Bruno Brandão diretor-executivo da Transparência Internacional Brasil (Crédito: Divulgação/ TCMSP)
O Brasil voltou a figurar entre os países com pior percepção de corrupção no setor público, segundo o Índice de Percepção da Corrupção 2025, da Transparência Internacional. O país aparece na 107ª posição entre 182 nações e territórios, com 35 pontos em uma escala de 0 a 100 em que pontuações mais baixas indicam maior percepção de corrupção. O resultado repete o desempenho do ano anterior e confirma a estagnação do país em patamar considerado preocupante por especialistas.
Em entrevista ao Jornal da CBN, o diretor-executivo da Transparência Internacional Brasil, Bruno Brandão, afirmou que a inércia do país no ranking é incompatível com seu peso político e econômico. Para ele, o desempenho reflete falhas estruturais nos três Poderes. “É uma posição muito ruim e uma estagnação nessa posição. Nós deveríamos estar com esforços para sair dessa péssima colocação, absolutamente incongruente com a importância do Brasil”, disse. Brandão apontou como fatores negativos a captura política de agências e estatais no Executivo, o aumento de emendas parlamentares com baixo controle no Legislativo e dificuldades do Judiciário em casos de grande corrupção, além de desgaste na credibilidade de ministros do Supremo Tribunal Federal.
Apesar do cenário adverso, o dirigente destacou sinais de possível reação institucional e social. Segundo ele, a mobilização que levou ao recuo do Congresso na chamada “PEC da Blindagem” demonstrou capacidade de reação da sociedade civil, mesmo em ambiente de forte polarização. Brandão também citou a presença, em Brasília, de presidentes de tribunais superiores com perfil reformista e boa reputação como um fator que pode favorecer mudanças no médio prazo.
O índice é elaborado com base na percepção de especialistas, acadêmicos e investidores sobre corrupção no setor público e serve de referência internacional para avaliar governança e integridade institucional. Nos últimos três anos, o Brasil oscilou pouco: em 2023, registrou 36 pontos e ficou na 104ª posição; em 2024, caiu para 34 pontos e 107º lugar, a pior nota recente e, em 2025, subiu apenas um ponto, mantendo-se na 107ª colocação. A variação é considerada estatisticamente irrelevante e indica estagnação.

A divulgação do ranking reacendeu críticas no campo político. O deputado federal Osmar Terra (PL/RS) afirmou que o resultado expõe o país a constrangimento internacional e responsabilizou o governo federal pelo cenário. “É uma vergonha mundial, do desgoverno atual”, declarou o parlamentar, ao comentar o levantamento da organização internacional anticorrupção com sede em Berlim. Para Terra, a permanência do Brasil entre os piores colocados reforça a necessidade de mudanças profundas na condução administrativa e no combate a irregularidades.
O debate sobre corrupção, no entanto, permanece atravessado por forte disputa política e institucional. Enquanto especialistas apontam fragilidades sistêmicas que envolvem Executivo, Legislativo e Judiciário, setores da oposição atribuem responsabilidade direta ao governo de turno. O resultado do ranking, ao expor a estagnação brasileira, recoloca o tema da integridade pública no centro da agenda e amplia a pressão por reformas estruturais e maior transparência no uso de recursos públicos.
Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa