Capital do futuro e símbolo de unidade

Por Edgar Lisboa
A Câmara dos Deputados celebrou os 66 anos de Brasília em sessão solene marcada por homenagens à história da capital, ao legado de Juscelino Kubitschek e ao papel dos candangos na construção da cidade. A sessão, proposta pelos deputados Bia Kicis e Júlio César Ribeiro, também homenageou a presidente do Memorial JK, Anna Christina Kubitschek, neta do ex-presidente.
Ao longo da solenidade, parlamentares de diferentes correntes políticas convergiram na defesa de Brasília como símbolo de coragem, integração nacional e esperança. Cada discurso, porém, também refletiu diferentes visões sobre os desafios atuais da capital.
Izalci Lucas: Brasília nasceu de um sonho coletivo

O senador Izalci Lucas destacou que Brasília não surgiu por acaso, mas foi fruto de uma decisão política e de um projeto nacional. Segundo ele, a capital foi sonhada antes de existir e construída por trabalhadores vindos de todas as regiões do país.
Izalci ressaltou que Brasília se tornou o “coração do Brasil” por reunir brasileiros de todas as origens. Lembrou o papel dos candangos, de Juscelino Kubitschek, de Lúcio Costa e de Oscar Niemeyer, e afirmou que a cidade continua sendo a prova de que o país é capaz de planejar, construir e acreditar em si mesmo.
Bia Kicis: homenagem aos pioneiros e defesa da justiça

Presidente da sessão, Bia Kicis afirmou que a homenagem a Anna Christina Kubitschek representa também uma homenagem aos pioneiros e a todos que ajudaram a construir Brasília.
A deputada recordou sua própria trajetória na capital, onde estudou, construiu carreira e formou a família. Para ela, Brasília é mais do que seus prédios e monumentos: é uma cidade feita de histórias, raízes e sonhos.
Bia também exaltou o céu de Brasília, chamado por ela de “o mar dos brasilienses”, e disse que a cidade continua inspirando coragem e esperança. Em seguida, associou a homenagem a uma defesa da justiça, criticando perseguições políticas e afirmando que Brasília não pode conviver com injustiças.
Alberto Fraga: Brasília é obra dos candangos

O deputado Alberto Fraga afirmou que o aniversário da capital representa a celebração de um sonho transformado em realidade no coração do país.
Ele atribuiu a criação de Brasília à coragem de Juscelino Kubitschek, ao talento de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer e, principalmente, ao trabalho dos candangos. Segundo Fraga, são esses trabalhadores anônimos os verdadeiros heróis da cidade.
Fraga também destacou que Brasília é feita por quem a constrói todos os dias: trabalhadores, estudantes e famílias. Ao final, fez um apelo para que a população reflita, especialmente em ano eleitoral, sobre quem deve representar a capital.
Erika Kokay: homenagem à cidade e crítica aos problemas atuais

A deputada Erika Kokay afirmou que Brasília nasceu de um projeto nacional, e não de interesses privados. Para ela, a cidade é fruto do esforço de brasileiros vindos de todas as partes do país.
Erika lembrou Juscelino Kubitschek como um defensor da democracia e disse que a capital continua sendo símbolo de um projeto nacional. Também ressaltou a importância dos candangos e do crescimento de Brasília para além do Plano Piloto.
A parlamentar, porém, aproveitou a sessão para cobrar soluções para problemas da cidade. Criticou a situação da saúde pública, especialmente o atendimento em saúde mental e as filas por consultas e cirurgias.
Ela também atacou a crise no Banco de Brasília, afirmando que o BRB pertence ao povo do Distrito Federal e que as denúncias de corrupção representam um atentado contra a população. Ao final, voltou a homenagear os candangos e concluiu: “Viva Brasília”.
Thiago Manzoni: capital da esperança e defesa da liberdade

O deputado distrital Thiago Manzoni afirmou que Brasília merece ser celebrada permanentemente por representar esperança, prosperidade e encontro de diferentes culturas.
Segundo ele, a cidade continua sendo a capital de todos os brasileiros e um lugar onde famílias, trabalhadores e empreendedores podem construir o futuro.
Manzoni também usou o discurso para fazer críticas ao momento político do país, apontando perseguições, injustiças e a necessidade de respeito ao equilíbrio entre os Poderes. Para o parlamentar, Brasília deve continuar sendo “a capital da esperança, da justiça e da liberdade”.
Anna Christina Kubitschek: preservar Brasília é cuidar do Brasil

Homenageada da sessão, Anna Christina Kubitschek afirmou que receber a homenagem representa uma responsabilidade que vai além da família Kubitschek.
Segundo ela, Brasília é a expressão concreta de uma ideia de futuro baseada em coragem, planejamento e confiança no Brasil. A presidente do Memorial JK destacou que a cidade permanece como um projeto vivo, que precisa ser preservado e aperfeiçoado.
Anna Christina afirmou que sua missão à frente do Memorial JK é manter viva a memória de Juscelino Kubitschek e transmitir esse legado às novas gerações. Lembrou que o espaço recebe diariamente estudantes de escolas públicas e trabalha para fortalecer valores como espírito público, patriotismo e responsabilidade.
Para ela, cuidar de Brasília é também cuidar do Brasil, preservar suas instituições e impedir que o sonho dos pioneiros seja desrespeitado.
Legado e desafios
Apesar das diferenças políticas entre os participantes, os discursos convergiram em alguns pontos: a valorização dos candangos, a importância de Juscelino Kubitschek, a arquitetura de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa e a ideia de Brasília como símbolo de unidade nacional.
Também houve consenso de que a capital continua enfrentando desafios. Saúde, segurança, qualidade dos serviços públicos, respeito às instituições e preservação da memória histórica apareceram como temas centrais.

Sessenta e seis anos depois de sua inauguração, Brasília segue sendo, ao mesmo tempo, símbolo do sonho brasileiro e palco dos debates sobre o futuro do país.
Assista a íntegra da sessão solene
Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa