
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um duro alerta durante a Cúpula Mundial, na India, sobre o Impacto da Inteligência Artificial: sem regras claras e cooperação internacional, a IA pode se transformar em um fator de instabilidade democrática e aprofundamento das desigualdades globais.
Em seu discurso, Lula defendeu a criação de uma regulação global para a inteligência artificial e classificou o uso descontrolado da tecnologia como uma ameaça direta às democracias, especialmente pela capacidade de distorcer processos eleitorais por meio da manipulação de conteúdos e da disseminação em massa de desinformação.
O presidente reconheceu que a revolução digital impulsionada pela IA tem impactos positivos na produtividade industrial e na prestação de serviços. No entanto, advertiu para o que chamou de “práticas nefastas”, como o uso de algoritmos que reforçam preconceitos, estimulam discursos de ódio e facilitam crimes graves. Entre os riscos citados estão pornografia infantil, feminicídio, violência contra mulheres e meninas, precarização do trabalho e a utilização de armas autônomas. Conteúdos falsos e manipulados por inteligência artificial, segundo ele, já interferem na percepção pública e colocam em xeque a lisura de eleições.
Lula destacou que os algoritmos não são meros códigos matemáticos, mas integram uma complexa estrutura de poder que molda economias, comportamentos e decisões políticas. Ao lado do primeiro-ministro indiano Narendra Modi, do secretário-geral da ONU, António Guterres, e do presidente francês Emmanuel Macron, o presidente brasileiro reforçou a necessidade de garantir acesso universal à tecnologia, com responsabilidade social.
Para Lula, se não houver controle e governança global, a IA pode ampliar o fosso entre países desenvolvidos e o Sul Global. O governo brasileiro sustenta que o avanço tecnológico deve servir ao bem comum, e não apenas aos interesses econômicos das grandes corporações de tecnologia.
Narendra Modi defendeu a tecnologia como vetor de inclusão para os países em desenvolvimento. António Guterres alertou que o futuro da IA não pode ficar à mercê dos “caprichos de milionários”. Já Emmanuel Macron sinalizou que a Europa pretende assumir protagonismo na definição das regras do setor, em um recado indireto aos Estados Unidos.
Lula ainda se reúne com Macron em encontro bilateral e, na sequência, será recebido oficialmente por Modi em visita de Estado, ampliando o debate sobre governança digital no cenário internacional.
Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa
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