Reunião PL, ingresso de Sérgio Moro (Foto:Edgar Lisboa)
Em uma semana esvaziada de votações presenciais no Congresso, o PL ocupou o espaço político com um gesto estratégico: a filiação do senador Sérgio Moro e da deputada Rosângela Moro, consolidando o ex-juiz como pré-candidato ao governo do Paraná. O ato, realizado em Brasília, reuniu lideranças nacionais e sinalizou mais do que uma simples filiação: foi um movimento de reposicionamento para 2026.
A disputa já começou
O ambiente era de campanha antecipada. Discursos, palavras de ordem e a presença de parlamentares e oradores deram o tom de que a disputa já começou, e com narrativa bem definida.
Discurso de confronto e projeto nacional
O senador Flávio Bolsonaro assumiu o protagonismo ao reforçar o discurso de oposição ao governo federal, e ao enquadrar a eleição como um embate direto de projetos. Em tom combativo, voltou a criticar a política econômica e de segurança pública da atual gestão e, defendeu um Estado mais enxuto, com redução de impostos e fortalecimento das forças policiais.
Peso simbólico da disputa
Ao apresentar Moro como peça-chave da estratégia, Flávio deixou claro o objetivo do partido: transformar o Paraná em vitrine de um projeto nacional. Para ele, a eleição “será decisiva para os próximos 40 ou 50 anos”, numa tentativa de ampliar o peso simbólico da disputa.
Moro: segurança, justiça e palanque
Já Sérgio Moro adotou uma linha igualmente dura, especialmente na área de segurança pública. Criticou o que chamou de postura leniente do governo com o crime e defendeu mudança de rumo no país. Ao mesmo tempo, sinalizou alinhamento total com o bolsonarismo, ao mencionar a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro, classificando-a como “questão de justiça”.
Referência administrativa
Sérgio Moro também destacou a necessidade de reorganizar o Senado, e prometeu transformar o Paraná em referência administrativa, dando continuidade ao que considera acertos da gestão atual e avançando em eficiência.
Osmar Terra e o simbolismo da união

Para o deputado Osmar Terra, o ato teve um peso que vai além da política local. Em conversa com a coluna Repórter Brasília, ele classificou o movimento como “simbólico”, comparando-o ao sentimento de indignação que impulsionou a eleição de Jair Bolsonaro em 2018.
Convergência de forças
Segundo Terra, “a união entre Moro e o grupo bolsonarista representa a convergência de forças que exploram o discurso anticorrupção e de reação institucional”.
Ele também ampliou o cenário ao citar o Rio Grande do Sul, apostando na força da candidatura de Luciano Zucco ao governo estadual e criticando a atual gestão gaúcha.
Ensaio de campanha
O evento do PL revela um movimento claro: antecipar palanques, fortalecer nomes regionais e construir uma narrativa nacional unificada.
Moro, com capital simbólico da Lava Jato, passa a ser peça estratégica não apenas no Paraná, mas como elo entre diferentes correntes da direita.
Mais do que filiação, o ato foi um ensaio de campanha. E, ao que tudo indica, 2026 já começou.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa