
A saída de Flávio Bolsonaro do País após as eleições desencadeou uma onda de ataques e acusações pesadas por parte dos parlamentares da base governista. O ministro Paulo Pimenta chamou o senador de “traidor da pátria e covarde”, descrevendo o episódio como uma “tentativa gravíssima de escapar da ordem judicial”. Pimenta foi além e exigiu a “revogação da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro”. A deputada federal Daiana Santos (PCdoB-RS) afirmou que a família Bolsonaro é “formada por covardes” e taxou a fuga do parlamentar como uma “vergonha”. O deputado Bohn Gass (PT-RS) também subiu o tom, acusando Flávio de “escapar da Justiça” para não responder aos “inquéritos por lavagem de dinheiro e corrupção”.
Ditadura e exílio
Na trincheira oposta, parlamentares gaúchos de direita saíram em defesa de Flávio Bolsonaro, justificando sua ida aos Estados Unidos como um ato de “sobrevivência política” ante uma “perseguição judicial”. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) disparou contra o Supremo Tribunal Federal (STF), afirmando que o País vive sob o “Direito Xandônico, que persegue e prende a seu bel prazer”. Para Mourão, a “perseguição à família Bolsonaro ultrapassou todo e qualquer limite”. O deputado federal Sanderson (PL-RS) tratou as intimações da Polícia Federal contra Flávio como a prova cabal de uma ditadura. “O adversário sendo constrangido e ameaçado pelo regime, em plena luz do dia! Ditadores covardes!”, criticou. Maurício Marcon (Podemos-RS) classificou a saída do País não como “fuga”, mas afirmando que Flávio Bolsonaro estaria “rumo ao exílio”. Já o deputado Bibo Nunes (PL-RS) declarou: “Diante de tanta injustiça, a saída para Flávio e família foram os Estados Unidos!”.
Novas regras para logística
Com forte adesão da bancada federal gaúcha – incluindo os deputados Alceu Moreira (MDB-RS), Any Ortiz (PP-RS), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Sanderson (PL-RS) – um grupo de parlamentares protocolou um recurso para barrar a aprovação terminativa das novas regras para o setor de transportes e armazenagem. O objetivo é levar à votação no plenário o projeto de lei que regulamenta a atividade de operação logística. O grupo contesta o texto aprovado pela Comissão de Indústria, Comércio e Serviços (CICS). A principal crítica é com relação à limitação da responsabilidade civil das empresas ao valor da mercadoria em caso de acidentes. Segundo o recurso, a restrição “pode não ser suficiente para abranger prejuízos decorrentes de determinados acidentes”.
Alerta fiscal para o Estado
O Tesouro Nacional publicou o Relatório de Gestão Fiscal (RGF) em Foco e os dados do segundo quadrimestre de 2026 mantêm o Rio Grande do Sul no topo dos rankings de endividamento. Embora tenha respeitado os limites de gastos com pessoal, o Estado detém a segunda maior Dívida Consolidada Líquida (DCL) do Brasil, comprometendo 168% de sua Receita Corrente Líquida (RCL) – atrás apenas do Rio de Janeiro (211%). O boletim federal também revela o forte peso das dívidas judiciais no caixa gaúcho: o volume total de precatórios já representa 24% da receita estadual, o segundo pior índice do Brasil, superado apenas pelo Rio Grande do Norte (33,4%).
Edgar Lisboa/Portal Repórter Brasília/Jornal do Comércio