
Era sexta-feira e meu Jesus estava morto naquela cruz…
Era sexta-feira quando chorar era a única coisa que podia…
Era sexta-feira quando os amigos se esconderam…
Era sexta-feira quando não encontrava mais em quem achar segurança…
Era sexta-feira quando cínicos ao redor, diziam: Nada vai mudar, tudo vai continuar como está. Não tem jeito não.
Era sexta-feira quando alguém se acovarda e lava as mãos…
Era sexta-feira quando o Sistema esmagador brada sua vitória: O controle é meu!
Era sexta-feira quando o amigo traiu e o que mais se temia aconteceu…
Era sexta-feira, quando finalmente dá-se o tão esperado encontro, e só lhe resta o último olhar…
Era sexta-feira, quando a última esperança também fenece…
Era sexta-feira quando até a natureza, ela mesma se negou a testemunhar tal sofrimento…
Era sexta-feira quando o dia fugiu, a noite chegou mais cedo. A escuridão, o pavor, a solidão envolveu tudo e todos…
Era sexta-feira quando não há mais o que fazer e o recolher dentro das lembranças, das tristezas, das perdas é o que lhe sobra.
Era sexta-feira quando nenhum poder impediu que me descessem ao mais profundo poço…e o sistema decidisse sobre mim…
… mas o domingo vem aí.
E o domingo chegou bem mais cedo, para quem ama e não esquece.
E o domingo chegou, estava ali a radiante Estrela da Manhã. O Sol da Justiça espalhou seus raios até ao mais profundo vale, montanhas, campinas… Foi surgindo um novo dia.
E o domingo chegou devolvendo a certeza de que aquele olhar me indicaria a presença viva e constante Dele em toda a minha vida.
E o domingo chegou enxugando toda a lágrima, restabelecendo a minha alegria e esperança.
E o domingo chegou trazendo de volta o amigo, que consola, que escuta, que encoraja.
E o domingo chegou quando as mãos feridas que foram mostradas davam a certeza da presença única que traz paz.
E o domingo chegou fazendo estremecer o sistema. Ele se tornou impotente diante da penetrante e radiante vida.
E o domingo chegou com a melhor das notícias, para quem negou, negou, negou:
… Ele mandou dizer que está vivo e quer vê-lo.
E o domingo chegou para fazer do medroso, um corajoso, diante da evidência do túmulo vazio.
E o domingo chegou para que a natureza, numa explosão de alegria, devolvesse a todos a verdadeira vida. Fez rolar a morte para deixá-la triunfar.
E o domingo chegou para que pudesse sair e reencontrar a alegria e o entusiasmo.
E o domingo chegou para que Ele dissesse: Paz!
E o domingo chegou, e porque o domingo chegou Ele me deu a mão, e eu segurei.
Quantas sextas-feiras há na nossa história, mas há também uma correspondência sucessiva de domingos. Por isso posso exclamar: Oh! Bendita sexta-feira! Onde a semente morre para germinar. Oh! Bendito domingo, que posso colher, sorrir, viver, viver, viver…
É domingo, o meu Jesus está vivo aqui para me fazer viver.
Feliz domingo de Páscoa! Jesus ressuscitou! Ele vive e por isso a nossa esperança faz brilhar o sol interior e toda escuridão desaparece ante o brilho da Sua majestade.
(Texto adaptado pela minha amiga Berenice Reis Araújo/Pindamonhangaba-SP, mas apropriado para este momento em que celebramos a Páscoa.)
Luzelucia Ribeiro da Silva, professora, filósofa e teóloga.