
O governador de Goiás, ex-senador Ronaldo Caiado (União) alerta, sem rodeios, que se a PEC da Blindagem for aprovada, representa o divórcio do Congresso Nacional com o povo brasileiro e terá consequências nefastas para a política nacional. “ Ela é um convite para o crime organizado entra no Congresso pela porta da frente, disputando o voto nas urnas, para proteger os chefes das facções do alcance da justiça. Espero que o Senado corrija o erro da Câmara e rejeite a proposta”, afirmou Ronaldo Caiado no Instagram.
PEC da Blindagem enfrenta barreira no Senado

Senadores prometem barrar retrocesso aprovado pela Câmara
Depois da aprovação da PEC da Blindagem na Câmara, o cenário no Senado é de resistência quase unânime. Parlamentares de diferentes partidos, do PL ao PT, afirmam que não há espaço político nem jurídico para avançar com um texto visto como um retrocesso.
Reação imediata
Enquanto a Câmara ainda concluía a votação, senadores de Republicanos, MDB, PSD, PSB e PT já sinalizavam rejeição. O voto secreto para autorizar prisões e a exigência de aval do Congresso para abertura de ações penais foram classificados como medidas “indefensáveis” diante da opinião pública.
MDB e PSD contra
O líder do MDB, Eduardo Braga (AM), declarou que a bancada votará contra a PEC. Ele classificou a proposta como “impunidade absoluta” e garantiu que a legenda apontará sua inconstitucionalidade na CCJ. O presidente da comissão, Otto Alencar (PSD-BA), foi ainda mais direto: “Esse texto não passa de jeito nenhum”. Como responsável pela pauta, sua posição praticamente condena a PEC ao engavetamento.
Sem clima político
Até mesmo senadores do PL, que em outros momentos defenderam ampliar prerrogativas parlamentares, recuaram. A avaliação é de que o desgaste com o eleitorado seria insustentável. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), também não pretende acelerar o trâmite. O texto seguirá para a CCJ, mas a expectativa é que permaneça parado por longo tempo.
Senado como freio de arrumação
Mais uma vez, o Senado assume o papel de freio a iniciativas aprovadas pela Câmara que soam como afronta à transparência e ao equilíbrio institucional. A avaliação predominante é que a Casa Alta não dará guarida a uma proposta que limita a atuação do Judiciário e ressuscita práticas que a sociedade já rejeitou.
Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa