Por Edgar Lisboa
Deputado do (PL/RS) articula projeto alinhado a Bolsonaro, critica desequilíbrio entre Poderes e defende nova força política do Sul. Em entrevista, à coluna Repórter Brasília, Ubiratan Sanderson, avalia cenário internacional, disputa eleitoral e os desafios do Rio Grande do Sul.
Brasil, geopolítica e a leitura conservadora do cenário internacional

O deputado federal Ubiratan Sanderson traça uma análise ampla do cenário político e econômico internacional para contextualizar o momento brasileiro. Para ele, a eventual volta de Donald Trump ao centro do poder global teria impacto direto no Brasil e na América Latina.
Na avaliação do parlamentar, Trump mantém relação política e pessoal com Jair Bolsonaro e atua com estratégia geopolítica. “Ele faz um jogo pesado. Gosta do Bolsonaro e é amigo do Bolsonaro. Age estrategicamente e, em algum momento, vai atuar”, afirma.
Sanderson entende que o Brasil, por ser uma das maiores economias do mundo e detentor de recursos minerais estratégicos, como nióbio, manganês e terras raras, ocupa posição relevante no tabuleiro global. “O Brasil está bem posicionado para negociar, mas precisa saber como colocar isso na mesa”, diz.
O deputado também avalia que o ambiente econômico interno sofre impacto direto do cenário político. Segundo ele, há empresários com investimentos represados à espera de maior previsibilidade institucional. “Muita gente com dinheiro parado, aguardando o resultado das eleições para decidir se investe”, observa.
Bolsonaro, o Senado e a estratégia eleitoral
A conversa avança para o núcleo da política nacional. Sanderson relata encontro recente com o ex-presidente Jair Bolsonaro e afirma que, mesmo preso, ele segue atuando na estratégia eleitoral do PL.
Segundo o deputado, Bolsonaro mantém foco na formação de maioria no Senado e já teria definido que o partido priorizará a disputa pelas cadeiras da Casa em 2026. “Ele está concentrado em montar uma maioria no Senado. A eleição para o Senado é estratégica”, afirma.
Sanderson diz ter recebido a confirmação direta de Bolsonaro de que será o candidato do PL ao Senado pelo Rio Grande do Sul. “Recebi com alegria e responsabilidade. Ele afirmou que não abre mão da minha candidatura”, relata.
O parlamentar afirma que o PL pretende lançar candidaturas ao Senado em todos os estados e que o projeto nacional envolve a conquista de maioria parlamentar. “O Senado é peça-chave para reorganizar o país”, diz.
Disputa acirrada no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, o cenário eleitoral ao Senado é considerado um dos mais competitivos do país. Sanderson reconhece a presença de nomes experientes e de peso político.

Entre os possíveis adversários estão Marcel Van Hattem (Novo), Manuela D’Ávila (PSOL), Paulo Pimenta (PT), o ex-governador Germano Rigotto (MDB) e a possível candidatura do atual governador Eduardo Leite (PSD).
Sanderson aposta na renovação como diferencial. “Sou o único nome novo nessa disputa. As pessoas querem novos ares”, afirma. Ele também sinaliza alinhamento com Van Hattem no campo da direita e defende cooperação política entre candidaturas ideologicamente próximas.
Críticas ao Judiciário e defesa de reequilíbrio institucional
Entre as prioridades nacionais, Sanderson aponta o que considera um desequilíbrio entre os Poderes da República. Para ele, o Senado deve exercer papel mais ativo de controle institucional.
“O Senado tem função de corregedoria do Supremo e hoje não exerce. É preciso reequilibrar os Poderes”, afirma. O deputado critica o que chama de “ativismo político” de parte do Judiciário e defende regras mais claras de atuação institucional.
Segundo ele, a reorganização do sistema político passa pela formação de maioria no Senado. “Uma república saudável exige harmonia e independência entre os Poderes”, diz.
O foco no Rio Grande do Sul
Ao tratar da pauta regional, Sanderson enfatiza que o Rio Grande do Sul precisa recuperar protagonismo político e econômico. Ele cita perdas de recursos e a necessidade de maior união da bancada federal.
“O Rio Grande precisa ser fortalecido. Outros estados se unem e garantem recursos. O Sul precisa voltar a ter força”, afirma.
O deputado critica cortes em emendas parlamentares e afirma que o estado não recebeu tratamento proporcional após as enchentes recentes. “O Rio Grande sofreu perdas e precisa ser priorizado”, defende.
Ele afirma que, se eleito senador, atuará com foco regional. “Meu partido é o Brasil, mas também é o Rio Grande do Sul. Vou olhar para todo o estado”, diz.
Palácio Piratini e alianças no Sul
Sanderson também comenta o cenário estadual e defende o nome do deputado Luciano Zucco (PL) como candidato ao governo do estado. Para ele, a candidatura representa renovação política.
O parlamentar acredita em aliança entre PL e PP tanto no plano nacional quanto no estadual. “PL e PP têm origens e ideais semelhantes. Devem caminhar juntos”, afirma.
Entre nomes cogitados para compor a chapa majoritária, ele menciona o senador Luiz Carlos Heinze (PP) para vice-governador, por exemplo, e lideranças do PP. A composição ainda estaria em discussão.
Projeto político e discurso de renovação
Sanderson conclui a análise reforçando que sua candidatura ao Senado se insere em um projeto nacional de reorganização política e fortalecimento regional.
Ele aposta em um discurso de renovação e em maior protagonismo do Sul no Congresso. “O Rio Grande precisa voltar a crescer e ter representação forte. Esse é o compromisso”, afirma.
A disputa de 2026, na visão do deputado, será decisiva para redefinir o equilíbrio político no país e a correlação de forças no Congresso. O Senado, segundo ele, será o centro dessa disputa.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa