A Nova Batalha da Direita: Flávio Bolsonaro acirra a corrida ao Planalto

Flávio se lança e exalta Tarcísio: a costura pela direita

Flávio Bolsonaro (Crédito: Saulo Cruz, Agência Senado)

Durante um culto em uma igreja evangélica em Brasília, o senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ) reforçou o nome de Tarcísio de Freitas (Republicanos/SP) como uma espécie de referência moral e técnica da direita. “Um homem fora de série”, disse, destacando que recebeu apoio do governador paulista e negando que sua entrada na disputa tenha dividido o campo conservador — apesar das reações imediatas do Centrão e da permanência de outros governadores na corrida presidencial.

Tarcisio de Freitas

“Para mim, o Tarcísio é o principal cara do nosso time hoje”, afirmou Flávio, já em tom de campanha. “Vamos resgatar o Brasil começando por São Paulo, com uma diferença ainda maior do que tivemos em 2022. Não tem fragmentação. Tem união de pessoas que deixaram a vaidade de lado”.

Um Bolsonaro ‘mais centrado’ entra em cena

O senador também comentou a reação negativa do mercado financeiro à sua pré-candidatura. Na sexta-feira, a bolsa caiu e o dólar disparou, revelando nervosismo entre investidores. Para Flávio, no entanto, o episódio abre espaço para apresentar “um Bolsonaro diferente”.

“Com essa exposição, vocês vão conhecer um Bolsonaro muito mais centrado, que conhece a política, conhece Brasília e quer pacificar o país”, declarou. A sinalização tenta distanciar sua candidatura dos arroubos que marcaram o governo de Jair Bolsonaro.

A busca pelo Centrão e o preço da anistia

Flávio voltou a defender a anistia e disse esperar que os presidentes da Câmara e do Senado pautem o tema ainda nesta semana. Deu a entender que essa seria parte das condições para eventualmente recuar da disputa.

Nesta segunda, o senador inicia uma rodada de conversas com figuras-chave do Centrão, incluindo Antônio Rueda (União Brasil), Ciro Nogueira (Progressistas) e Valdemar Costa Neto (PL) — este último, avalizador oficial de sua candidatura.

Divisão e desconfiança: o racha na direita

O anúncio de Flávio Bolsonaro provocou uma fissura imediata no bloco conservador. Setores do Centrão esperavam a candidatura de Tarcísio de Freitas, considerado mais competitivo e com maior capacidade de articulação nacional. A indicação do filho de Jair Bolsonaro acendeu o alerta para uma possível fragmentação irreversível.

A pesquisa DataFolha, divulgada no sábado, reforçou o incômodo:

  • Lula vence Flávio por 51% a 36% em um eventual segundo turno.
  • Em simulação apenas com intenção espontânea após o primeiro turno, Lula aparece com 41% e Flávio com 18%.
  • Tarcísio registra 23%, ainda distante, mas em melhor posição entre os governadores testados.
  • Ratinho Junior (PSD/PR) também tem desempenho superior ao de Flávio na margem de desvantagem.

Mesmo preso e inelegível, o nome de Jair Bolsonaro também foi incluído pelo DataFolha: ele perderia para Lula por 49% a 40% no primeiro turno.

A pesquisa ouviu 2.002 eleitores em 113 municípios, antes do anúncio oficial da pré-candidatura de Flávio.

Mercado reage e pressiona o jogo político

Além da pressão eleitoral, o lançamento da pré-candidatura provocou forte reação econômica.
O mercado interpretou o movimento como sinal de instabilidade dentro da direita:

  • Dólar ultrapassou R$ 5,40
  • Ibovespa caiu mais de 4%, a maior queda desde fevereiro de 2021

Para analistas, a reação revela que parte do empresariado duvida da viabilidade da candidatura de Flávio.

Zema prega pluralidade e mantém seu nome no jogo

Romeu Zema

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que também é pré-candidato, classificou a candidatura de Flávio como “justa e democrática”. Segundo ele, múltiplas candidaturas fortalecem o campo conservador no segundo turno, argumento repetido por Jair Bolsonaro no passado.

Zema afirmou: “Faz sentido que Flávio apresente seu nome à disputa”, destacando que segue com o objetivo de “tirar o PT do Palácio do Planalto”.

Ele também voltou a projetar que Jair Bolsonaro será libertado em 2027, após a posse do próximo presidente.

O tabuleiro da direita rumo a 2026

Outros governadores seguem firmes na disputa, como:

  • Ronaldo Caiado (União Brasil/GO)
  • Romeu Zema (Novo/MG)
  • Tarcísio de Freitas (Republicanos/SP)

Dentro do PL, aliados afirmam que Jair Bolsonaro manifestou pessoalmente o desejo de que Flávio fosse o candidato do partido. Após visita do senador à PF em Brasília, Valdemar Costa Neto confirmou publicamente a indicação.

Aos 44 anos, empresário e advogado, Flávio foi deputado estadual, tornou-se senador em 2018 e encerra seu mandato em 2027.

O desafio bolsonarista

A direita chega a 2026 com:

  • divergências internas,
  • disputa por protagonismo,
  • pressão do mercado,
  • dependência da anistia,
  • e um eleitorado fiel, mas insuficiente para vencer sem ampliar alianças.

Flávio aposta em carregar o legado do pai, enquanto Tarcísio, Zema e Caiado buscam ocupar o vácuo de liderança criado pela prisão e inelegibilidade de Jair Bolsonaro.

O que está em jogo não é apenas quem subirá a rampa do Planalto — mas qual direita sobreviverá unida até lá.

Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa