Por Edgar Lisboa

O Congresso retomou os trabalhos em clima quente, discursos duros e muita movimentação de bastidores. Mas, na avaliação de parlamentares, o ritmo deve arrefecer logo após o carnaval, quando o calendário eleitoral passa a dominar a pauta. A expectativa em Brasília é de poucos projetos relevantes serão aprovados neste primeiro semestre, enquanto nos estados os pré-candidatos aceleram articulações e miram as convenções partidárias. O foco real são as eleições em outubro e a temperatura política tende a subir.
No Rio Grande do Sul, o cenário é de rearranjos intensos e negociações cruzadas. PT e PDT buscam alinhar estratégias e manter diálogo para atuar juntos, enquanto o PP, que anunciou saída do governo Eduardo Leite, aguarda sua convenção, prevista entre o fim de fevereiro e o início de março, para definir o rumo definitivo. Nos bastidores, o influencer Rony Gabriel, que caminhava para disputar pelo PL, teria mudado de rota e negocia filiação ao Podemos. A leitura interna é de que o movimento integra um acerto mais amplo para o Podemos apoiar uma eventual coligação entre PL e PP, com distribuição de nomes nas chapas.
Esse desenho fortalece a hipótese de uma aliança PL-PP para o Senado, cenário que, se confirmado, pode deixar o Novo fora da composição e complicar a situação do deputado Marcel Van Hattem, que trabalha há meses como pré-candidato. Nos bastidores, a conta é simples e cruel: só há duas vagas. Hoje, circula a possibilidade de Ubiratan Sanderson (PL) e Covatti Filho, o “Covattinho” (PP), formarem a dupla. Covatti, inicialmente cogitado para o governo estadual, passaria ao Senado. Mas Marcel não abre mão da disputa e mantém articulação ativa. A pressão cresce ainda mais porque, segundo interlocutores bolsonaristas, Jair Bolsonaro quer o nome do PL na chapa e defende Sanderson como prioridade. Se a composição se consolidar, alguém ficará pelo caminho.
Enquanto a direita e a centro-direita apresentam uma fila de pretendentes, a esquerda chega mais enxuta, com dois nomes já em movimento: o deputado e ex-ministro Paulo Pimenta (PT) e a ex-deputada Manuela D’Ávila (PSOL). No campo governista estadual, as incertezas também pesam. Se Eduardo Leite não disputar o Senado, o ex-governador Germano Rigotto confidencia a aliados que pode entrar na corrida. Há, porém, quem aposte que Leite permaneça no Palácio Piratini e projete voos maiores adiante, possivelmente mirando espaço nacional.
O retrato, por ora, é de um tabuleiro congestionado à direita e mais organizado à esquerda. Como a eleição para o Senado não tem segundo turno, a fragmentação pode ser decisiva. Muitos candidatos para poucas vagas, significa divisão de votos e risco real de surpresas. A disputa promete ser dura, com alianças ainda em construção e convenções decisivas pela frente. O jogo começou e deve esquentar ainda mais nas próximas semanas.
Não podemos esquecer que a possibilidade de candidatos de mudar de partido vai até março. Com isso, algumas coisas podem mudar.
Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa