Bloco ganha importância na nova configuração econômica mundial, enquanto participação brasileira procura transformar articulação política em comércio, investimentos e novos mercados. Empresária Mônica Monteiro mantém atuação permanente na aproximação entre mulheres de negócios dos países-membros.
A reunião de líderes e delegações do BRICS em Nova Délhi recoloca o bloco no centro das transformações econômicas e diplomáticas em curso no mundo. Mais do que uma articulação política de grandes países emergentes, o BRICS procura consolidar-se como espaço capaz de gerar comércio, investimentos, inovação, cooperação tecnológica e novas oportunidades empresariais.
Para o Brasil, participar ativamente desse processo é uma necessidade estratégica. Em um cenário internacional marcado por disputas comerciais, protecionismo e rearranjos das cadeias produtivas, diversificar parceiros significa reduzir dependências e abrir portas para produtos, serviços e empresas brasileiras.
A Índia ocupa posição especial nessa estratégia. A aproximação entre os dois países oferece possibilidades em áreas como indústria, tecnologia, energia, alimentos, infraestrutura, turismo e economia digital. A missão empresarial coordenada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em Nova Délhi reforça justamente essa dimensão prática do BRICS: aproximar empresas, identificar oportunidades e transformar relações diplomáticas em negócios.
A presença de Mônica Monteiro

Nesse movimento, uma presença brasileira tornou-se constante nos encontros empresariais ligados ao BRICS. Mônica Monteiro, presidente do Capítulo Brasileiro da BRICS Women’s Business Alliance (WBA) e presidente global da entidade em 2025, vem atuando na construção de pontes entre empresárias, investidores, governos e instituições dos países integrantes do bloco.
Sua atuação ajuda a mostrar uma dimensão importante do BRICS que muitas vezes fica em segundo plano diante das reuniões entre presidentes e primeiros-ministros. Paralelamente à diplomacia dos governos existe uma rede empresarial procurando oportunidades concretas, construindo contatos e preparando projetos capazes de circular entre mercados que reúnem algumas das maiores economias emergentes do planeta.
A BRICS WBA nasceu justamente com essa missão: fortalecer a participação feminina nas relações econômicas, estimular empresas lideradas por mulheres e ampliar sua presença no comércio e nos investimentos internacionais. Durante a presidência brasileira do BRICS em 2025, Mônica comandou globalmente a organização e defendeu a passagem do discurso para resultados concretos, com maior acesso a financiamento, internacionalização, inovação e formação de redes empresariais.
Para ela, não existe desenvolvimento econômico completo sem participação feminina efetiva. A proposta é colocar as mulheres não apenas como empreendedoras, mas no centro das decisões econômicas, dos investimentos e da abertura de novos mercados.
Diplomacia precisa gerar negócios
Esse talvez seja um dos principais desafios do BRICS em sua nova fase. O crescimento político do grupo precisa ser acompanhado por resultados econômicos perceptíveis. Reuniões de cúpula ganham importância quando conseguem produzir contratos, investimentos, cooperação tecnológica, financiamento e aumento das relações comerciais.
É justamente nesse espaço que a atuação empresarial brasileira deve crescer. O país possui vantagens importantes em alimentos, energia, indústria, sustentabilidade, mineração, aviação, tecnologia, economia criativa e turismo. Há espaço para ampliar a presença brasileira nos demais mercados do BRICS, mas isso exige continuidade, estratégia e presença permanente.
A atuação de Mônica Monteiro nas sucessivas agendas empresariais traduz essa necessidade de continuidade. Prospectar negócios internacionais não é resultado de uma única missão. É trabalho de relacionamento, confiança e presença institucional construído ao longo do tempo.
Brasil e Índia
A aproximação com a Índia é um bom exemplo. A missão coordenada pela CNI busca aprofundar relações bilaterais e abrir oportunidades para negócios, investimentos e cooperação. O turismo também entra nessa agenda, tanto pela possibilidade de ampliar o fluxo de visitantes como pelo enorme mercado de viagens corporativas, feiras, congressos e eventos internacionais.
O Brasil tem condições de utilizar o BRICS não apenas como instrumento diplomático, mas como plataforma de internacionalização de suas empresas. Essa deve ser uma das prioridades brasileiras.
O BRICS será tanto mais importante para o Brasil quanto maior for sua capacidade de transformar encontros políticos em oportunidades econômicas. E a presença brasileira precisa acontecer em todas as frentes: governos, indústria, comércio, turismo, tecnologia e empreendedorismo feminino.
A fotografia dos líderes reunidos em Nova Délhi tem força política. Mas o verdadeiro resultado do encontro será medido depois, pelo número de pontes construídas, investimentos atraídos e negócios realizados. É nessa segunda fotografia menos protocolar e muito mais econômica que o Brasil precisa aparecer cada vez mais.
Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa com informações de Vanessa Lisboa