Kassab vê espaço para alternativa fora da polarização (Crédito: Pedro França/ Agência Senado)
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, avalia que a disputa presidencial de 2026 ainda está em aberto, e que o espaço para uma candidatura alternativa ao embate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, tende a se consolidar à medida que a pré-campanha avança. Para o dirigente, as pesquisas mais recentes indicam um retrato momentâneo do eleitorado, e não o resultado final do processo eleitoral.
Rejeição aos polos pode abrir caminho
Kassab sustenta que o alto índice de rejeição aos principais polos da disputa pode favorecer a construção de uma terceira via competitiva. Segundo ele, a sociedade demonstra interesse por uma alternativa que reúna gestão eficiente, compromisso com transparência e agenda de combate à corrupção.
Governadores no radar do PSD
“No cenário nacional, o PSD trabalha com a possibilidade de lançar um nome próprio ao Palácio do Planalto, e aposta no protagonismo de governadores bem avaliados em seus estados”, afirmou Gilberto Kassab, ao Jornal da CBN.
Entre os quadros citados por Kassab estão o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, com dois mandatos e índices elevados de aprovação regional; o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, apontado como liderança jovem com projeção nacional; e o governador do Paraná, Ratinho Júnior, que também aparece bem posicionado em pesquisas internas e externas.
Disputa por espaço na “rampa do Planalto”
O movimento desses governadores reflete uma disputa crescente por espaço na chamada “rampa do Palácio do Planalto”, num ambiente político ainda fragmentado. A estratégia do PSD e de aliados é manter a unidade entre os nomes até a definição de um candidato único, prevista para os próximos meses.
Base administrativa e programa de governo
Kassab argumenta que, diferentemente de eleições anteriores, há hoje governadores com densidade eleitoral, base partidária e aprovação administrativa suficientes para sustentar uma candidatura competitiva fora da polarização tradicional. Ele ressalta que o projeto busca apresentar um programa de governo com foco em responsabilidade fiscal, modernização do Estado, fortalecimento das agências reguladoras, e maior transparência nos gastos públicos.
Estados como vitrines políticas
No plano regional, a movimentação dos governadores reforça a importância dos estados como vitrines administrativas e trampolins eleitorais. Em Goiás, Caiado utiliza os resultados de segurança pública e equilíbrio fiscal como credenciais. No Sul, Eduardo Leite e Ratinho Júnior apostam em indicadores de gestão e desenvolvimento regional para ampliar sua projeção nacional. A disputa interna entre esses nomes deverá definir quem terá as melhores condições de representar o campo político de centro na corrida presidencial.
Cenário ainda em formação
Para Kassab, “o cenário permanece fluido e dependerá da evolução das alianças, do desempenho dos governos estaduais e da consolidação das pré-candidaturas ao longo de 2026”.
A leitura do dirigente é que o eleitorado ainda pode migrar para uma alternativa que prometa estabilidade, eficiência administrativa e renovação política, elementos que, segundo ele, podem abrir espaço para um novo projeto de poder no país.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa