Presidente da Câmara defende apuração ‘justa e imparcial’, rejeita ligação com votação da lei antifacção e minimiza desgaste com proximidade de lideranças do Centrão com Daniel Vorcaro (Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados).
Em meio ao avanço da lei antifacção e à crise gerada pela liquidação do Banco Master, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, adotou um tom defensivo ao comentar a operação que levou à prisão do controlador da instituição, Daniel Vorcaro. Em entrevista ao Jornal da CBN desta quarta-feira (19), ele insistiu que a investigação não tem relação com a votação de ontem na Câmara, defendeu uma apuração “justa e imparcial” e afirmou “não ver preocupação” com a proximidade de lideranças do Centrão com o banqueiro
Questionado sobre a operação que resultou na liquidação do Banco Master e nas investigações em torno da tentativa de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB), além da compra de títulos por estados com recursos de fundos de previdência (como o caso do Rio de Janeiro), Hugo Mota afirmou que a Câmara não tem preocupação quanto às apurações em curso.
Segundo ele, o papel do Parlamento, neste momento, é garantir que os órgãos de controle trabalhem sem interferência política.
‘Nós defendemos que a apuração seja feita da maneira mais correta possível, sem pré-julgamento, sem dizer que A ou B está sendo culpado’, disse o presidente da Câmara.
‘Queremos aprovar a PEC da Segurança Pública antes do recesso parlamentar’, diz Hugo Motta
Mota também rejeitou qualquer tentativa de relacionar a operação ao ambiente de votação da lei antifacção, aprovada pela Câmara na noite de terça-fera, após a operação. ‘Querer associar a votação de ontem a uma operação que aconteceu não é justo’, afirmou.
‘ A Câmara não tem preocupação com essa apuração. Aquilo que a justiça e a Polícia Federal entenderem ser justo, que seja feito, e que quem cometeu algum delito seja punido dentro das leis do nosso país.’
Proximidade com Daniel Vorcaro não preocupa, diz presidente da Câmara
Na sequência, Hugo Motta foi questionado se a proximidade de lideranças do Centrão com Daniel Vorcaro poderia gerar desgaste político ou interferir no clima eleitoral dentro da Câmara. O presidente da Casa minimizou o impacto dessas relações e classificou as insinuações como tentativas de desviar o foco do debate. ‘Não vejo preocupação nesse sentido’, respondeu.
‘Quando há esse tipo de ilação, é justamente no sentido de querer trazer uma discussão que não cabe para esse momento.’
Banco Master foi liquidado pelo Banco Central — Foto: Divulgação/Banco Master
Motta voltou a insistir que o centro da atuação da Câmara é a agenda legislativa, em especial a segurança pública, e que as operações policiais devem seguir seu curso sem contaminação do trabalho parlamentar. ‘O que nós aprovamos ontem foi um projeto de interesse da sociedade na área da segurança pública’, afirmou.
Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa/CBN