A ANJ (Associação Nacional de Jornais) e a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) divulgaram notas nesta 4ª feira (4.mar.2026) em defesa do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo e Rádio CBN, após relatório da Polícia Federal apresentar mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, para forjar um assalto e agredir o jornalista.
Marcelo Rech, presidente-executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ), disse à coluna Repórter Brasília que “essa é mais uma linha vermelha cruzada por uma organização com métodos típicos da máfia. É assustadora a desenvoltura e tranquilidade com que eles tramam a tentativa de silenciamento de um dos principais jornalistas do país”. Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa/ ilustração: Peach Brasil
Bilionário podre e criminoso
Alan Caldas, Jornal Dois Irmãos
(Daniel Vorcaro queria agredir jornalista e simular um assalto)
A investigação da Polícia Federal revelou que o agente corruptor Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, debateu com sua gangue de criminosos a possibilidade de agredir (“dando um pau” e “quebrando os dentes”) o jornalista e colunista do jornal O Globo, Lauro Jardim (na foto a esquerda).
Vorcaro queria fazê-lo parar de publicar reportagens que sobre seus negócios criminosos.
Segundo a PF, Vorcaro trocou mensagens com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado pelos investigadores como integrante de um núcleo que atuava em monitoramento “e pressão” (física, se preciso) contra pessoas que são incômodas ao banqueiro corrupto e agente corruptor Daniel Vorcaro.
Em conversas recuperadas pela Polícia Federal, Vorcaro afirma que gostaria de “dar um pau nele” e de “quebrar todos os dentes num assalto”.
Sugeriu que a agressão fosse executada de forma a parecer “um crime comum”. Algo sem ligação aparente com as reportagens publicadas onde o jornalista descrevia as falcatruas, corrupção e crimes praticados por Vorcaro.
Os diálogos que a polícia conseguiu, revelam debates de Vorcaro e seu grupo criminosos para levantar informações da rotina do jornalista Lauro, incluindo deslocamentos e hábitos dele, numa tentativa de avaliar a viabilidade da ação criminosa disfarçada de assalto.
A intenção, segundo os investigadores, seria disfarçar a agressão como um episódio de violência urbana, ocultando qualquer motivação ligada ao trabalho jornalístico.
A Polícia Federal também descreve uma estrutura chamada nas mensagens de “A Turma”.
“A Turma” era o grupo encarregado de monitorar os adversários do banqueiro.
Esse grupo, “A Turma”, já teria atuado em atividades ilegais, como vigilância, coleta de informações e ações de pressão sobre jornalistas, ex-funcionários e outras pessoas ligadas ao caso.
Segundo documentos analisados pela PF, esse grupo recebia pagamento de R$ 1 milhão por mês para “intimidar” aquelas pessoas que Vorcaro queria que fossem pressionadas.
Para os investigadores da PF, as mensagens demonstram a existência de um ambiente de hostilidade contra jornalistas que noticiavam a situação financeira do banco e que publicavam reportagens sobre as falcatruas e corrupção ali ocorrida a mando de Daniel Vorcaro.
Vorcaro foi preso na manhã desta quarta-feira, 4, em São Paulo, por ordem do STF.
Uma salva se palmas ao Estado de Direito no Brasil.
Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa