
Governo mantém negociações para evitar novas sobretaxas, mas já discute medidas de resposta caso as tarifas americanas sejam confirmadas. Empresários defendem ampliação das exceções e alertam para prejuízos aos dois países.
O governo brasileiro já trabalha com a possibilidade de aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica em resposta ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que poderá elevar as tarifas para até 37,5% em alguns setores. Apesar disso, a orientação no Palácio do Planalto ainda é de cautela. A avaliação interna é que qualquer medida dependerá da extensão das sobretaxas efetivamente aplicadas pelo governo americano.
Fontes do governo afirmam que, caso a reciprocidade seja adotada, a decisão será precedida por consultas ao setor produtivo e às entidades empresariais diretamente afetadas. O processo poderá levar alguns meses e será conduzido pelo Comitê Interministerial de Negociação e Contra-Medidas Econômicas e Comerciais, responsável por avaliar as respostas brasileiras e acompanhar as negociações para tentar reverter as medidas adotadas pela Casa Branca.
A legislação brasileira permite a adoção de contramedidas em áreas como concessões comerciais, investimentos e direitos de propriedade intelectual. Antes de qualquer retaliação, porém, o governo pretende esgotar as vias diplomáticas e técnicas para evitar uma escalada da disputa comercial.
Enquanto isso, empresários brasileiros que participaram das audiências públicas realizadas nesta semana em Washington avaliam que a aplicação das sobretaxas é praticamente inevitável. O próprio representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que um entendimento entre os dois países ainda está distante.
Apesar do cenário desfavorável, representantes do setor produtivo mantêm expectativa de que o governo americano amplie a lista de produtos isentos das novas tarifas. O diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, resumiu o sentimento do setor ao defender “otimismo com moderação”, diante da importância do mercado americano para as exportações brasileiras.
Outro tema que ganhou destaque nas discussões entre os dois países é o dos minerais críticos. Após reunião ministerial realizada nesta sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as chamadas terras raras representam uma oportunidade para fortalecer a soberania econômica brasileira. Em referência ao presidente Donald Trump, Lula declarou que os Estados Unidos deveriam voltar sua atenção também ao Brasil.
“Se o Trump está preocupado com a China, pode ficar preocupado com o Brasil, porque nós vamos tentar fazer as mesmas coisas, ou até mais qualificadas, do que os chineses fazem”, afirmou o presidente.
Embora os minerais estratégicos brasileiros não façam parte da investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o tema está no radar de Washington. Os minerais são considerados essenciais para a fabricação de baterias de veículos elétricos, smartphones, equipamentos eletrônicos e produtos da indústria de defesa, tornando-se um dos principais ativos estratégicos na disputa global por tecnologia e segurança.
Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa