O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tomou posse nesta segunda-feira reafirmando o protecionismo e ameaças de taxação de importações, promessas de toda sua campanha presidencial. A ex-senadora Ana Amélia avalia o retorno de Trump à Casa Branca e comenta: “amigos, amigos, negócios à parte”.
No Radar de Trump
Especialistas estimam que o principal desafio do governo Lula, será posicionar o País em relação às ameaças de Trump que afetam o Brasil, ainda que a China deva ser o principal alvo do segundo mandato do republicano. Os demais países do BRICS, que inclui Brasil, Rússia, Índia e África do Sul, deverão estar no radar do novo governo. Com a China, Trump trava uma guerra comercial de muito tempo, na disputa para definir quem vai ser a grande potência global.
Protecionismo mais duro
Trump deu o recado, sem rodeios: vai adotar um protecionismo ainda mais duro. Na política comercial podem ser impostas tarifas universais sobre importações, além de reciprocidade em relação a tarifas impostas por outros países sobre produtos norte-americanos.
Imigração ilegal
O combate à imigração ilegal esteve no centro da campanha do republicano, que promete realizar a maior deportação da história do país, já a partir de hoje (21). Vivem nos EUA, mais de 200 mil brasileiros. Pesquisadores estimam, no entanto, que Trump vai ter dificuldades em cumprir essa promessa, considerando a importância da mão de obra estrangeira para os Estados Unidos.
Sem afinidade com o PT de Lula

A ex-senadora gaúcha, Ana Amélia, disse à coluna Repórter Brasília, que estava em Washington, na primeira viagem do Lula 1, quando ele se encontrou com George W Bush, do Partido Republicano, que não tem nenhuma afinidade com o PT de Lula. O PT tem uma relação ideológica maior com os democratas. Naquele momento, lembrou Ana Amélia, Lula chamava “Bush de companheiro, porque havia contencioso comercial, especialmente, na área do agro que era laranja e suco de laranja.
Exportação de Laranja
Ana Amélia afirmou que, “nesse ano a Flórida, que é o maior produtor de laranja dos Estados Unidos, tinha um contencioso comercial com o Brasil exatamente por conta de suco de laranja
Linguagem direta e agressiva
Todo esse cenário, avalia Ana Amélia, tem nuances de mudanças, porque Donald Trump, hoje, chega com uma linguagem muito mais direta e agressiva em relação ao seu ponto de vista.
Tem que ter cautela
Ana Amélia defende que tem que ter a mesma cautela que havia na época em que Lula e Bush, que não tinham afinidades ideológicas, se entenderam, porque o interesse brasileiro era maior.
Fim da produção de laranja
E a questão do contencioso continua, a despeito disso. Os Estados Unidos, agora, acabam de anunciar o fim da produção de laranja, porque não tem capacidade de competir com a produção brasileira. O Brasil, sendo um dos maiores produtores e exportadores de suco de laranja do mundo “vem ampliando, ao longo do tempo, a nossa presença comercial na área do agro, com uma evolução.
Parceiros comerciais
Na opinião de Ana Amélia, a relação política ou diplomática entre Brasil e os Estados Unidos, continua dentro da institucionalidade de dois países que são grandes parceiros comerciais. Os Estados Unidos, não têm capacidade de competir com a produção brasileira.
Locomotiva da Produção
Para Ana Amélia, “essa nova performance brasileira, graças ao trabalho dos nossos agricultores do. agronegócio, é a locomotiva de toda a produção e da exportação. Aí vem o X da questão, acho que o Lula erra muito ao continuar hostilizando o agronegócio, que é, claro, politicamente muito identificado com a direita ou com o Bolsonaro, com o bolsonarismo é isso, de alguma maneira, que compromete, digamos, o bom relacionamento, o relacionamento que tem que haver entre um setor tão dinâmico da economia creio que o Lula precisa ter uma atitude mais respeitosa com agro dada a relevância que o setor tem”.
Dialogar, não atacar
“Lula deveria estar dialogando com o setor, não atacando. Ele ataca o setor, claro, com as desconfianças que também o setor tem em relação ao governo dele”. Ela cita o exemplo, de quando ele, digamos, persegue ou dá mais apoio ao MST, de certa forma estimula invasões, essa coisa toda. cria sempre uma uma tensão política no relacionamento, o que não é bom. para nenhuma parte. Não é bom para o país, não é bom para o governo”.
Atacados e criminalizados
Na visão de Ana Amélia, “os agricultores, os líderes da produção se sentem também constrangidos, incomodados, porque eles estão trabalhando muito e, em vez de serem reconhecidos, são atacados, entre aspas, criminalizados”.
Governo analógico
Ana Amélia define, numa frase a avaliação do governo, “Enquanto a oposição é digital, o governo é analógico na área da comunicação. Então, isso para mim define bem claramente”.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.