
O termo solidão reflete o estado de quem se encontra ou se sente desacompanhado, só. Porém, solidão não é o mesmo que estar só, pois, muitas pessoas passam por momentos em que se encontram sozinhas, seja por força das circunstâncias ou por escolha própria. No entanto, estar sozinho pode ser uma experiência positiva, prazerosa e trazer alívio emocional, desde que esteja sob controle do indivíduo. A solidão não requer a falta de outras pessoas e pode ser sentida mesmo em lugares densamente ocupados, e pode ser descrita como a falta de identificação, compreensão ou compaixão. Para sentir solidão o indivíduo passa por situações que podem ser caracterizadas pelo abandono, rejeição, depressão, insegurança, ansiedade, falta de esperança, inutilidade, insignificância e ressentimento. Esses sentimentos se prolongando na vida da pessoa podem se tornar nocivos e bloquear a capacidade do indivíduo ter um estilo de vida saudável.
Talvez a palavra solidão seja a que mais suscita medo e inquietação nas pessoas. Ninguém gosta de estar sozinho, de viver só, sem ter com quem compartilhar as alegrias e também as tristezas que a vida oferece. E procuram, desesperadamente, por companhia, barulho, ocupações mil, num frenesi angustiante para afastar a solidão. De acordo com Joyce Meier, “a solidão manifesta-se como uma dor interior, uma espécie de vácuo emocional ou um anseio profundo por afeto. Seus efeitos colaterais incluem sentimentos de vazio, de inutilidade ou de falta de objetivo”.
Muitas vezes a origem da solidão é um trauma ou uma crise resultante da morte de pessoas queridas, do divórcio ou da separação. Quando acontece algo que nos faz compreender que a nossa vida nunca mais será a mesma, isso, frequentemente, gera um trauma ou uma crise que pode nos levar à solidão e ao desespero. E entre os muitos tipos de solidão podemos dizer que:
Há a solidão de amigos, quando a porta se fecha e o mundo fica lá fora. Os sons oriundos de um aparelho de televisão abafam os pensamentos de solidão, amargura, tristeza, frustração, revolta, impotência e escondem, às vezes, uma personalidade dúplice. Mas como dizia o Pequeno Príncipe, é preciso saber cativar, criar laços, fazer amigos e é essencial conservá-los, cultivando a flor da amizade com carinho e cuidado. O sábio Salomão entendia como era preciosa uma amizade ao dizer: “Há amigos que são mais queridos que um irmão… Quem encontrou um amigo encontrou um tesouro”.
Há a solidão dos casais, juntos na mesma casa, vivendo uma vida de aparências, porém, tão distantes quanto o dia está distante da noite. E haveria solidão maior e mais angustiante? Dois seres que um dia selaram um pacto de amor, fidelidade, companheirismo, na alegria e na tristeza, na bonança ou na adversidade, e agora são mais estranhos que os transeuntes de uma via pública qualquer?
Há a solidão de ideias, quando não se tem com quem compartilhar os sonhos, os ideais, quando a estrutura dos nossos pensamentos parece não encontrar eco em nenhuma outra mente. Nos reputamos anormais. Ou seriam anormais aqueles que não entendem os silogismos que construímos, desafiando as leis da lógica?
Mas a pior solidão é aquela em que o indivíduo não se compraz com a sua própria companhia, que se junta à multidão para abafar as vozes que não consegue silenciar dentro de si. Tem medo dos seus fantasmas imaginários, não sabe e não pode estar em paz consigo mesmo. Na verdade, são atitudes diferentes diante de uma situação criada às vezes pelo egoísmo do ser humano.
Estar só não quer dizer solidão. Todos precisamos de momentos de recolhimento interior, de afastamento do bulício da multidão, das muitas vozes que se elevam ao nosso redor, para que olhemos para dentro de nós próprios e enxerguemos nosso eu verdadeiro. Só poderemos nos conhecer realmente quando nos defrontamos conosco mesmos, quando nos conscientizamos das nossas fraquezas, dos nossos defeitos e também das nossas virtudes. Só assim poderemos crescer, nos tornar mais humanos, mais gente, conscientes de que somos apenas um grão de areia na imensa praia da vida, mas de muito valor para Deus.
É preciso entender que não estamos sozinhos. O Senhor caminha ao nosso lado. Ele compreende qualquer sofrimento e prometeu estar presente em todos os momentos da nossa vida. Ao sentir-se o mais solitário e abandonado ser na face da Terra, lembre-se que você não está só, pois Deus está contigo!
“Quem não gosta de estar na companhia dos outros só está interessado em si mesmo e rejeita todos os bons conselhos.” (Pv 18.1 – BLH)
Luzelucia Ribeiro da Silva é professora, filósofa e escritora.