O Presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, anunciou nesta quinta-feira (31), as condições sob as quais as tarifas de 50% serão mantidas a partir de 6 de agosto. Diante das exceções estabelecidas, diversos setores iniciaram a avaliação dos prejuízos potenciais em suas respectivas áreas.
Calçadistas os mais afetados

O setor calçadista figura entre os mais afetados. A associação da categoria estima até 8 mil demissões diretas em empresas que destinam quase toda a sua produção aos Estados Unidos, principal destino dos calçados brasileiros. Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Abicalçados, detalha quais estados brasileiros deverão sofrer o maior impacto.
Rio Grande do Sul mais prejudicado
“O Rio Grande do Sul será o estado mais afetado pela perda de empregos, seguido por São Paulo, ou até mesmo por regiões e cidades onde as empresas instaladas são predominantemente exportadoras de calçados para o mercado norte-americano. Serão essas comunidades e cidades as mais prejudicadas. Daí a importância do trabalho conjunto com o governo federal e os governos estaduais para mitigar os impactos, caso não se alcance um acordo para a redução dessa tarifa imposta, que se configura praticamente como um embargo à produção de calçados brasileiros”, explica Haroldo Ferreira.
Os setores da economia brasileira que não foram isentos das novas tarifas impostas pelo Presidente Trump agem com cautela e persistem nas negociações com os Estados Unidos. Há uma expectativa de que modificações possam ocorrer ainda nesta próxima semana, uma vez que as taxas só entrarão em vigor no dia 6. Produtores de calçados, frutas, café e carne bovina mantêm a esperança de um acordo e solicitam apoio do governo federal.
Impacto de 60%
Produtos como café, carne bovina, calçados, frutas frescas e até o açaí do Pará podem ser taxados em até 50% ao ingressarem nos Estados Unidos, caso não se concretize um acordo com o Brasil até 6 de agosto. A medida tarifária, anunciada por Donald Trump, representa um aumento substancial nas alíquotas. A medida deverá impactar cerca de 60% dos produtos brasileiros que não foram incluídos na lista de exceções.
Alerta dos especialistas
Inicialmente, o impacto nos preços da carne bovina no mercado interno deve ser limitado. Contudo, especialistas alertam para uma possível elevação futura, decorrente da redução do abate motivada pela queda nas exportações.
300 mil trabalhadores afetados no açaí
O impacto poderá estender-se também ao açaí paraense. O estado do Pará é responsável por cerca de 90% da produção nacional e exporta grande parte desse fruto para os Estados Unidos. Estima-se que até 300 mil trabalhadores possam ser afetados.
Manga e uva om redução nas exportações
O impacto imediato incide igualmente sobre as frutas frescas. Manga e uva deverão registrar uma redução nas exportações.
No setor do café cautela
Por sua vez, o setor cafeeiro brasileiro adota uma postura de cautela. Marcos Matos, diretor-geral do Secafé, informou à CBN que as negociações prosseguem e que a expectativa é de inclusão do produto na lista de exceções.
O mercado precificou, o mercado já começou a trabalhar, as tarifas é só mais um item dessa equação, mais uma variável, e essa variável ela é incerta, porque a todo momento também as condições mudam, os acordos comerciais com cada país mudam, está ou não está na lista de decisão, porque estamos continuando a trabalhar para que esse produto, de alguma forma, este produto, a gente consiga colocá-lo na lista de decisão, mas sempre buscando o diálogo dos dois países, que é primordial também”.
Legalidade do tarifaço
Enquanto isso, a Corte Federal de Apelações em Washington começou a julgar a legalidade do tarifa de Trump. Juízes do tribunal demonstraram ceticismo sobre o uso da lei de emergência econômica, argumento usado pelo republicano, para impor tarifas sem aprovação do Congresso. O prazo para a decisão ainda é incerto, mas é esperado que a parte derrotada. Recorra rapidamente à Suprema Corte. O mercado acompanhou os desdobramentos do tarifaço com atenção”.
Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa/ Fonte: Clauson Dutra, CBN SP