
A escolha do candidato a vice na eventual chapa presidencial do senador Flávio Bolsonaro tem provocado uma disputa interna na direita, evidenciando um racha entre alas políticas e estratégicas do campo conservador. As informações são da jornalista Andréia Sadi, da GloboNews.
Centrão x núcleo ideológico
Nos bastidores da pré-campanha, setores ligados ao Centrão defendem o nome da senadora Tereza Cristina (PP), enquanto aliados mais próximos — o chamado “núcleo duro” — preferem o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).
A divergência vai além de nomes e reflete duas estratégias distintas: de um lado, a busca por um perfil com trânsito político, apoio empresarial e aceitação no mercado; de outro, a defesa de um vice ideologicamente alinhado e leal ao projeto bolsonarista.
Critério: lealdade ou articulação
Integrantes mais ideológicos avaliam que o vice deve ter compromisso direto com o projeto político, evitando vínculos com grupos fortes do Congresso. A referência interna é a escolha de José Alencar como vice de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 — alguém capaz de “dar paz” à chapa.
Esse grupo também relembra experiências anteriores do bolsonarismo, como a relação conturbada com Hamilton Mourão e a escolha de Walter Braga Netto em 2022, vista como tentativa de garantir lealdade institucional.
Zema como alternativa
Nesse cenário, o nome de Romeu Zema surge como opção considerada “mais simples” pelo núcleo próximo a Flávio. Embora pré-candidato à Presidência, ele é visto como alguém sem forte estrutura partidária nacional, o que poderia facilitar o alinhamento político.
Além disso, pesa a relevância de Minas Gerais como segundo maior colégio eleitoral do país, fator estratégico em qualquer composição de chapa.
Resistência a Tereza Cristina
Já a senadora Tereza Cristina enfrenta resistência dentro da ala mais ideológica por sua ligação com o Centrão e por episódios recentes, como sua participação em agendas nos Estados Unidos que trataram de tarifas comerciais, movimento que gerou incômodo, especialmente entre aliados mais próximos da família Bolsonaro.
Apesar disso, Tereza Cristina mantém força entre empresários e setores do mercado financeiro, sendo vista como um nome moderado, previsível e com capacidade de articulação.
Vice como ativo eleitoral
No fundo, a disputa reflete uma equação pragmática: o que cada nome agrega à chapa. Tempo de televisão, fundo eleitoral, apoio político e alcance regional entram no cálculo.
Enquanto Romeu Zema representa alinhamento ideológico e potencial eleitoral em Minas, Tereza Cristina oferece capilaridade política, diálogo com o mercado e respaldo do Centrão.
A definição, ainda em aberto, deve indicar qual estratégia prevalecerá na construção da candidatura: fidelidade ao núcleo bolsonarista ou ampliação de alianças.
Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa/Fonte: blog Adréia Sadi, Globonews