
A eleição presidencial chega à reta final com Lula e Flávio Bolsonaro concentrando as atenções e uma disputa que, desde o início da campanha, vem sendo marcada pela polarização. Faltam poucos dias para o eleitor decidir quem comandará o país a partir de 2027. Mais do que escolher um presidente, porém, as urnas definirão o ambiente político em que o próximo governo terá de governar.
As pesquisas registraram uma redução importante da distância entre os dois principais candidatos ao longo da campanha. Mas pesquisa é fotografia de um momento. A última palavra continuará sendo do eleitor, diante da urna.
Muito além dos dois
A eleição não se resume à disputa entre PT e PL. São 12 candidaturas à Presidência, com projetos e visões diferentes para o país. Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Augusto Cury e outros candidatos tentam ocupar espaços no centro e nos demais segmentos do eleitorado.
Essa diversidade mostra que existe uma parcela expressiva do país que não se identifica integralmente com os dois polos que dominaram a campanha. É justamente aí que poderá estar uma das questões centrais do próximo governo: como transformar uma sociedade politicamente dividida em uma base capaz de discutir e aprovar uma agenda nacional?
O Congresso será decisivo
O presidente eleito não governará sozinho. A nova composição do Congresso terá papel fundamental na aprovação das propostas do Executivo. No Senado, 27 das 81 cadeiras estarão em disputa. Na Câmara, serão renovados todos os 513 deputados federais.
O resultado dessas eleições será determinante para o equilíbrio entre Executivo e Legislativo. Orçamento, reformas, segurança, saúde, educação, infraestrutura, responsabilidade fiscal e políticas sociais dependerão de negociação política.
É nesse ponto que a eleição presidencial encontra uma realidade incontornável: governar exigirá diálogo.
Um caminho alternativo
Depois de uma campanha tão marcada pelo confronto entre direita e esquerda, talvez seja hora de discutir um caminho diferente para o Brasil. Não se trata de apagar diferenças ideológicas, nem de exigir que partidos abandonem suas convicções. Trata-se de reconhecer que problemas nacionais não pertencem exclusivamente à esquerda ou à direita.
O próximo governo, seja qual for o partido vencedor, terá diante de si a necessidade de construir uma agenda possível com diferentes forças políticas. O país precisa recuperar a capacidade de conversar, negociar e produzir resultados.
O Rio Grande precisa de união
Para o Rio Grande do Sul, essa capacidade de diálogo será ainda mais importante. O Estado sofreu perdas profundas nos últimos anos, especialmente depois das enchentes, e ainda enfrenta desafios de reconstrução, infraestrutura, produção, emprego e recuperação econômica.
A bancada gaúcha no Congresso terá responsabilidade especial nesse processo. Senadores e deputados federais precisarão atuar na busca de recursos, projetos e soluções que ultrapassem as disputas partidárias. O que estiver em jogo será a reconstrução e o futuro do Estado.
Depois da urna
O Brasil chega ao fim de mais uma campanha eleitoral dividido politicamente, mas diante de problemas que não esperam pela conciliação dos partidos. O presidente eleito encontrará demandas urgentes e um Congresso renovado, onde será necessário negociar para governar.
A eleição termina nas urnas. O desafio começa no dia seguinte.
Talvez a grande tarefa de 2027 seja justamente essa, fazer com que direita e esquerda continuem defendendo suas ideias, mas sejam capazes de trabalhar juntas quando estiver em jogo o interesse do país.
Seja qual for o partido que ocupar o Palácio do Planalto, o Brasil precisará de menos confronto e mais capacidade de construir soluções. E o Rio Grande do Sul, depois de tudo o que enfrentou, não pode esperar mais.
Edgar Lisboa/Portal Repórter Brasília/Jornal do Comércio