
Os ministros da Agricultura da União Europeia reúnem-se na tarde desta quarta-feira (7), em Bruxelas, para analisar uma nova proposta da Comissão Europeia que busca destravar a assinatura do acordo comercial entre o bloco europeu e o Mercosul. A expectativa é de que o encontro marque um passo decisivo para a conclusão de um tratado negociado há mais de duas décadas.
Para reduzir a resistência interna, especialmente no setor agrícola, a Comissão anunciou um pacote de incentivos que prevê a liberação antecipada de 4 bilhões de euros aos agricultores europeus. A medida tem como objetivo reforçar a competitividade do campo europeu diante da abertura comercial prevista no acordo, sobretudo frente aos produtos sul-americanos.
Mudanças na política agrícola para viabilizar o acordo
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, encaminhou uma carta aos Estados-membros e ao Parlamento Europeu propondo ajustes na Política Agrícola Comum (PAC) para o ciclo de 2028 a 2034. A antecipação dos recursos é vista como uma tentativa direta de conter pressões políticas e protestos de agricultores contrários ao tratado.
No fim do ano passado, a Comissão já havia aprovado a inclusão de novas cláusulas de salvaguarda e mecanismos de proteção ao setor agrícola europeu, justamente para facilitar a ratificação do acordo com o Mercosul. Mesmo assim, a assinatura, inicialmente prevista para dezembro, acabou sendo adiada para janeiro.
Itália assume papel-chave na decisão
O adiamento ocorreu após um pedido da Itália, governada pela primeira-ministra Giorgia Meloni, que solicitou mais tempo para dialogar com os agricultores italianos. O voto italiano é considerado decisivo no Conselho Europeu, especialmente diante da oposição já declarada de países como França, Polônia e Hungria.
Sinais recentes indicam que a nova proposta da Comissão pode garantir o apoio da Itália. Meloni divulgou comunicado celebrando o pacote financeiro, classificando a iniciativa como um avanço importante para proteger os interesses dos produtores rurais do país.
Apoio de Alemanha e Espanha e resistência francesa
Enquanto isso, Alemanha e Espanha seguem favoráveis ao acordo e avaliam que o pacote de compensações financeiras cria um ambiente mais equilibrado para a assinatura do tratado. Para esses países, o acordo representa ganhos estratégicos em comércio, investimentos e influência geopolítica.
Na França, porém, a reação continua sendo de forte resistência. Agricultores franceses mantêm protestos e bloqueios de estradas, alegando que o acordo permitirá uma concorrência desleal com produtos do Mercosul, especialmente nas áreas de carnes, grãos e açúcar. Para o setor, a nova proposta da Comissão não altera o cenário de risco ao produtor local.
Protestos e medidas emergenciais
Como tentativa de conter a pressão interna, o governo francês determinou, a partir desta semana, a suspensão por até um ano da importação de produtos agrícolas tratados com substâncias proibidas na União Europeia, enquanto a Comissão avalia medidas adicionais. Ainda assim, a mobilização dos agricultores segue intensa.
Cerca de 150 tratores avançam em direção a Paris, onde está prevista uma grande manifestação nesta quinta-feira. O movimento amplia o clima de tensão política em torno do acordo, às vésperas de uma possível decisão final.
Expectativa de avanço histórico
Apesar das resistências, diplomatas europeus avaliam que o acordo com o Mercosul está mais próximo do que nunca de ser concluído. Caso seja ratificado, o tratado criará uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, envolvendo mais de 700 milhões de pessoas, com impacto direto sobre fluxos comerciais, cadeias produtivas e relações estratégicas entre Europa e América do Sul.
Portal Repórter Brasília, com informações da Rádio França Internacional.