Chef do Royal Tulip Brasília Alvorada brilha em encontro na China

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Elizio Correa, destaque do Louvre Hotels Group Chefs’ Club

A gastronomia da capital brilhou em Xangai. Chef do Golden Tulip Brasília Alvorada, Elizio Correa foi um dos destaques do Louvre Hotels Group Chefs’ Club, que reúne os comandantes das cozinhas mais requintadas dos estabelecimentos das bandeiras Kyriad, Campanile, Sarovar Hotels & Resorts, Golden Tulip Hotels, Suites & Resorts e Royal Tulip, que integram a rede internacional. Ele foi o único profissional das Américas selecionado para o evento mundial.

O Louvre Hotels Group Chefs’ Club é uma espécie de Master Chef do grupo hoteleiro sem competição e com muita colaboração, como destaca Elizio, um mineiro que começou a cozinhar antes mesmo de integrar o Exército Brasileiro. Aos 17 anos, já preparava seus primeiros tropeiros, observando bem os temperos usados por homens e mulheres que pilotavam as cozinhas de Januária. Foi ali que aprendeu a máxima que norteia sua vida entre as panelas e a organização de cozinhas e salões com mais de 130 profissionais.

“O que eu preciso é de tempero, amor e carinho”, costuma dizer, aos seus comandados (Elizio Correa)

Por conta deste amor ao ofício de preparar pratos requintados e saborosos, Elizio esteve ao lado de chefs internacionais, que atuam em países como Polônia, França, China, Indonésia e Índia, entre outros. Lá, todos puderam apresentar suas criações a investidores e fornecedores chineses. Elizio conta que participou da troca de experiências, provando pratos icônicos, além de visitar hotéis do grupo em Xangai.

“Esse projeto tem ações propositivas, que trazem melhorias para os hotéis. Então, cada chefe desenvolveu uma receita, um prato e o café da manhã para servir para os hóspedes. E, no dia do evento principal, cada chef criou a sua gastronomia”, conta. “Eu levei a gastronomia brasileira, o chef indiano levou a da Índia”, completou.

A escolha foi uma picanha serenada, que também foi preparada para a reportagem do GPS Brasília, guarnecida com cebola roxa refogada na manteiga de garrafa, um saborosissímo feijão tropeiro e purê de palmito pupunha. Como opção de carne branca, ele fez uma moqueca. “Não uma baiana ou capixaba, mas uma moqueca sem dendê, porque é um ingrediente que não iríamos achar por lá”, conta. O prato alternativo também agradou.

A ideia de fazer a picanha surgiu do conhecimento de Elizio do paladar dos chineses. Acostumado a trabalhar com comitivas políticas e de negócios daquele país, percebeu que a picanha e o cupim faziam muito sucesso. “As carnes de nobres da China vêm de outros países”, destaca. “A picanha foi um sucesso, o que me surpreendeu, porque deu fila”, conta. “Essa picanha também é chamada picanha de sol, mas a que fiz ficou no sereno, maturando na noite. E lá estava muito frio, de -5°”, destaca.

A viagem teve outros grandes ingredientes, que acabaram ajudando a receita a fazer sucesso. Esta foi a primeira vez que Elizio participou do projeto, mas, como todo bom chef, saiu do Brasil prevenido. “Para mim, tudo era uma novidade. Me deparei com uma ação muito planejada, com visita ao mercado molhado de Xangai e a uma feira”, revela. Para preparar seu prato, lembrou de embarcar com ingredientes bem brasileiros. “Levei castanha de baru, farinha de biju e calabresa para fazer o tropeiro. São ingredientes que eles não conseguiriam encontrar por lá”, acrescenta.

E o feijão tropeiro foi outro diferencial. “Uma surpresa para eles. Eu levei a calabresa, que dá o defumado e lá usei  o bacon local. Só que fiz com flocão de milho em vez da farinha normal. Tive que adaptar a receita na hora. E ficou sensacional, sem contar que ficou amarelinho, mais bem apresentado”, completa. No final, o tropeiro saiu como ele gosta: molhadinho, com bastante ovo e pouca farinha.

Mas nem só de carne vivem empreendedores, investidores, mídia, pessoas envolvidas com a alta gastronomia e com hotelaria, todos convidados para o evento. Também houve espaço para as delícias de um bom café da manhã. “Eu fiz uma tapioca, o francês fez um outro prato. Cada um trouxe ali a sua gastronomia matinal para agregar”, destacou.

Ao final dos oito dias, todos os chefs saíram com novas receitas e padrões de trabalho para acrescentar na rotina diária de seus hotéis. “Esse tipo de experiência faz com tenhamos uma gastronomia internacional, já que a gente presenciou receitas e preparos dos diversos locais”, completa. Aos chefs também foi oferecida uma experiência turística completa, não apenas pelos mercados e feiras de produtos frescos, mas também pela cultura. Porém, Elizio voltou ao Brasil encantado com um aspecto essencial do seu trabalho: a colaboração.

“Houve sinergia, troca, contato com pessoas que, por mais distantes que estejam, têm os mesmos objetivos, que é cozinhar, trazer experiências gastronômicas para os hóspedes. Não conhecíamos uns aos outros, mas nossa linha de pensamento era parecida. Então foi muito fácil para mim conviver com eles. Eu me senti muito acolhido pelos chefs, porque eles me ajudaram e eu os ajudei também. Isso pra mim é gratificante, é um orgulho. E dá a motivação que a gente retorne para cá pra trabalhar e se orgulhar do hotel”, completa.

Com sólida formação voltada para a hotelaria e a administração, Elizio espera agora agregar a expertise adquirida, bem como o conhecimento e a vivência com outros chefs, ensinando técnicas que aprendeu para aprimorar seu conceito de trabalho. Em um hotel que chega a realizar 550 eventos por ano, que atendem individualmente de cinco pessoas a dois mil convidados, é um patrimônio e tanto. “A experiência que você adquire de conhecer novos ingredientes, de ter contato com outras pessoas, de conhecer um novo método de preparo, isso não tem preço”, define.

Não por acaso, o Royal Tulip é o preferido pelas comitivas presidenciais, de reis, rainhas, primeiros-ministros. “Há alguns que trazem o próprio chef e ele cozinha no apartamento, por causa da segurança. Um chefe de estado não é alguém comum. Estão sujeitos a outras coisas. O hotel aqui tem estrutura, um cuidado especial. A gente estuda, com antecedência, para receber bem, sermos assertivos nos horários, na entrega, no serviço. É por isso que nós somos realmente o hotel que mais recebe as comitivas, pelo cuidado e pela estrutura que a gente tem para atender”, finaliza.

Repórter Brasília, Edgar Lisboa

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