
Ex-vice-presidente afirma que crise política, tensão entre Brasil e Estados Unidos e avanço do crime organizado devem dominar a agenda nacional até o fim do ano
Por Edgar Lisboa
O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) avalia que o segundo semestre será marcado por um ambiente de elevada tensão política e diplomática. Em entrevista ao Portal Repórter Brasília, Mourão afirmou que a campanha eleitoral e os desdobramentos do cenário internacional caminham lado a lado entre os principais desafios do país.
Segundo o parlamentar, o ambiente político interno já vive um momento delicado, que poderá se intensificar à medida que o processo eleitoral avance.
“Tanto a campanha eleitoral quanto o cenário internacional são dois pontos de preocupação para o Brasil, o que torna o segundo semestre extremamente desafiador“, afirmou.
Na avaliação do senador, a disputa eleitoral ocorre em meio a um quadro de instabilidade institucional. Mourão cita como fatores de preocupação a crise política, denúncias envolvendo agentes públicos, dificuldades de governabilidade, a possibilidade de novos desdobramentos relacionados ao empresário Daniel Vorcaro e o aumento da pressão sobre o Supremo Tribunal Federal.
No campo internacional, o senador também prevê um período de forte turbulência. Entre os temas que, segundo ele, podem produzir reflexos diretos sobre o Brasil estão a classificação, pelos Estados Unidos, de organizações criminosas brasileiras como grupos terroristas, o impasse comercial envolvendo tarifas sobre produtos brasileiros e a escalada das tensões no Oriente Médio, especialmente diante do conflito envolvendo Estados Unidos e Irã.
Relação Lula-Trump
Questionado sobre o desgaste na relação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump e os possíveis impactos para os interesses permanentes do Estado brasileiro, Mourão defendeu que as relações diplomáticas deveriam permanecer acima das divergências ideológicas entre governos.
“As relações entre as nações devem ser pautadas por princípios, independentemente do governo que estiver à frente”, afirmou.
Na avaliação do senador gaúcho, entretanto, o atual momento dificulta uma aproximação entre Brasília e Washington. Mourão atribui essa situação tanto às posições adotadas pelo presidente Lula em relação aos Estados Unidos quanto às medidas implementadas pelo governo Trump, que, segundo ele, também têm provocado prejuízos aos interesses brasileiros.
O parlamentar acrescenta que o processo eleitoral brasileiro amplia as dificuldades para uma interlocução institucional e pode alimentar especulações sobre tentativas de influência externa no pleito.
Senado concentrado na eleição
Mourão também demonstrou ceticismo quanto à possibilidade de o Senado exercer, neste momento, um papel relevante na reconstrução da relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos.
Segundo ele, a proximidade das eleições reduz o espaço para iniciativas institucionais mais amplas.
“Não vejo, no momento, como o Senado atuar institucionalmente para contornar isso, uma vez que dois terços da Casa estão focados na campanha eleitoral. Teremos que aguardar um cenário mais oportuno para que essa atuação aconteça“, concluiu.
As declarações do senador reforçam a expectativa de um segundo semestre marcado por forte polarização política, intensificação da disputa eleitoral e desafios crescentes na política externa, temas que deverão ocupar o centro do debate nacional até a realização das eleições de outubro.
Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa