Afonso Hamm (Crédito: Kayo Magalhães)
O drama do produtor rural deixou de ser apenas uma crise econômica e virou uma disputa política explícita em Brasília. Com parcelas vencendo, custeios apertando, e o novo Plano Safra batendo à porta, milhares de agricultores vivem dias de desespero enquanto o Congresso tenta construir uma saída legislativa para impedir um colapso ainda maior no campo.
O impasse é político
A pressão aumenta nesta semana na Capital Federal. Parlamentares ligados ao agro admitem que a batalha agora não é mais técnica. Os estudos foram apresentados, os números colocados sobre a mesa, e os impactos demonstrados por entidades como Farsul, Fetag, Aprosoja e CNA. O impasse agora é político.
Governo “é o único contra”
O deputado federal Afonso Hamm (PP-RS) resumiu sem rodeios: “O governo é o único contra”. A frase traduz o sentimento crescente dentro do setor produtivo, especialmente no Rio Grande do Sul.
Produtor quer prazo para pagar
O discurso vindo do campo tem insistido num ponto importante: não se trata de calote ou anistia. O que os produtores pedem é tempo para sobreviver e continuar produzindo. A proposta defendida pela bancada gaúcha prevê prazos longos, juros menores, e carência para reorganizar dívidas que se tornaram impagáveis após sucessivas tragédias climáticas.
Nova fonte de recursos
Afonso Hamm insiste que o projeto cria uma nova fonte de recursos e evita transformar o agricultor em refém definitivo dos bancos. Pela proposta articulada no Congresso, os financiamentos poderiam ser quitados em até 13 anos, com três anos de carência e juros inferiores aos apresentados pelo governo federal.
Empurrar produtores para os bancos
A crítica mais dura da bancada do agro é justamente contra o modelo defendido pela equipe econômica. Parlamentares acusam o governo de empurrar os produtores para renegociações bancárias, com juros considerados incompatíveis com a realidade do campo.
Gravidade da crise
O Rio Grande do Sul ainda tenta se recuperar das enchentes históricas, enquanto produtores acumulam financiamentos, custeios e renegociações anteriores. Estimativas citadas nas discussões apontam entre R$ 170 bilhões e R$ 180 bilhões em dívidas “estressadas” no país. Uma ameaça a toda a cadeia econômica ligada ao agro.
Governo resiste às propostas
O governo segue resistindo às propostas construídas pelo Congresso. A irritação do setor aumentou após tentativas de mudanças no relatório defendido pela bancada do agronegócio. Lideranças do agro reagiram imediatamente, acusando o Planalto de desmontar pontos considerados essenciais para garantir a recuperação do setor.
Calendário não espera
O mais preocupante é que o calendário não espera que Brasília resolva suas disputas políticas. No dia 30 de maio começaram a vencer novas parcelas de custeio e financiamento, e muitos produtores não têm condições mínimas de pagamento.
Condições para continuar de pé
O Brasil costuma lembrar da força do campo quando os números das exportações aparecem, ou quando o superávit comercial salva as contas nacionais. Mas, neste momento, o produtor rural não pede aplausos. Pede apenas condições reais para continuar de pé.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa