Mercado de trabalho e inteligência artificial

Hugo Tadeu (Crédito: Fundação Dom Cabral/Divulgação)

Um estudo do Fórum Econômico Mundial e da Fundação Dom Cabral mostra qual deve ser o impacto de tecnologias, como a Inteligência Artificial, no mercado de trabalho nos próximos anos. O diretor do Núcleo de Inovação da Fundação Dom Cabral, Hugo Tadeu, apresentou detalhes do estudo, na sexta-feira, destacando que o relatório não trouxe visão catastrófica.

Empregadores e empregados

Hugo Tadeu afirmou que a estimativa é que “mais de 60, 70 milhões de empregos sendo gerados”. Chamou atenção da responsabilidade tanto para os empregadores quanto para os empregados para a requalificação.

IA deixou de ser futurista

A pesquisa, que está publicada no site da Fundação Dom Cabral foi realizada em 55 países e as perspectivas valem até 2030. Hugo Tadeu destaca que, em especial, a mensagem da pesquisa é que assuntos da Inteligência Artificial deixaram de ser futuristas.

Tecnologias no processo produtivo

A mensagem principal, segundo Hugo Tadeu “é que está na hora de voltar aos bancos escolares e entender que essas tecnologias, elas nos auxiliam no processo produtivo, não ao contrário, ninguém vai ser demitido, vai perder seu emprego em larga escala, como foi propagado anos atrás”

Empresas brasileiras

No caso específico brasileiro, o dado, que é muito direto, e objetivo, é que as empresas brasileiras, no lugar de elas fazerem qualificação e requalificação, elas têm optado por demitir.

Agenda dos conselhos

“É preciso levar o assunto do futuro do trabalho para as agendas dos conselhos, para agendas das diretorias e que isso signifique investimento e um entendimento do perfil que a gente tem de funcionário e que tipo de conhecimento que a gente deveria então suportar para esse empregado”, destaca, Hugo Tadeu com base no estudo do Banco Mundial e da Fundação Dom Cabral,

Educação, ciência e tecnologia

Pompeo de Mattos (Crédito: Bruno Spada/ Câmara dos Deputados)

Para o deputado Pompeo de Mattos (PDT/RS), com a experiência de quem foi Secretário do Trabalho do Rio Grande do Sul, exatamente quando houve o “boom” de geração de emprego (2012, 2013), quando o Brasil teve a maior geração de emprego da história do País, a inteligência artificial nos mostra que, hoje, “a educação, ela não é mais só educação. A educação, ela é umbilicalmente ligada à ciência e a tecnologia”.

O bem e o mal da IA

O parlamentar chama atenção para o fato de que, a inteligência artificial tem o bem e tem gente que vai usar ela para o mal, mas ela é uma ferramenta fantástica, do avanço do conhecimento”.

Momento de oportunidade

Na opinião de Pompeo de Mattos, a inteligência artificial, “é uma porta de abertura para o conhecimento, especialmente para ciência e para tecnologia. E aí vai ser um momento de oportunidade, mas para quem estiver interessado. Sim, mas tem que se estudar e se qualificar”.

Menos doutores e mais técnicos

“Os profissionais, nas atividades que são atividades do cotidiano, com inteligência artificial vai provar que nós vamos precisar menos doutores e mais técnicos”, avaliou Pompeo de Mattos.

Empregos e empregos

O parlamentar lembra que em 2013 “era um boom de emprego, mas aí tinha os empregos e os empregos. Ou seja, para quem estava qualificado e pra quem não tinha qualificação, tinha lugar para todos, porque estava faltando gente, mas os melhores lugares, os melhores empregos, os melhores salários, era para quem tinha qualificação”.

Programa de formação técnica

Pompeo de Mattos disse que, na época, foi criado o Pronatec, que era um programa nacional de formação técnica. “Vou te dizer, nós precisamos ensinar o pedreiro, técnicas para ele aperfeiçoar a função de pedreiro, o auxiliar de pedreiro, o eletricista o auxiliar de eletricista, enfim, em todas as áreas”.

Perder o treino da história

Questionado sobre se o empresário, está preparado para dar esse treinamento, e quer fazer isso, Pompeo de Mattos avaliou que “o empresário não está preparado, mas ele vai se preparar. Ele vai ser chamado a fazer. E quem não fizer, vai perder o treino da história. Vai ser mais ou menos como a Kodak, por exemplo, a Kodak e a Samsung”.

Kodak não acreditou

O congressista cita o exemplo da Kodak que “não acreditou no fim do filme, pagou para ver e quebrou. Era a empresa mais avançada do mundo em termos de filmagem, em termos de fotografia, aí mudou o sistema, o sistema não é nem o digital, é um sistema novo, não é do analógico para o digital não, é um outro sistema, é um sistema físico para um sistema digital, e eles não entenderam”. Fica o exemplo.

Se não se adaptar acaba morrendo

“O empresário que não entender que ele vai precisar qualificar os seus trabalhadores, seus colaboradores vão perder o trem da história, vai ficar na linha da Kodak, vai morrer por não ter se adaptado ao novo momento da inteligência artificial, da ciência, do conhecimento, da tecnologia”, concluiu Pompeo de Mattos.

A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.

Edgar Lisboa