Eleições redesenham o governo

Predidente Lula (Crédito: Ricardo Stuckert/ PR)

A saída de ministros para disputar as eleições deve atingir mais da metade da Esplanada dos Minstérios; Haddad, Rui Costa, Gleisi e Alckmin estão entre os nomes cotados para deixar o governo e disputar cargos em 2026

Efeitos no coração da Esplanada

O calendário eleitoral de 2026 começa a produzir efeitos concretos no coração do governo federal. Até o início de abril, ministros que pretendem disputar cargos eletivos terão de deixar seus postos, conforme determina a legislação. O resultado será um esvaziamento da Esplanada dos Ministérios, obrigando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a promover uma expressiva mudança por conveniência política e eleitoral

Dar continuidade aos programas

Bohn Gass (Crédito: Kayo Magalhães/ Câmara dos Deputados)

Na visão do deputado Bohn Gass (PT/RS), para não ter interrupção, e o trabalho tenha continuidade, o importante é que quem assuma continue o que já vem sendo feito e  “está indo bem nas mãos do presidente Lula”. O deputado avalia que, “o Brasil cresce, ele precisa dar continuidade aos programas, tem muitas entregas a serem feitas e com certeza o número dois, digamos assim, o secretário executivo, a segunda pessoa mais próxima do Ministério, é a pessoa que ajudou a construir esses programas com o titular tem condições de dar essa continuidade.

Compromissos com as entregas

Bohn Gass argumenta que, ”essa regra não pode servir para todas as situações. Talvez existam situações onde outras pessoas devem assumir, mas com certeza o principal, se não for a pessoa do Ministério, vai ser alguém que dará continuidade ao trabalho fazendo as entregas que o povo precisa”, acentua Bohn Gass.

 Auxiliares próximos de Lula devem sair

Gleisi Hoffmann (Crédito: Joédson Alves/ Agência Brasil); Rui Costa (Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

Entre os nomes mais próximos do presidente que devem deixar o governo estão Gleisi Hoffmann (PT/PR), ministra das Relações Institucionais, e Rui Costa (PT/BA), chefe da Casa Civil. Ambos trabalham no núcleo político do Planalto e são peças-chave na articulação do governo com o Congresso. Gleisi Hoffmann deve disputar uma nova vaga como deputada federal pelo Paraná. Já Rui Costa é cotado para concorrer ao Senado pela Bahia, abrindo mão de um dos cargos mais estratégicos da administração federal.

Haddad no centro do xadrez eleitoral

Fernando Haddad (Crédito: Diogo Zacarias/ MF)

Outro nome central nesse rearranjo é o do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Considerado peça-chave do governo Lula, Haddad deve deixar o cargo ainda em fevereiro. Ele é cotado tanto para uma disputa ao Senado por São Paulo quanto para uma candidatura ao governo paulista, opção vista no Planalto como estratégica para garantir um palanque forte a Lula no maior colégio eleitoral do país.

Pressão para disputar o Bandeirantes  

Nos bastidores, o PT e aliados do presidente pressionam Haddad a entrar na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes, mesmo com os desafios fiscais e políticos que ele enfrentou à frente da Fazenda.

Meio Ambiente e Planejamento

Vice-presidente, Geraldo Alckmin (Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil); Ministra do Planejamento, Simone Tebet (Crédito: Marcos Oliveira/ Agência Senado) e Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom, Agência Brasil)

A dança das cadeiras não se limita ao núcleo duro do governo. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede/SP), é citada como possível candidata ao Senado por São Paulo. O mesmo caminho é avaliado pela ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB/SP). Outra mudança relevante deve ocorrer na pasta da Indústria e Comércio, com a saída do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB/SP), que também deve entrar no jogo eleitoral.

Secretários executivos assumem

Para evitar descontinuidade administrativa, Lula já sinalizou que pretende manter nos cargos os secretários executivos dos ministérios que ficarem vagos. Trata-se, em geral, de quadros técnicos, o que deve alterar temporariamente o perfil político da Esplanada.

Segundo o cientista político Alexandre Bandeira, mais da metade dos ministérios deve trocar de comando até abril. Dos 38 ministérios existentes, cerca de 20 ministros devem deixar seus cargos para disputar eleições.

Dificuldades de reposição política

Além da saída em massa, o governo enfrenta outro desafio: a escassez de políticos dispostos a assumir ministérios em ano eleitoral. Isso porque ocupar um cargo de ministro impede a candidatura a qualquer função eletiva, o que reduz o interesse de nomes com pretensões eleitorais imediatas. Nesse contexto, a reforma ministerial tende a ser mais técnica do que política, ao menos até a definição completa do cenário eleitoral.

Fazenda como primeiro teste da transição

A primeira grande mudança deve ocorrer na Fazenda. Com a saída de Haddad, o secretário executivo Dario Durigan surge como principal favorito para assumir o comando da pasta. A transição será observada de perto pelo mercado e pelo Congresso, já que Haddad é visto como um dos pilares da atual política econômica.

Governo entra em modo eleitoral

Com a saída dos principais quadros e a ascensão de técnicos, o governo Lula entra, na prática, em modo de transição eleitoral. A reforma ministerial não será apenas administrativa, mas parte de uma estratégia para reorganizar forças, construir palanques regionais e preparar o terreno para 2026, dentro e fora do Planalto.

A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.

Edgar Lisboa