Paulo Octávio cobra gestão eficiente e critica falta de liderança no país

Presidente do Lide Brasília faz balanço de encontro no Brasília Palace e defende planejamento, fiscalização e diálogo político

Por Edgar Lisboa

O presidente do Lide Brasília e ex-senador Paulo Octávio fez ao Portal Repórter Brasília um balanço do encontro promovido pelo Lide Nacional, realizado no Brasília Palace, com a participação de ministros do Tribunal de Contas, governadores, empresários e lideranças políticas.

Segundo ele, o principal problema do Brasil hoje não é a falta de recursos, mas a deficiência na gestão pública. Para Paulo Octávio, a má administração tem comprometido o desenvolvimento do país e reduzido a capacidade de transformar investimentos em resultados.

“Má gestão custa caro ao Brasil”

Paulo Octávio afirmou que a deficiência na gestão pública provoca perdas expressivas na aplicação dos recursos públicos. Segundo ele, dados do Banco Mundial apontam que entre 30% e 50% dos recursos destinados a projetos e empreendimentos dos governos federal, estaduais e municipais são desperdiçados por falta de eficiência.

“Essa ineficiência decorre de má gestão, má administração, falta de controle, ausência de liderança, falta de economia e de planejamento”, afirmou.

Na avaliação do presidente do Lide Brasília, a presença de lideranças preparadas é o fator decisivo para o sucesso de governos e empresas.

Governadores bem avaliados têm boa gestão

Paulo Octávio disse que os governadores que hoje apresentam altos índices de aprovação são justamente aqueles que conseguiram implantar projetos bem estruturados, com planejamento, fiscalização e cobrança de resultados.

“Boa gestão existe quando há líderes competentes à frente das organizações, sejam empresas, municípios, estados ou o governo federal. O desenvolvimento eficaz exige liderança, cobrança e boa gestão”, ressaltou.

Para ele, o debate realizado no Brasília Palace foi importante justamente por reunir autoridades de diferentes áreas para discutir caminhos para tornar o Estado mais eficiente.

Exemplo de JK e João Doria

Durante sua fala, Paulo Octávio citou duas obras como referência para a discussão sobre gestão pública: “O Poder da Transformação”, do ex-governador de São Paulo, João Doria, e “Meu Caminho para Brasília”, do ex-presidente Juscelino Kubitschek.

Segundo ele, os dois livros mostram que grandes transformações só acontecem quando há liderança, planejamento e fiscalização.

Paulo Octávio destacou especialmente a atuação de Juscelino Kubitschek na construção de Brasília.

“Juscelino construiu Brasília em cinco anos porque havia boa gestão. Mesmo com todas as dificuldades da época, ele vinha a Brasília, acompanhava as obras e voltava ao Rio de Janeiro para cobrar o cumprimento das metas”, afirmou.

Na avaliação do empresário, o Brasil avançou em diferentes períodos de sua história quando houve planejamento e firmeza na condução dos projetos.

Falta de controle gera descrédito político

Paulo Octávio afirmou que a ausência de liderança e de controle na administração pública tem contribuído para aumentar o desencanto da população com a política.

Ele lembrou que o setor público representa cerca de 30% da economia brasileira e avaliou que uma gestão mais eficiente poderia gerar resultados expressivos para o país, especialmente em um cenário de aumento da carga tributária.

“Imagine o impacto de uma boa gestão e de uma administração eficiente dos recursos públicos”, observou.

Segundo ele, o ambiente político atual é marcado por rejeição e desgaste. Paulo Octávio relatou que, em conversas informais, percebe índices elevados de rejeição tanto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Há pessoas que falam em 60% de rejeição ao Lula e 50% ao Bolsonaro. Isso mostra que falta ao país uma agenda nova, com propostas e foco em gestão, e não apenas em ideologia”, afirmou.

Celina é elogiada, mas PSD mantém Arruda

Ao tratar do cenário político no Distrito Federal, Paulo Octávio afirmou ter “grande admiração” pela governadora Celina Leão e elogiou sua atuação política e sua participação nos eventos promovidos pelo Lide.

Apesar disso, reafirmou que o PSD terá candidatura própria ao Palácio do Buriti.

“Atualmente, como presidente do PSD, dedico-me ao partido, que tem apresentado ideias relevantes sob a liderança de Gilberto Kassab. O candidato do PSD é José Roberto Arruda”, declarou.

Segundo Paulo Octávio, a escolha ainda dependerá da convenção partidária, mas Arruda é, hoje, o nome apoiado pelo partido e pelo presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab.

Respeito e diálogo com Celina

Mesmo defendendo a candidatura de Arruda, Paulo Octávio disse manter uma relação de respeito e diálogo com a governadora Celina Leão.

“Mantenho um diálogo frequente com a governadora Celina, com bom entendimento mútuo e respeito pelas posições de ambos. A democracia exige respeito”, afirmou.

Ele acrescentou que não pretende fazer ataques à governadora durante a disputa.

“Jamais farei ataques à governadora Celina, a quem respeito. Mas o candidato do PSD, sujeito à aprovação na convenção, é o Arruda”, disse.

Paulo Octávio acrescentou ainda que, caso Arruda não possa disputar a eleição, o partido poderá discutir, democraticamente, eventual apoio à governadora.

Caiado é o nome do PSD para o Planalto

Sobre a disputa presidencial de 2026, Paulo Octávio afirmou que o PSD trabalha, neste momento, com a candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado.

“Nosso candidato é o Caiado. Tenho simpatia pelo Flávio Bolsonaro, e Kassab já declarou que o apoiaria em um eventual segundo turno. Mas, neste momento, o candidato é Caiado, por ter sinergia e simpatia com ele”, afirmou.

Segundo Paulo Octávio, o PSD busca construir um projeto nacional que combine gestão, experiência administrativa e diálogo político.

Defesa do BRB e preocupação ética

Ao final da conversa, Paulo Octávio voltou a defender o Banco de Brasília (BRB), instituição da qual é um dos principais defensores históricos.

Ele afirmou, no entanto, que o banco precisa superar as dificuldades éticas enfrentadas nos últimos anos.

“Reafirmo minha defesa do BRB, mas também a necessidade de superar as dificuldades éticas enfrentadas pela instituição”, concluiu.

Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa