Primavera Brasileira (?) (Nilso Romeu Sguarezi)

Nilso Romeu Sguarezi/Divulgação

Tanto na literatura, como na filosofia e psicologia, a palavra “primavera” (do latin primo vere, ou “primeiro verão) tornou-se a metáfora significativa de juventude ou florescimento pessoal. Estímulo às pessoas fazer sua própria “poda emocional” para  florescer com novos projetos, sonhos e perspectivas.

Neste setembro, de 204 anos da independência brasileira, será que poderemos dizer como os árabes disseram no começo deste século,“Ash-shaʻb yurīd isqāṭ an-niẓām”, realizando sua histórica e famosa primavera árabe, que em português seria o mesmo que dizer: “O povo quer derrubar o regime”.

A Torre de Babel que Brasília se tornou, onde ninguém mais se entende e pela esbornia de promiscuidade que se alastrou nos poderes da república.

Agora ecoa um grito geral pelo conhecimento da quebra do sigilo de um dos 8 celulares do golpista VORCARO, não deixando mais dúvidas sobre a triste e lamentável realidade existente nos bastidores da Capital. Todos se perguntam o que pode e vai acontecer com estas revelações, claramente exigidas pelo art.37 da CF que determina: “A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade,  p u b l i c i d a d e, e eficiência….

Será o prenúncio de uma virada como aconteceu na queda das ditaduras árabes?  Ou continuaremos sem a nossa liberdade de expressão, com famílias e Estado endividados – vítimas da incompetência e corrupção, deste sistema de governo, que  nos levou para este caos institucional?

Analisemos a história, na tentativa de saber para onde isso pode nos levar. Nestes 200 anos de independência apenas a guerra da tríplice aliança, conhecida como “Guerra do Paraguai” de 1864 à 1870, nos atingiu, mas trucidou a população paraguaia que antes era de quinhentas mil pessoas, reduzindo-a para menos da metade. Tínhamos então, no final do conflito, em torno de 10 milhões de habitantes e o Paraguai pouco mais de duzentos mil, valendo dizer que em 1871, em números absolutos o Brasil tinha 45 vezes mais população que o arrasado Paraguai. Passaram-se estes 155 anos e hoje o Brasil tem 214 milhões e o Paraguai 6 milhões e 500 mil, caindo a diferença para apenas 33 vezes.

Hoje o que mais cresce na população paraguaia são os milhares de BRASIGUAIOS, que a Dirección Nacional de Migraciones dos nossos vizinhos, no ano passado, registrou o recorde de mais de 23,5 mil autorizações de residência para brasileiros e neste primeiro semestre de 2026, já foram mais de 22,6 mil novas concessões. Não dá para esconder que mais de 232 empresas brasileiras já foram se instalar para produzir no Paraguai e vender aqui no Brasil – atraídas pelo inteligente programa maquila do governo Paraguaio, onde a tributação e burocracia são menores. Será que continuará a nossa evasão de investimentos e mão de obra especializada, pela incompetência dos nossos governantes, como aconteceu na recente revisão do Tratado de Itaipu – em que a falta de visão estratégica deste governo, permitiu que a cota dos 50% do Paraguai, pudesse ser vendida a preços de banana e, com isso, como de fato esta acontecendo, atrair o nosso empresariado.

A realidade nua e crua e, que enquanto lá a inflação é de apenas 1,5%, aqui é 4,44%. Lá, eles têm como presidente o jovem Santiago Peña de 47 anos, aqui o octogenário Lula. Lá um economista com pós-graduação na Universidade de Columbia, EUA, que foi presidente do Banco Central do Paraguai, funcionário do Fundo Monetário Internacional (FMI), e Ministro da Fazenda, e aqui um mero sindicalista que teimosamente e demagoficamente ainda quer continuar.

Não é sem razão que a crítica internacional destaca a auspiciosa PRIMAVERA PARAGUAIA, por alguns já considerada como SUIÇA AMERICANA, enquanto nós, se não fizermos reformas verdadeiras, continuaremos com os maiores juros, crime organizado tomando conta de novos territórios e continuação dessa incrível roubalheira que envolve governantes e seus apaniguados, como neste escândalo do Banco Master e roubo dos aposentados do INSS.

A soberania do voto popular – exatamente daqui um mês – somente ela poderá nos levar à primavera ou então ficaremos neste inverno de raios e trovões que tumultuam nossa nação.

NILSO ROMEU SGUAREZI, advogado, ex-deputado constituinte de 1988, defensor da tese da CONSTITUINTE EXCLUSIVA, com 50% de homens e mulheres, sem fundo eleitoral, com voto distrital e inelegibilidade de dez anos para quem escrever a nova constituição.