurso contundente a favor do projeto (Crédito: Kayo Magalhães/ Câmara dos Deputados)

Durante o debate, o deputado Bibo Nunes (PL-RS) defendeu endurecimento nas punições e criticou a sensação de impunidade. Para ele, não basta noticiar crimes, é necessário garantir que os responsáveis sejam exemplarmente punidos.

Segundo o parlamentar, agressores de mulheres “precisam enfrentar o peso máximo da lei”. Bibo também elogiou a iniciativa e destacou a necessidade de agir antes que a violência se concretize, valorizando o caráter preventivo do programa.

Educação, acolhimento e acesso à proteção

O projeto estabelece uma abordagem ampla, que vai além da repressão. Entre as principais medidas estão: Ações educativas nas escolas, promovendo conscientização e prevenção; Criação das “salas lilás”, espaços de acolhimento em delegacias e órgãos públicos; Serviços itinerantes, com atendimento psicológico, jurídico e social em regiões de difícil acesso; Uso de tecnologia, com monitoramento eletrônico de agressores para garantir o cumprimento de medidas protetivas.

Execução descentralizada e financiamento

O programa será financiado com recursos públicos, parcerias com a iniciativa privada, doações e convênios com universidades, instituições de pesquisa e órgãos do sistema de Justiça. A execução será descentralizada, permitindo adaptação às realidades locais.

Um novo enfoque: agir antes da violência

Ao priorizar a prevenção, o “Antes que Aconteça” inaugura um novo paradigma nas políticas de enfrentamento à violência contra a mulher no Brasil. Mais do que reagir ao crime, a proposta busca interromper o ciclo da violência antes que ele resulte em tragédia”.

A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.

Edgar Lisboa