SUDECO e Universidade Federal da Grande Dourados entregam ferramentas estratégicas para impulsionar o desenvolvimento da Faixa de Fronteira de Mato Grosso do Sul

Da esquerda para a direita: Reitor da UFGD Jonas Dari Goettert; Superintendente da SUDECO Luciana Barros; coordenador do projeto Prof Luciano Duarte e o deputado federal Vander Loubert.

A Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (SUDECO) e a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) apresentam nesta terça-feira uma importante contribuição para o planejamento e o desenvolvimento regional de Mato Grosso do Sul. Trata-se do lançamento da publicação “Observatório da Fronteira – Carteira de Projetos: Desafios e Propostas para o Desenvolvimento da Faixa de Fronteira de Mato Grosso do Sul”, resultado de um amplo estudo financiado pela Sudeco e executado pela UFGD, com apoio da Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (FUNAEPE).

A iniciativa representa um marco para a formulação de políticas públicas voltadas à região de fronteira, considerada estratégica para a economia, a integração regional e a segurança nacional. O trabalho reúne diagnósticos, propostas e projetos capazes de orientar investimentos públicos e privados, contribuindo para a geração de emprego, renda e oportunidades nos municípios fronteiriços.

Além da publicação, a Sudeco entrega à sociedade o Painel de Indicadores do Observatório da Faixa de Fronteira de Mato Grosso do Sul, uma plataforma interativa que disponibiliza informações atualizadas sobre aspectos socioeconômicos, territoriais, logísticos e de infraestrutura produtiva da região. A ferramenta permitirá que gestores públicos, pesquisadores, investidores e a sociedade tenham acesso a dados qualificados para a tomada de decisões e para o planejamento de ações de desenvolvimento.

A entrega reforça o papel da Sudeco como indutora do crescimento sustentável do Centro-Oeste e destaca a importância da produção de conhecimento como instrumento para reduzir desigualdades, fortalecer a integração regional e ampliar a competitividade dos municípios localizados na faixa de fronteira.

O painel pode ser acessado pelo endereço: https://app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiNDEwNWNhNjgtOTkzOC00N2Q5LWIyNTAtZmM2YjcyZmQ4MzlmIiwidCI6ImRmZDY2NmYwLTEzZDgtNDM2NC05MTk0LTMwYmRiYjQ0MjRhYiJ9.

Luciana Barros, Luciano Duarte e Peniel Pacheco.

A obra e o painel são frutos do projeto “Observatório da Fronteira Arco Central – Trecho MS”, desenvolvido por meio de um Termo de Execução Descentralizada (TED) firmado entre a SUDECO e a UFGD. Ele foi coordenado pelo professor Luciano Duarte, que integra os cursos de Graduação e Pós-Graduação em Geografia da Faculdade de Ciências Humanas da UFGD.e coordenei esse projeto chamado Observatório da Fronteira, disse ao Portal Repórter Brasília que teve como objetivo dois produtos principais, um painel interativo com dados sobre a faixa de fronteira do Mato Grosso do Sul, que envolve cinco dimensões principalmente, que são complexidade econômica, sustentabilidade, infraestruturas de energia, telecomunicações e logística”.

Além desse painel interativo com dados sobre essas três escopos de análise, afirmou om professor Luciano, “ fizemos uma carteira de projetos que envolve essas três eixos buscando produzir um desenvolvimento econômico, sustentável e produtivo para a faixa de fronteira, principalmente na escala dos municípios e nas realidades distintas dessa faixa de fronteira, tanto das realidades mais precárias até as mais dinâmicas, passando por novos flancos de. Desenvolvimento como a rota bioceânica que envolve com Paraguai, Argentina e Chile”.

O reitor Jones Dari Coetter, da UFGD destacou a importância da entrega do documento “Observatório do Arco-Central de Fronteira”, nesta terça-feira (16). Segundo o reitor,  “ela também aponta para uma das missões da Universidade, que é construir conhecimento, construir indicadores para que possamos de fato construir políticas públicas capazes de chegarem na ponta, na sociedade, especialmente nos territórios mais vulneráveis da fronteira. Uma fronteira muitas vezes estigmatizada, mas que apresenta potencialidades importantes no que tange a uma economia complexa, energia, logística e um estudo dessa natureza é fundamental para a construção dos parâmetros. Para políticas de inovação em fronteira e isso é fundamental. Muito obrigado aos professores”.

Trabalho de um conjunto de pesquisadores

O projeto também contou com a participação de um conjunto de pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento, como Geografia, Relações Internacionais e Economia. A partir da identificação das fragilidades, potencialidades e oportunidades de desenvolvimento regional na Faixa de Fronteira de Mato Grosso do Sul, a Carteira de Projetos apresenta diagnósticos detalhados e propostas de intervenção organizadas em cinco eixos estratégicos: Complexidade Econômica, Infraestrutura Logística, Infraestrutura de Telecomunicações, Infraestrutura de Energia e Sustentabilidade.

O Painel de Indicadores complementa esse esforço ao permitir a consulta dinâmica a dados e indicadores territoriais, oferecendo suporte técnico à tomada de decisão por gestores públicos, pesquisadores, setor produtivo e sociedade civil. A ferramenta possibilita acompanhar transformações socioeconômicas e territoriais da região, identificar vulnerabilidades e potencialidades e subsidiar a elaboração de políticas públicas mais efetivas e territorialmente orientadas.

Além de propor ações concretas para o desenvolvimento regional, os produtos representam importantes instrumentos políticos, normativos e financeiros para orientar futuras iniciativas vinculadas a programas federais e estaduais, como a Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR), o Programa de Desenvolvimento da Faixa de Fronteira (PDFF), o Plano Regional de Desenvolvimento do Centro-Oeste (PRDCO), o Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FCO), o Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO), o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e as estratégias nacionais de neoindustrialização e transição energética.

A iniciativa evidencia, ainda, o papel das universidades públicas na produção de conhecimento aplicado às demandas sociais e territoriais, reforçando o compromisso da UFGD, por meio de suas faculdades, programas de pós-graduação, docentes e discentes, com o desenvolvimento regional e a integração entre ciência, gestão pública e sociedade.

O projeto foi desenvolvido por uma equipe multidisciplinar composta por docentes, discentes e técnicos administrativos da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), vinculados à Faculdade de Ciências Humanas (FCH), à Faculdade de Direito e Relações Internacionais (FADIR) e à Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Economia (FACE). Participaram diretamente da iniciativa os pesquisadores Lisandra Pereira Lamoso, Rafael Brugnolli Medeiros, Arthur Pinheiro de Azevedo Banzatto, Alexandre de Souza Corrêa, Juliana Tomiko Ribeiro Aizawa, Paola Nicolau e Erika Santos Gutierrez, cuja atuação integrada e interdisciplinar possibilitou a construção do Painel de Indicadores e da Carteira de Projetos do Observatório da Fronteira.

A expectativa é que tanto a Carteira de Projetos quanto o Painel de Indicadores do Observatório da Faixa de Fronteira de Mato Grosso do Sul possam apoiar e subsidiar o planejamento territorial e a implementação de iniciativas que promovam um desenvolvimento mais inclusivo, sustentável e integrado na Faixa de Fronteira sul-mato-grossense.

Síntese de principais propostas da Carteira de Projetos para o Desenvolvimento da Faixa de Fronteira de Mato Grosso do Sul

Entre as propostas destacam-se projetos voltados à ampliação e modernização de infraestruturas produtivas, à promoção da inclusão social e à proteção ambiental da região. No eixo da sustentabilidade, a publicação propõe a implementação do Programa de Saneamento Rural e Comunitário, destinado à implantação de soluções como fossas sépticas biodigestoras, wetlands construídas e sistemas coletivos de tratamento para atender famílias de baixa renda, comunidades tradicionais e assentamentos rurais localizados em municípios como Aral Moreira, Vicentina, Itaporã, Deodápolis, Nova Alvorada do Sul, Japorã e Iguatemi. O documento ainda destaca a necessidade de criação do Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Iguatemi, assim como um conjuntos de programas e ações ligados à prevenção e combate aos incêndios florestais, ao monitoramento e proteção de nascentes e áreas úmidas, à adaptação climática e produtiva, à gestão de zonas de amortecimento em terras indígenas e à universalização do saneamento em pequenas cidades.

No campo da energia, a Carteira de Projetos apresenta o Programa Ilumina Cone Sul, inspirado na experiência do Programa Ilumina Pantanal, que prevê a instalação de sistemas fotovoltaicos com armazenamento em baterias e capacitação dos usuários em redes comunitárias de energia. A iniciativa busca reduzir a pobreza energética em municípios como Amambai, Coronel Sapucaia, Eldorado, Iguatemi, Japorã, Mundo Novo, Paranhos, Sete Quedas e Tacuru. Também são propostas ações para a modernização dos sistemas de transmissão de energia, ampliando a confiabilidade da rede elétrica regional, bem como projetos de aproveitamento do gás natural, utilizando a infraestrutura existente do Gasbol e futuros corredores que ligariam a Argentina e Brasil passando pelo Paraguai, de modo a expandir o acesso ao gás canalizado e veicular nos municípios da faixa de fronteira.

No eixo da complexidade econômica, a publicação contempla propostas para fortalecer a agricultura familiar e os mercados locais, incluindo projetos de Mecanização Agrícola para Pequenos Produtores e Assentamentos Rurais e a ampliação da Capacidade de Armazenagem de Grãos em municípios com déficit na armazenagem estática, como Maracaju, Ponta Porã, Aral Moreira, Laguna Carapã e Amambai. Além disso, o documento propõe a criação de um projeto inovador chamado Mercados de Fronteira, que seria capaz de integrar atividades agroindústrias de pequeno porte, comércio e serviços públicos, promovendo a dinamização econômica regional.

As propostas voltadas à infraestrutura logística destacam a necessidade de investimentos estratégicos associados ao Corredor Bioceânico de Capricórnio, também conhecido como “Rota Bioceânica”. Tais investimentos incluem a revitalização e a duplicação de rodovias estruturantes, a conclusão da pavimentação da Rodovia Sul-Fronteira, a implantação de pontos de parada com a oferta de serviços e locais de descanso para os motoristas, o fortalecimento das estruturas aduaneiras em Porto Murtinho e a discussão sobre projetos ferroviários voltados à integração regional entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. De modo a superar os desafios logísticos envolvendo a integração de Porto Murtinho com o restante do estado, o documento destaca que é importante não  apenas atuar na reestruturação da BR-267 no trajeto Porto Murtinho/Jardim, mas também na construção da Ferrovia Pantanal e a Ponte sobre o Rio Apa como rotas logísticas alternativas.

Na área de telecomunicações, a Carteira propõe a expansão da conectividade digital por meio da ampliação do Programa Wi-Fi Brasil/GESAC em municípios com indicadores mais frágeis de acesso à internet, bem como o fortalecimento da conectividade em rodovias estratégicas com o projeto Rodovias Conectadas        Tim e Way Brasil para a Faixa de Fronteira, contribuindo para a segurança viária, integração territorial e inclusão digital das populações locais.

Anexos com materiais completos:

Título documento publicado: Observatório da Fronteira – Carteira de Projetos: Desafios e Propostas para o Desenvolvimento da Faixa de Fronteira de Mato Grosso do Sul

Versões Digitais da Carteira de Projetos:

https://drive.google.com/file/d/18yKvSk-PFa655ZaJ9OWG8wHhvMcv0IQz/view?usp=sharing; https://drive.google.com/file/d/124FLeFlM1NOzI9Z_ATg0ohBtZ3-yc3EW/view?usp=sharing

Apresentação da Carteira de Projetos:

https://drive.google.com/file/d/1S6S1qArfTkul0BeZqS23ZY6Xi9ENppUQ/view?usp=sharing

Título do Painel Interativo: Observatório da Fronteira de Mato Grosso do Sul – Painel de Indicadores

Acesso ao painel:

https://app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiNDEwNWNhNjgtOTkzOC00N2Q5LWIyNTAtZmM2YjcyZmQ4MzlmIiwidCI6ImRmZDY2NmYwLTEzZDgtNDM2NC05MTk0LTMwYmRiYjQ0MjRhYiJ9

Instituições responsáveis: Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (SUDECO) e Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (FUNAEPE).

Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa