Acordos de coprodução cinematográfica, mais fôlego para o cinema brasileiro

Denise Pessoa (crédito: Vinicius Loures, Câmara dos Deputados)

A aprovação dos acordos de coprodução cinematográfica entre Brasil, França e China pela Câmara dos Deputados passa longe de ser um gesto protocolar. Trata-se, na prática, de uma decisão estratégica que reposiciona o cinema brasileiro no mapa global da indústria audiovisual e, nesse movimento, ganha destaque a atuação técnica e política da deputada Denise Pessôa (PT-RS), relatora do acordo com a China.

Relatoria que organiza e impulsiona

Ao conduzir o relatório, Denise Pessôa não apenas cumpriu um rito legislativo. Deu forma a uma proposta que dialoga com uma necessidade concreta do setor: ampliar financiamento, circulação e competitividade das produções nacionais. Em um mercado dominado por grandes players internacionais, a coprodução deixa de ser opção e passa a ser ferramenta de sobrevivência e crescimento.

Porta de entrada

O reconhecimento das obras como “nacionais” nos países parceiros talvez seja o ponto mais relevante

dos acordos. Na prática, isso abre acesso a editais, incentivos fiscais e mecanismos de fomento que antes eram restritos. É a porta de entrada para que o cinema brasileiro alcance novos públicos e, sobretudo, novas fontes de investimento.

Economia criativa como ativo estratégico

ILustração, Edgar Lisboa com recursos de IA

Outro avanço importante está na engenharia financeira prevista. Com investimentos que podem variar entre 20% e 80% do custo total, os acordos permitem flexibilidade e atração de capital estrangeiro sem descaracterizar a identidade das produções. A divisão proporcional de lucros e a participação técnica equilibrada reforçam um modelo mais profissional e integrado. Não se trata apenas de cultura, é economia criativa em escala. Cada produção envolve empregos, tecnologia, serviços e exportação de conteúdo. Em um país que busca diversificar sua matriz econômica, ignorar esse potencial seria um erro.

Debate legítimo, mas avanço necessário

As críticas levantadas em plenário, especialmente sobre o uso de recursos públicos, são legítimas dentro do debate democrático. No entanto, reduzem uma política estruturante a uma visão restrita. O risco de mau uso não invalida o instrumento, exige, sim, fiscalização e transparência.

Aval da ANCINE

Por outro lado, o apoio da base governista e o aval da Agência Nacional do Cinema (Ancine) indicam que há respaldo institucional para a iniciativa. E mais: há entendimento de que o Brasil precisa estar inserido nas cadeias globais de produção audiovisual.

Um passo além do simbólico

A aprovação simbólica não diminui o alcance da medida. Ao contrário, revela consenso mínimo sobre a importância do tema. Agora, com a proposta seguindo para o Senado, o desafio será manter o mesmo nível de compreensão estratégica.

Visão de futuro

O protagonismo de Denise Pessôa nesse processo reforça um ponto central: boas relatorias fazem diferença. Quando o Parlamento atua com visão de futuro, o resultado aparece, neste caso, na forma de oportunidades concretas para o cinema nacional.

Contar suas histórias

Mais do que acordos internacionais, o que está em jogo é a capacidade do Brasil de contar suas próprias histórias para o mundo, com escala, qualidade e competitividade. E, dessa vez, o Congresso parece ter entendido o roteiro.

A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.

Edgar Lisboa