Rafael Bueno> “Soja, feijão e hortaliças transformam o Distrito Federal em vitrine do agronegócio brasileiro”.(Foto: Agência Brasília)
O Distrito Federal consolidou-se como uma das principais referências do país em produção agropecuária, combinando alta produtividade, tecnologia e forte presença da agricultura familiar. A avaliação é do secretário de Agricultura do DF, Rafael Bueno, em entrevista ao Portal Repórter Brasília.
Soja lidera a produção e abre mercados internacionais
O principal motor do agronegócio no Distrito Federal continua sendo a soja. Na safra 2025/2026, o DF ultrapassou a marca de 86 mil hectares plantados, tornando o grão o principal produto da agricultura local.
De acordo com Rafael Bueno, a soja produzida no DF não é destinada apenas ao esmagamento e ao mercado interno. Parte importante da produção é exportada, inclusive para o exterior.
“O nosso carro-chefe é a soja. Neste ano-safra 2025/2026, são mais de 86 mil hectares de soja plantada no Distrito Federal. Ela é destinada não apenas ao esmagamento, mas também à exportação. O Distrito Federal tem feito exportação de soja para o Paquistão”, destacou.
Além da venda do grão, o DF também ganhou espaço na produção de sementes, atividade que agrega valor e aumenta a rentabilidade do produtor rural.
Feijão do DF abastece Norte e Nordeste
Outro produto que reforça a importância agrícola do Distrito Federal é o feijão. Segundo o secretário, a produção local já é responsável pelo abastecimento de grande parte das regiões Norte e Nordeste. “O feijão do Distrito Federal é responsável pelo abastecimento de grande parte do Nordeste e do Norte do país”, afirmou Rafael Bueno.
A força da produção de feijão demonstra como o DF deixou de ser apenas um centro consumidor e passou a exercer papel estratégico no abastecimento nacional.
Hortaliças e agricultura familiar sustentam a produção
Alface e tomate puxam o setor
Além das grandes culturas, o Distrito Federal também se destaca na produção de hortaliças, especialmente tomate e alface. Para o secretário, esse segmento é um dos maiores exemplos da força da agricultura familiar no DF.
“Não podemos esquecer das hortaliças. Como destaque, temos o tomate e a alface, que compõem a salada. São mais de 1.200 hectares de alface plantados no Distrito Federal, sendo essa produção capitaneada pela agricultura familiar”, disse.
A agricultura familiar, segundo ele, é hoje uma das principais responsáveis por manter a produção diversificada, abastecer o mercado local e gerar renda no campo.
Governo amplia compras e injeta recursos no campo
O apoio do Governo do Distrito Federal à agricultura familiar também tem crescido. Em 2025, mais de R$ 80 milhões foram destinados à compra de produtos da agricultura familiar.
Os alimentos abastecem programas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), o PAPAS, a Cesta Verde e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
“Todos os programas de apoio à agricultura familiar têm ajudado nesse desenvolvimento”, afirmou Rafael Bueno.
Segundo ele, as compras públicas garantem renda ao produtor e ajudam a manter milhares de famílias no campo, ao mesmo tempo em que fortalecem a segurança alimentar.
Novas estruturas vão aproximar produtor e consumidor
Empórios e galpões fortalecem a comercialização
Para ampliar a competitividade do setor, o GDF vem investindo na estrutura de comercialização da produção rural. O objetivo é aproximar o produtor do consumidor e reduzir custos.
De acordo com o secretário, no ano passado foi inaugurado o Empório do Colorado. Em 2026, estão em construção ou em fase de licitação novas estruturas em diferentes regiões administrativas.
Entre os projetos estão:
- Empório do Jardim Botânico;
- Galpão do Produtor do Paranoá;
- Galpão do Produtor de Planaltina;
- Empórios de Brazlândia e do Gama.
“É um arcabouço de estrutura para dar suporte a esse produtor que tanto defende o Distrito Federal nas nossas áreas rurais”, ressaltou Rafael Bueno.
Desafio é garantir competitividade e preservar o campo

Pressão urbana ameaça áreas rurais
Apesar dos avanços, o secretário afirma que o maior desafio da Secretaria de Agricultura é garantir competitividade ao produtor rural diante do avanço urbano sobre as áreas agrícolas.
Segundo Rafael Bueno, o crescimento das cidades e a valorização imobiliária pressionam as propriedades rurais e podem comprometer a permanência das famílias no campo.
“Hoje, o maior desafio é gerar competitividade para esse produtor. Sabemos que a pressão da parte urbana sobre as áreas rurais é uma realidade”, afirmou.
Para enfrentar o problema, o governo trabalha em políticas que garantam sustentabilidade econômica, social e ambiental.
“É um trabalho incansável do Governo do Distrito Federal gerar sustentabilidade ao produtor rural, para que ele mantenha a atividade, fixe a família no campo e consiga gerar renda”, disse.
Preservação ambiental depende do produtor rural
Na avaliação do secretário, fortalecer o campo também é uma estratégia de preservação ambiental. Ele afirma que o produtor rural exerce papel decisivo na conservação de nascentes, matas e áreas de proteção.
“Isso é superimportante, principalmente quando falamos de meio ambiente, porque é o produtor rural que ajuda a fazer a preservação ambiental”, concluiu Rafael Bueno.
Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa