Lula e Flávio pavimentam o escorregadio caminho para subir a rampa do Palácio do Planalto (Crédito: Ricardo Stuckert/PR)
Por Edgar Lisboa
A mais recente movimentação do cenário eleitoral indica um reposicionamento relevante na disputa política. Para o cientista político Murilo Medeiros, (UnB), analista em Poder Legislativo e estudos eleitorais os números das pesquisas sugerem que o senador Flávio Bolsonaro começa a consolidar sua presença como pré-candidato competitivo, ultrapassando os limites tradicionais do eleitorado bolsonarista.
A pesquisa Genial/Quaest, avalia Murilo Medeiros, traz informações sobre a disputa eleitoral, com o empate entre Lula e Flávio Bolsonaro, e também mede a opinião pública em relação a temas como o master, STF, isenção de imposto de renda.

O governo Lula viu uma queda da avaliação da sua proposta. E também nas intenções de voto do Presidente da República. Todo esse cenário foi muito embasado por alguns temas que a pesquisa Quest revelou, como por exemplo, a percepção maior do brasileiro em relação à corrupção. Esse é um tema que é um calcanhar de Aquiles para a campanha governista, porque toda essa crise envolvendo o Banco Master e o escândalo do INSS pode favorecer junto ao eleitor um sentimento de “anti-establishment” e confronto em relação ao sistema, afirmou em extensa entrevista à CBN, o cientista político Murilo Medeiros, da UNB.
Eleitor independente
Na visão do analista, o voto para a mudança pode ser aflorado junto ao eleitor, especialmente ao eleitor independente, ao eleitor mais moderado. “É curioso isso porque Flávio Bolsonaro cresce justamente nessa parcela do eleitor mais independente, aquele que não tem preferência ideológica, claro”.
De janeiro para cá, afirmou Murilo Medeiros, o pré-candidato, Flávio Bolsonaro, evoluiu 11 pontos percentuais nessa faixa do eleitorado que concentra 32% do eleitorado brasileiro. Então, Lula, caiu nessa parcela do eleitorado. Então, certamente esse tema da corrupção, essa agenda da moralidade deve ter pesado nessa percepção do eleitor. E junto a isso também a percepção econômica. De janeiro pra cá, a percepção negativa em relação a economia subiu 10 pontos também.
“Eleitor não come PIB, come alimentos”
Murilo Medeiros lembrou a economista, Conceição Tavares, que sempre dizia que o eleitor não come PIB, come alimentos. Então, a sensação de carestia e a sensação do custo de vida ainda muito elevado tem estabilizado muito essa taxa de avaliação do governo. E Flávio Bolsonaro conseguiu avançar especialmente. Entre o eleitor moderado e independente.
Sensação de carestia
Questionado sobre “essa sensação de carestia que as pessoas ainda têm, e que as pessoas percebem, no dia a dia, que ainda está muito caro, por exemplo, comprar comida, comprar combustível”, Murilo Medeiros afirmou que é muito possível.
Indicadores econômicos
Na opinião do cientista-político, “o que chama mais atenção é que o governo, nos últimos meses, investiu muito em campanhas publicitárias, apostando nos indicadores econômicos como forma de elevar a competitividade de, em busca de sua reeleição, ressaltando os índices inflacionários, taxa de desemprego, crescimento econômico”.
Bolso ainda pesa muito
“Mas a verdade é que essa sensação, os indicadores econômicos ainda não foram percebidos no bolso da sociedade, especialmente da classe média urbana, onde o custo de vida ainda é muito elevado e perdeu o poder de compra em relação ao que já existia antes”, argumenta Murilo Medeiros, acrescentando que “o bolso ainda pesa muito. Isso aliado com essa agenda da corrupção e da segurança pública”.
A própria Quest trouxe que os dois principais temas que hoje preocupam os brasileiros são justamente a segurança pública e corrupção, que são temas muito sensíveis para a campanha governista, as pretensões de reeleição de Lula
Sem espaço para 3ª candidatura
Para o cientista político, Murilo Medeiros, na atual conjuntura tudo indica que, não há espaço para uma terceira candidatura. “Vamos repetir um quadro muito consolidado de polarização que percebemos nas eleições desde 2018.
O candidato mais competitivo não soma nem dois dígitos, que é o Ratinho Júnior, isso que pontuou 7%. Então tudo indica que vamos presenciar mais uma vez uma eleição muito polarizada, porém com um nível de radicalidade ideológica menor. E esse é um ponto nevrálgico que tem conseguido mexer com a estratégia da campanha de reeleição.
Discurso mais moderado
Na análise do cientista político, “com esse discurso mais moderado que Flávio Bolsonaro tenta dar ao seu projeto político, com esse verniz mais moderado, fazendo aceno a esse eleitorado mais de centro, ele consegue mexer no tabuleiro político, e coloca um desafio a mais ao governo de voltar a criar conexão com aquela parcela da frente ampla que foi decisiva para a vitória de Lula em 2022”.
Derretimento de intenções
“Um ponto curioso, é que no mesmo período da eleição de 2022, eu fui verificar a pesquisa da quest. de março de 2022. Na simulação do segundo turno entre Lula e Bolsonaro, Lula pontuava 54 por 5% das intenções de voto. No atual cenário, ele tem 41, então houve um derretimento das suas intenções de voto, muito por conta também do ônus de ocupar a presidência da República, e Lula mantém uma rejeição muito elevada e estabilizada, que tem limitado muito a sua capacidade de expansão.”
Rejeição estrutural
Na avaliação de Murilo Medeiros, “chama a atenção também que a rejeição elevada de Lula. não é algo conjuntural, mas sim estrutural. A fadiga de material em relação ao tempo que Lula já ocupa o governo, não custa lembrar que Lula estava presente nas urnas desde 1989. Mesmo quando ele não foi candidato, ele patrocinou candidaturas que inclusive foram como o de Dilma Rousseff. Esse longo período do poder nas disputas eleitorais acaba atraindo uma rejeição muito consolidada. O voto antipetista ainda é muito arraigado junto à sociedade”.
Eleitorado antipetista
Para Murilo Medeiros, Flávio Bolsonaro conseguiu agora ultrapassar as fronteiras do bolsonarismo e consegue agora ter uma maior penetração sobre esse eleitorado antipetista, que não é exatamente o eleitorado bolsonarista, mas é aquele eleitorado que rejeita o PT e Lula como um todo. Então, esse é um ponto curioso que a pesquisa quest. ressalta, mostrando o avanço de Flávio Bolsonaro para além das fronteiras do Bolsonaro e Lula, ainda com uma rejeição muito estabilizada, que tem o desafio de contornar esse cenário, restando sete meses para a rejeição”.
Lula e Flávio Bolsonaro aparecem empatados em eventual 2º turno mostra pesquisa Genial/Quaest

Lula lidera nos demais cenários contra adversários da oposição.
A pesquisa Genial/Quaest divulgada na quarta-feira (11) mostra que o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) empatariam num segundo turno. Cada um registra 41% das intenções de voto.
Em relação a dezembro, quando Flávio foi anunciado pré-candidato, ele avançou 5 pontos e Lula recuou 5 pontos percentuais. Já no último levantamento, de fevereiro, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro tinha 38% das intenções de voto, enquanto o atual chefe do Executivo aparecia com 43%.
- Flávio Bolsonaro (PL): 41% (eram 38%)
- Lula (PT): 41% (eram 43%)
- Brancos/Nulos: 16% (eram 17%)
- Indecisos: 2% (eram 2%)
Nos demais seis cenários simulados, o presidente Lula lidera, porém a margem de pessoas que declaram não saber em quem votar ficou em 25% na média. No caso do governador do Paraná, Ratinho Júnior, do PSD, a diferença é de 9 pontos percentuais.
A pesquisa foi realizada entre os dias 6 e 9 de março, e registrada junto à Justiça Eleitoral sob o número BR-05809/2026. Foram feitas 2.004 entrevistas presenciais, com brasileiros de 16 anos ou mais. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.
Outros cenários
Lula (PT) x Ratinho Júnior (PSD)
- Lula (PT): 42% (antes, 43%)
- Ratinho Júnior (PSD): 33% (antes, 35%)
- Brancos/Nulos: 22% (antes, 19%)
- Indecisos: 3% (antes, 3%)
Lula (PT) x Romeu Zema (Novo)
- Lula (PT): 44% (antes, 43%)
- Romeu Zema (Novo): 34% (antes, 32%)
- Brancos/Nulos: 19% (antes, 21%)
- Indecisos: 3% (antes, 4%)
Lula (PT) x Ronaldo Caiado (PSD)
- Lula (PT): 44% (antes, 42%)
- Ronaldo Caiado (PSD): 32% (antes, 32%)
- Brancos/Nulos: 21% (antes, 22%)
- Indecisos: 3% (antes, 4%)
Lula (PT) x Eduardo Leite (PSD)
- Lula (PT): 42% (antes, 42%)
- Brancos/Nulos: 29% (antes, 26%)
- Eduardo Leite (PSD): 26% (antes, 28%)
- Indecisos: 3% (antes, 4%)
Lula (PT) x Aldo Rebelo (DC)
- Lula: 44% (antes, 44%)
- Branco/Nulos 30% (antes, 27%)
- Aldo Rebelo: 23% (antes, 25%)
- Indecisos: 3% (antes, 4%)
Lula (PT) x Renan Santos (Missão)
- Lula: 43% (antes, 44%)
- Branco/Nulos: 30% (antes, 27%)
- Renan Santos: 24% (antes, 25%)
- Indecisos: 3% (antes, 4%)
Posicionamento político
Já no recorte por posicionamento político, o destaque é do grupo que se declara independente. Nesse grupo, o filho do ex-presidente Bolsonaro avançou 6 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior e venceria Lula por 32% a 27%. Também chama a atenção que 36% dizem que não vão votar se esse cenário se confirmar.
Entre lulistas e esquerdistas, 91% e 74%, respectivamente, afirmam que votariam no atual presidente. Os que se dizem direitistas, 64% declaram voto em Flávio, enquanto os declaradamente bolsonaristas, 83% dizem que votariam no senador.
Aumenta a reprovação do governo
Desde o último levantamento realizado em fevereiro, a desaprovação do governo Lula aumentou de 49% para 51%. O total dos que aprovam passou de 45% para 44%.
Com relação à declaração de posicionamento político, entre os que denominam lulistas e esquerdistas não lulistas, 95% e 84% aprovam o governo, respectivamente. Os entrevistados que dizem ser independentes têm percentual de 57% que desaprovam o a gestão Lula. Já entre os da direita não bolsonarista e os bolsonaristas, 89% e 93% desaprova o governo, respectivamente.
Por região, predomina a aprovação de 65% dos nordestinos ouvidos. Já em relação aos que reprovam, o Sul é predominante, com 60%.
Pesquisa aponta desgaste institucional após escândalo envolvendo Banco Master
Cenário de desconfiança
Um novo recorte da pesquisa Genial/Quaest, divulgado nesta quinta-feira (12), mostra um cenário de forte desconfiança institucional entre os brasileiros. De acordo com o levantamento, 49% dos entrevistados afirmam não confiar no Supremo Tribunal Federal (STF).
Conhecimento da população
O estudo também avaliou o nível de conhecimento da população sobre o caso envolvendo o Banco Master. Segundo os dados, 65% dos entrevistados disseram já ter conhecimento da prisão de Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira, indicando ampla repercussão pública do episódio.
Instituições desgastadas
Quando questionados sobre quem teve a imagem mais prejudicada pelo escândalo, 40% dos participantes afirmaram que todos os envolvidos saíram igualmente desgastados. Nesse grupo aparecem o STF, os governos de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, além do Banco Central e do Congresso Nacional.
Desconfiança da população
O resultado reforça a percepção de que crises institucionais e episódios de grande repercussão tendem a ampliar a desconfiança da população em relação às principais instituições do país, atingindo simultaneamente diferentes esferas do poder público.
Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa