
Baixo engajamento no trabalho e alta expectativa de emprego reforçam a importância de preparar crianças e jovens para escolhas profissionais mais conscientes
O Dia do Trabalhador, celebrado em 1º de maio, pode ir além de uma data comemorativa e se tornar um momento estratégico para iniciar conversas sobre carreira, propósito e planejamento financeiro dentro de casa e nas escolas. Em um cenário de transformações no mercado de trabalho, especialistas apontam que a construção de uma trajetória profissional mais consciente começa ainda na infância.
Segundo o relatório State of the Global Workplace, da Gallup, apenas 23% dos profissionais estão genuinamente engajados no trabalho. O dado revela um desalinhamento entre expectativas e realidade profissional, indicando que benefícios pontuais não são suficientes para garantir satisfação e bem-estar ao longo da carreira.
Para Olívia Resende, economista, PhD em administração e pedagoga, esse cenário reforça a necessidade de antecipar o debate sobre trabalho e escolhas profissionais. “Quando a conversa sobre carreira começa cedo, a criança desenvolve uma visão mais ampla sobre trabalho, entendendo que não se trata apenas de renda, mas de propósito, estilo de vida e realização pessoal”, afirma.
Carreira e felicidade começam antes da escolha profissional
A decisão sobre o futuro profissional costuma ser concentrada em momentos específicos, como o vestibular. No entanto, especialistas defendem que essa escolha é resultado de um processo contínuo, que envolve autoconhecimento, repertório e educação financeira.
“Não é no final da adolescência que se constrói uma escolha consciente, mas ao longo da vida. Pequenas conversas no dia a dia ajudam a criança a entender suas habilidades, interesses e o valor do trabalho”, explica Olívia.
Esse processo também contribui para reduzir frustrações futuras, já que amplia a compreensão sobre o que significa ter uma carreira alinhada à própria realidade e expectativas.
Mercado aquecido exige decisões mais conscientes
Ao mesmo tempo em que o engajamento é baixo, o mercado de trabalho apresenta sinais de crescimento. De acordo com a Pesquisa de Expectativa de Emprego Q2 2026, do ManpowerGroup, 63% das empresas brasileiras pretendem contratar mais profissionais, colocando o Brasil na 3ª posição no ranking global de expectativa líquida de emprego.
Esse cenário reforça a importância de preparar jovens para aproveitar oportunidades de forma estratégica, considerando não apenas salário, mas também qualidade de vida, estabilidade financeira e alinhamento com valores pessoais.
“Ter mais oportunidades não significa fazer melhores escolhas. Sem orientação, o jovem pode seguir caminhos que não fazem sentido para sua realidade ou seus objetivos”, destaca a especialista.
Dados, reflexões e orientações práticas
O contexto atual evidencia a necessidade de ampliar o diálogo sobre trabalho e finanças desde cedo. Entre os principais pontos de atenção, destacam-se:
- Apenas 23% dos profissionais estão engajados no trabalho (Gallup)
• 63% das empresas brasileiras pretendem contratar (ManpowerGroup)
• Brasil ocupa o 3º lugar em expectativa líquida de emprego
• Falta de orientação impacta decisões de carreira e satisfação profissional
Na prática, algumas ações podem ajudar famílias e educadores a conduzir essa conversa:
- Incluir crianças em diálogos simples sobre trabalho e dinheiro no cotidiano
• Estimular reflexões sobre interesses, habilidades e preferências
• Apresentar diferentes profissões de forma lúdica e acessível
• Relacionar escolhas profissionais com qualidade de vida e objetivos pessoais
• Incentivar noções básicas de planejamento financeiro desde cedo
“Educação financeira e educação para carreira caminham juntas. Quando a criança entende o valor do dinheiro e do trabalho, ela passa a tomar decisões mais conscientes no futuro”, reforça Olívia.
O papel das famílias na construção de trajetórias mais conscientes
A família tem papel central nesse processo, especialmente ao criar um ambiente seguro para diálogo e experimentação. Mais do que direcionar escolhas, o objetivo é ampliar o repertório e estimular o pensamento crítico.
Conversas simples, adaptadas à idade, podem contribuir para que crianças e jovens desenvolvam autonomia e segurança para tomar decisões ao longo da vida.
“O mais importante não é dar respostas prontas, mas fazer boas perguntas. Isso ajuda a criança a construir sua própria visão sobre o que quer para o futuro”, conclui a especialista.
Sobre a especialista
Olívia Resende é economista, PhD em administração e pedagoga, com especializações em finanças, economia comportamental, neuroeducação e design Instrucional. Olivia, dedica sua trajetória a transformar a aprendizagem em uma experiência significativa e envolvente para crianças e famílias.
É autora de livros infantis e fundadora da Germinar Educação. Desenvolve metodologias e conteúdos que unem educação financeira, comportamento e formação socioemocional desde a infância, com foco na construção de indivíduos mais conscientes, criativos e preparados para o futuro.