
Em tom descontraído e com referências ao imaginário nordestino, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os Estados Unidos pensariam duas vezes antes de provocar o Brasil se conhecessem a “sanguinidade de Lampião”. A declaração foi feita nesta segunda-feira (26), durante evento no Instituto Butantan, em São Paulo, e arrancou risos da plateia ao misturar política externa e cultura popular.
Sem mencionar confronto direto, Lula disse que o país busca relações equilibradas e guiadas por interesses nacionais, mas não aceita pressões ou imposições. “Se o Trump conhecesse a sanguinidade de Lampião, não ficaria provocando a gente”, afirmou, em tom de brincadeira, ao citar o ex-presidente norte-americano Donald Trump. A fala foi acompanhada de ironias sobre disputas de poder e demonstrações de força, sempre com a ressalva de que o Brasil não quer briga, mas também não se coloca em posição inferior.
O presidente destacou que o Brasil pretende manter parcerias com diferentes potências, como Estados Unidos e China, sem abrir mão de autonomia. Para ele, a política externa deve priorizar o que é melhor para o país e para o desenvolvimento interno. Lula também ironizou a volatilidade do dólar e disse que a economia brasileira não pode ficar refém do “humor” de líderes estrangeiros.
A menção a Lampião — figura histórica do cangaço nordestino — foi usada como metáfora para a resistência e a coragem do povo do Nordeste, reforçando a imagem de firmeza diante de pressões externas. Em clima de pré-campanha, Lula ainda rebateu críticas de adversários e afirmou que resultados de governo dependem de decisões corretas, equipes qualificadas e políticas públicas consistentes.
Participaram do evento o vice-presidente Geraldo Alckmin e ministros como Alexandre Padilha, Fernando Haddad, Márcio França, Paulo Teixeira e Guilherme Boulos. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, não esteve presente e foi representado pelo secretário estadual da Saúde, Eleuses Paiva.
Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa