Crise no campo pressiona Congresso

Antonio da Luz

O avanço do endividamento rural ganhou força em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Dados do economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, apontam que a carteira de crédito rural já soma R$ 881 bilhões. Desse total, R$ 171 bilhões estão em situação de estresse, operações inadimplentes, prorrogadas ou em atraso, sendo 32,3% concentrados no Rio Grande do Sul.

Zucco critica governo e cobra solução estrutural
Diante do cenário, o deputado Luciano Zucco (PL-RS) acusa o governo federal de omissão e critica medidas paliativas. “O governo insiste em soluções que não atacam a raiz da crise”, afirmou. Para ele, a saída passa pela securitização das dívidas, prevista no PL 5122/2023, como forma de reorganizar o passivo rural.

Propostas oficiais são alvo de críticas
Zucco também questiona iniciativas do Ministério da Fazenda, que, segundo ele, não atendem pequenos e médios produtores. “As exigências são incompatíveis com quem já está estrangulado”, disse, apontando baixa adesão como reflexo dessas barreiras.

Risco de colapso e pressão política
Com alta de 65% na carteira problemática, o deputado alerta para impacto fiscal e risco de colapso no setor. “Quanto mais o governo adia, maior será o custo”, afirmou, defendendo prioridade política para aprovação do PL 5122/2023.

Anistia reacende polarização

Fernanda Melchionna

A deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) fez duro discurso contra o projeto de anistia, afirmando que a proposta pode beneficiar envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Para ela, discutir soltura neste contexto abre espaço para impunidade e reforça a polarização no Congresso.

Agro sob pressão e diagnóstico incompleto
O plano de renegociação das dívidas rurais acendeu alerta no setor. Para o presidente da ACEBRA- Associação das Empresas Cerealistas do Brasil. Jerônimo Goergen, a proposta trata apenas parte do problema. Os cerca de R$ 81,7 bilhões previstos estão longe da dimensão real de uma carteira que se aproxima de R$ 881 bilhões, com forte volume já em estresse.

Quadro grave no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, o quadro é ainda mais grave, com mais de 30% da carteira em dificuldade. O ponto central da crítica é a exclusão de dívidas fora do sistema bancário, elo essencial da cadeia produtiva. O risco, segundo Goergen, é aliviar bancos e transferir a crise para cooperativas e empresas do setor, gerando efeito cascata.

Embate institucional em alta

Bibo Nunes

O deputado Bibo Nunes (PL-RS) elevou o tom contra decisões do STF envolvendo parlamentares, citando o caso de Marcel Van Hattem. A defesa da imunidade parlamentar e a PEC 48/2024 ampliam o desgaste entre Legislativo e Judiciário, mais um capítulo de tensão institucional que segue longe de arrefecer.

Senado rejeita, em derrota histórica, indicação de Jorge Messias para o STF

Essa é a primeira vez desde 1894 que os senadores rejeitam uma indicação do presidente da República ao Supremo. Com a rejeição, Lula terá que enviar um novo nome para ocupar a vaga no STF.

O Plenário do Senado Federal rejeitou nesta quarta-feira (29) a indicação de Jorge Messias para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF).

De origem evangélica, na sabatina ao Senado, o indicado ao STF, Jorge Messias, afirmou ter sido formado na fé evangélica desde a infância.

Estado laico e Constituição

Jorge Messias, vetado pelos senadores, na sabatina, no Senado

Messias ressaltou que o Estado brasileiro é laico e que essa neutralidade é essencial para garantir liberdade religiosa. Defendeu uma laicidade “colaborativa”, sem favorecimentos, e afirmou que o juiz constitucional deve ser fiel à Constituição: “quem coloca a fé acima da lei não é juiz”.

Fé como base ética
Apesar da defesa da laicidade, destacou que valores cristãos podem inspirar princípios éticos, como fraternidade e redução das desigualdades, alinhados aos objetivos da Constituição.

A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.

Edgar Lisboa