Há um tempo precisei fazer uma reforma em minha residência. Passados alguns meses, encontrei com um amigo que sabia disso e ele me perguntou:
-Como vai a reforma? Já está na fase de acabamento?
-Sim! Estou na fase de acabamentos… acabou o dinheiro, acabou a paciência e quase acabou o meu casamento! – Respondi.
Brincadeiras à parte, é muito comum andar pelas ruas e ver inúmeros outdoors, faixas e letreiros anunciando todo tipo de reformas. São diferentes profissionais que oferecem seus preciosos talentos para renovar sua casa, seu carro, seus móveis, suas roupas, seus calçados e outras tantas coisas.
Muitos programas de TV, no Brasil e no exterior, exploram esse tema! Muitos deles procuram pessoas sem condições financeiras que, juntando a caridade com o “marketing” de produtos, lojas, decoradores e arquitetos, renovam suas casas humildes, inclusive fornecendo móveis e eletrodomésticos. Por outro lado, existem os mais abonados que autorizam a divulgação das obras de restauração das suas belas casas, mansões ou até mesmo de carros icônicos antigos, contratando renomados especialistas para que o seu projeto seja mostrado ao mundo.
Atualmente uma nova modalidade que, apesar do nome, não deixa de ser uma reforma, está fazendo muito sucesso entre homens e mulheres: a harmonização facial! Clínicas oferecem diferentes técnicas e produtos caríssimos, prometendo o “milagre” do rejuvenescimento. Na maioria dos casos o processo é bem-sucedido, melhorando a autoestima de alguns insatisfeitos com sua aparência. Por outro lado, há o risco do procedimento não dar certo e deformar, ao invés de embelezar.
Quando o assunto é política, não temos conta de quantas reformas já tivemos neste nosso querido Brasil. Reforma tributária, previdenciária, legislativa, administrativa… e vai por aí afora. Muitas vezes são medidas paliativas que não surtem o efeito esperado.
Falemos agora de uma porta famosa da catedral de um castelo na cidade de Wittenberg, Alemanha, de grande importância no Primeiro Império Alemão e frequentada por humanistas e teólogos. Exatamente lá, um monge agostiniano teve a audácia de divulgar teses que provocaram as autoridades eclesiásticas da época. A sua determinação em utilizar a pena para criticar as práticas utilizadas por clérigos que utilizavam a igreja como instrumento de poder e barganha financeira, que não condiziam com os princípios bíblicos, foi o meio que dispunha na época. Suas contestações foram amplamente divulgadas, causando sua expulsão da igreja e condenação como infrator pelo Imperador do Sacro Império Romano Germânico.
Quando olhamos para o que foi a Reforma Protestante, há sempre o desafio em comparar a situação da igreja da época de Martinho Lutero, com a igreja dos dias atuais. Será que os “pastores” que cuidavam do “rebanho de Cristo” no Século XVI são diferentes dos deste século? Precisamos de um “novo Lutero” para questionar as práticas de alguns teólogos e líderes religiosos que utilizam a tribuna como palco de discursos ideológicos baseados em um progressismo completamente distorcido da verdadeira mensagem do Mestre Jesus?
Sabemos que atualmente um papel afixado na porta de um edifício religioso não tem nenhum efeito, tendo em vista as diferentes tecnologias existentes para divulgar qualquer ideia ou pensamento. Neste sentido, será que a “nova” porta da Catedral de Wittenberg poderia ser as tão questionadas redes sociais? Apesar de seus incontáveis defeitos, elas têm revelado muitíssimos “Luteros” interessados não só em denunciar arbitrariedades, heresias e abusos de líderes nas mais diversas denominações religiosas, mas também fornecendo conteúdos e mensagens claras, verdadeiras e edificantes à luz das Escrituras Sagradas.
Lembremos que as críticas às redes sociais de hoje, são as mesmas que eram direcionadas às emissoras de TV, em relação aos seus conteúdos inapropriados. E o conselho de ontem é o mesmo de hoje: se não concorda com o que está sendo veiculado, basta não dar “IBOPE”. Por outro lado, os “navegadores” que cometem delitos devem ser exemplarmente punidos.
O meu desejo é que você, querida leitora, querido leitor, procure valorizar aqueles que transmitem mensagens pautadas essencialmente na Palavra Viva e transformadora, que é a Bíblia Sagrada, e não naqueles que propagam filosofias baseadas em ideologias humanas.
Para finalizar, meditem nas palavras do Apóstolo Paulo em sua carta aos romanos: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. (Rm 12.2)
Apeles Pacheco é bacharel em Direito, com Especialização em Legislativo e Políticas Públicas (LPP).