
Por Edgar Lisboa
A semana começa em Brasília sob temperatura máxima na política. Governo, Congresso e mercado financeiro entram em rota de colisão em uma sequência de pautas explosivas que podem ampliar ainda mais o desgaste entre Palácio do Planalto e Parlamento. Em ano pré-eleitoral, cada derrota legislativa deixa de ser apenas uma divergência política e passa a carregar cheiro de fragilidade institucional e disputa de poder.
Planalto sob pressão
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva tenta reorganizar sua base em meio a uma relação cada vez mais fria com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A fotografia da semana passada, durante a posse do ministro Nunes Marques no TSE, foi simbólica: Lula e Alcolumbre lado a lado, sem troca de palavras, em um silêncio que falou mais do que qualquer discurso político.
Novo encontro
Nos bastidores, a expectativa é de um novo encontro entre os dois nesta semana. O clima, porém, segue contaminado pela rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal. Lula já avisou aliados que poderá reenviar a indicação ao Senado.
Desrespeito ao Senado

Na avaliação do senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), o Senado Federal já se manifestou de forma clara e soberana ao rejeitar a indicação de Jorge Messias ao STF. Segundo ele, insistir no mesmo nome, dentro da mesma sessão legislativa, é desrespeitar não apenas o resultado da votação, mas a própria institucionalidade do Senado.
Segurança jurídica
“Há um entendimento consolidado, inclusive respaldado por normas internas da Casa, de que uma indicação rejeitada não pode ser reapreciada no mesmo ano. Forçar esse movimento é tentar submeter o Senado a uma espécie de ‘segunda votação até dar certo’, o que é inaceitável. O país precisa de segurança jurídica e respeito entre os Poderes, não de insistências políticas que tensionam o ambiente institucional. Lula tem o direito de indicar, mas não pode ignorar os limites e decisões do Senado”, acentuou Heinze.
Testar força política
Por isso, o movimento interpretado por parlamentares como tentativa de testar força política e medir até onde o Congresso está disposto a enfrentar o Planalto, deve ficar para o próximo governo.
Banco Central no centro do furacão

O primeiro grande embate deve ocorrer nesta terça-feira (19), quando o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, comparece à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado para falar sobre o caso Master. A audiência promete tensão máxima.
Depois do adiamento provocado pelo mal-estar de Galípolo na semana passada, senadores querem respostas duras sobre a atuação envolvendo o Banco Master e também sobre a PEC que amplia a autonomia do Banco Central. O debate deixou de ser apenas técnico. Virou disputa política, institucional e econômica. Em Brasília, autonomia virou palavra bonita para uma guerra silenciosa entre governo, mercado e Congresso.
Escala 6×1 entra na reta decisiva

Na Câmara, o governo tenta transformar a PEC do fim da escala 6×1 em vitrine política e social. O relator da Comissão Especial, deputado Léo Prates (Republicanos-BA), apresenta nesta quarta-feira a primeira versão do parecer. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), corre para construir um texto de consenso e evitar que a proposta se transforme em mais um campo de batalha ideológico. A intenção é votar a matéria no plenário já no dia 27 de maio.
Empresários pressionam
Nos bastidores, porém, empresários pressionam, sindicatos ampliam a mobilização e deputados tentam evitar o desgaste de votar um tema sensível às vésperas da campanha eleitoral. O risco é transformar uma discussão trabalhista legítima em um palanque permanente entre direita e esquerda.
Feminicídio e constrangimento político

Enquanto isso, Lula realiza no Palácio do Planalto uma cerimônia do Pacto Nacional contra o Feminicídio. O detalhe político chama atenção: Alcolumbre foi convidado, mas até ontem ainda não havia confirmado presença.
Em Brasília, ausências falam alto. Principalmente quando ocorrem em agendas simbólicas e de forte apelo social. O constrangimento institucional entre Executivo e Senado já ultrapassa os bastidores e começa a contaminar eventos públicos.
Flávio Bolsonaro e o mercado

No meio desse turbilhão político, o senador Flávio Bolsonaro desembarca em São Paulo para uma rodada de encontros com empresários e investidores da Faria Lima. A missão é conter danos e reduzir a tensão provocada pela revelação de que pediu recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro.
O episódio ganhou proporções nacionais após a confirmação de que mais de R$ 60 milhões foram destinados ao financiamento do filme “Dark Horse”. Em Brasília, adversários ironizam que a produção já garantiu bilheteria antes mesmo da estreia, tamanha a repercussão política do caso.
Controle do tabuleiro político
A verdade é que, em meio a crises institucionais, embates econômicos e articulações para 2026, a capital federal volta a viver aquele velho roteiro conhecido: muito discurso público, muita tensão privada e um país inteiro aguardando para descobrir quem realmente controla o tabuleiro político.
Semana com ritmo acelerado na Capital da República
A semana começou em ritmo acelerado em Brasília. Desde a noite de domingo, parlamentares ligados ao senador Flávio Bolsonaro participaram de uma reunião online para discutir os desdobramentos da crise envolvendo o Banco Master e projetar os próximos passos políticos diante do desgaste provocado pelo vazamento de mensagens e áudios.
Blindagem política e reação à esquerda
Durante o encontro virtual, deputados e senadores próximos ao senador demonstraram apoio e se organizaram para reagir aos ataques da esquerda. A avaliação predominante entre os aliados é de que o impacto político do episódio tende a ser reduzido e reversível, principalmente por conta da distância ainda existente até a eleição presidencial de 2026.
A estratégia traçada passa pela manutenção da unidade interna e pela ocupação política dos espaços públicos, tentando impedir que o caso se transforme em um desgaste permanente para a pré-campanha do parlamentar.
Reunião fechada com bancada do PL
Nesta terça-feira (19), Flávio Bolsonaro terá um encontro reservado com a bancada do Partido Liberal na Câmara dos Deputados. A reunião, marcada para as 11 horas e a portas fechadas, será o primeiro encontro presencial com os deputados após o vazamento das conversas e do áudio em que o senador pede recursos ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O objetivo é ouvir as explicações do senador sobre o caso e alinhar estratégias para conter os efeitos da crise na pré-campanha presidencial. Nos bastidores, parlamentares afirmam que a oposição quer transmitir imagem de coesão ao mesmo tempo em que pressiona pela instalação da CPI do Banco Master.
Estratégia da oposição e articulação no Senado
A linha política já vem sendo utilizada pelo próprio Flávio Bolsonaro, que também participa de um almoço com blocos de oposição no Senado. Entre eles está o bloco “Vanguarda”, formado ainda por parlamentares do Partido Novo.
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, afirmou em entrevista que a reunião já estava marcada antes da crise e servirá também para alinhar a agenda nacional da pré-campanha. Segundo ele, o grupo pretende consolidar palanques em todas as regiões do país antes do início oficial da disputa eleitoral.
“De agendas, discurso, visando a consolidação e o crescimento da nossa pré-campanha. Lógico, nós temos daqui pra frente vários grandes eventos a serem feitos, inclusive visando já as convenções do mês de julho, o que pra nós é importante ter uma agenda já organizada”, declarou.
Bênção de Bolsonaro e manutenção da candidatura
Aliados lembram que, na semana passada, Flávio Bolsonaro confirmou que permanece como pré-candidato com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo relatos, Bolsonaro aconselhou o filho a “aguentar firme”, descartando qualquer possibilidade de substituição na disputa presidencial.
A fala teve efeito imediato dentro do partido, reduzindo rumores internos sobre uma eventual troca de nome para a corrida ao Palácio do Planalto.
Contradições e avanço do desgaste
Num primeiro momento, Flávio Bolsonaro negou qualquer ligação com Daniel Vorcaro. Porém, após a divulgação das conversas, voltou atrás e confirmou o contato com o empresário para solicitar R$ 134 milhões destinados à produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O senador argumentou que não havia revelado a aproximação anteriormente por conta de um acordo de confidencialidade e sustentou que buscava apenas financiamento privado para o projeto cinematográfico.
Além disso, Flávio confirmou que um fundo administrado pelo advogado de seu irmão, o deputado Eduardo Bolsonaro, recebeu recursos do ex-banqueiro. Segundo as informações reveladas, os repasses somaram R$ 62 milhões.
Mobilização para conter novos danos
O próprio senador reconheceu, ainda na semana passada, que novos vídeos ou mensagens envolvendo Daniel Vorcaro podem surgir. Apesar disso, afirmou que “não haverá surpresas”.
Nos bastidores do Congresso, porém, o entendimento é de que o caso segue produzindo tensão política e obrigou aliados a montar uma operação permanente de contenção de danos. A prioridade agora é evitar novos desgastes e impedir que a crise contamine de forma mais profunda a corrida presidencial rumo ao Palácio do Planalto.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa