Alerta para a falta de comida começa a preocupar consumidor 

ILustração: Edgar Lisboa com revursos de IA

Por Edgar Lisboa

Crise global de fertilizantes já impacta o agro brasileiro e acende sinal vermelho no campo. A falta de fertilizantes preocupa o agro e a bancada gaúcha. A escalada de tensões no Oriente Médio, com impacto direto sobre rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, começa a produzir efeitos concretos sobre a segurança alimentar global. O risco deixou de ser teórico: envolve queda na produção, encarecimento dos alimentos e pressão direta sobre o Brasil.

Escassez de fertilizantes

A situação pode comprometer até 10 bilhões de refeições por semana no mundo, segundo o presidente da Yara International, Svein Tore Holsether. A estimativa, ainda que extrema, expõe a dependência global de cadeias logísticas frágeis e altamente concentradas.

Pressão chega ao Brasil

No campo brasileiro, os efeitos já aparecem. O aumento no custo de insumos, ureia, potássio e amônia. somado ao diesel caro, cria um ambiente de incerteza que trava decisões. O produtor começa a pisar no freio.

Pressionado Produtor diminui plantio

A equação é simples e perigosa: custo sobe, margem cai, plantio diminui. O resultado tende a aparecer na mesa do consumidor. Parlamentares do Rio Grande do Sul acompanham o cenário com preocupação.

Heitor Schuch

O deputado Heitor Schuch (PSB-RS) defende reação estruturada: “Não podemos depender tanto de insumos externos. É urgente investir em produção nacional e dar previsibilidade ao agricultor.”

Alceu Moreira

JO deputado Alceu Moreira (MDB-RS) alerta para o risco de desorganização: “Quando o custo explode e o preço não acompanha, o produtor reduz o plantio. Isso pode gerar falta de alimentos e inflação.”

Máquinas agrícolas

As feiras do agronegócio registram queda superior a 50% na venda de máquinas agrícolas. A indústria reage com férias coletivas e, em alguns casos, demissões. É o termômetro de um setor que desacelera.

Analistas apontam que muitos produtores devem reduzir o plantio da próxima safra, especialmente de soja. O motivo não é apenas o preço dos fertilizantes, mas a insegurança logística. Parte relevante dos insumos vem do leste europeu e o produto comprado hoje só deve chegar ao Brasil em agosto, no limite do calendário agrícola.

Medidas e gargalos

No Congresso, cresce a cobrança por medidas emergenciais: crédito mais acessível, redução de custos logísticos e políticas que amortizem os efeitos da crise internacional.

O problema, porém, vai além do curto prazo. A dependência externa de fertilizantes expõe uma fragilidade estrutural do agro brasileiro — justamente em um momento em que o país é chamado a garantir segurança alimentar global.

Disputa por alimentos

No cenário internacional, o risco é de uma corrida por estoques. Países mais ricos tendem a se antecipar, pressionando ainda mais preços e disponibilidade.

O Programa Mundial de Alimentos estima que os efeitos combinados das tensões geopolíticas podem empurrar mais 45 milhões de pessoas para a fome aguda até o final de 2026.

Entre exportar e alimentar

Para o Brasil, o desafio é duplo: manter competitividade no mercado externo e garantir abastecimento interno. A crise dos fertilizantes deixou claro que comida virou ativo estratégico.

Não é mais um problema distante. É uma variável central da geopolítica e já começa a bater à porta do consumidor brasileiro.

A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.

Edgar Lisboa