
A entrada em vigor das restrições impostas pela União Europeia à carne brasileira, nesta quinta-feira (3), acende um sinal de alerta de grandes proporções para a cadeia agropecuária do Rio Grande do Sul. Por se tratar de um mercado exigente e de alto valor que funciona como referência sanitária global, a perda de espaço ameaça a imagem da proteína nacional e abre caminho para a consolidação de concorrentes.
O gargalo mais crítico envolve a pecuária bovina, cujo ciclo de produção leva cerca de dois anos e passa por diferentes propriedades rurais, tornando a rastreabilidade animal uma condição central e inegociável de competitividade internacional. Em contrapartida, a ampliação temporária por 90 dias da cota de importação nos Estados Unidos abre uma janela para os frigoríficos brasileiros, mas o setor avalia que negócios temporários não substituem clientes permanentes. Para o estado gaúcho, onde a produção de proteína animal impulsiona empregos, renda e o parque industrial, a conjuntura reforça a urgência de preservar mercados tradicionais e diversificar novos compradores globais.
Prevenção contra barreiras internacionais
Atento aos desdobramentos dos embargos externos, o deputado federal Heitor Schuch (PSD-RS), agricultor e integrante da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, defende a urgência de uma postura proativa e preventiva por parte do governo federal frente a contenciosos comerciais. O parlamentar gaúcho acumula a experiência de ter integrado, em 2018, a comissão externa da Casa criada para acompanhar os efeitos do embargo europeu à carne de frango brasileira. Para Schuch, o histórico das crises no setor demonstra que o Brasil não pode limitar suas ações a respostas reativas, adotadas somente após o fechamento dos mercados, devendo fortalecer de maneira contínua o ecossistema de controle sanitário e a diplomacia comercial.
Política pública de cuidados e igualdade no trabalho
O deputado federal Bohn Gass (PT-RS) defendeu a incorporação da Convenção 156 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) ao ordenamento jurídico do País. Encaminhada pelo governo federal ao Congresso Nacional, a proposta estabelece diretrizes para proteger trabalhadores com responsabilidades familiares, impedindo que os encargos domésticos resultem em discriminação no mercado e assegurando igualdade de remuneração para funções equivalentes. O parlamentar deu destaque à sobrecarga histórica enfrentada pelas mulheres, citando a rotina de mães que mantêm vínculo empregatício e dedicam-se ao acompanhamento de filhos com deficiência ou autismo: “Essas mães já têm uma dupla jornada e precisam ter uma política pública de cuidados. Trabalham e cuidam da família, de um familiar ou de uma criança. É fundamental ter essa política”. Para o deputado gaúcho, a medida é essencial para conferir reconhecimento econômico e amparo legal ao trabalho de cuidado.
Unificação de PECs sobre jornada de trabalho
O senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) protocolou no Plenário do Senado um requerimento solicitando a tramitação conjunta de duas PECs. Ambas as propostas de emenda à Constituição tratam de alterações nas regras da organização do trabalho, escalas e períodos de descanso dos empregados. O parlamentar gaúcho argumenta que a análise unificada viabiliza a avaliação integrada das alternativas e de seus reflexos econômicos e sociais. Segundo Heinze, a convergência dos debates “evita a apreciação separada de matérias que versam sobre o mesmo tema e contribui para uma deliberação mais consistente pelo Senado Federal”.
Edgar Lisboa/Portal Repórter Brasília/Jornal do Comércio