Lucas Redecker (Credito:Kayo Magalhães, Câmara dos Deputados)
O alerta feito pela Confederação Nacional da Indústria sobre o avanço da desindustrialização ganhou forte repercussão entre empresários e lideranças do setor produtivo. A avaliação é de que o resultado do PIB do primeiro trimestre de 2026 expôs uma realidade preocupante: enquanto a economia cresce impulsionada pelo consumo e pelos serviços, a indústria de transformação praticamente ficou estagnada, avançando apenas 0,1%.
Perda de capacidade produtiva
O cenário reforça a preocupação do setor industrial com a perda gradual da capacidade produtiva do País, em meio a juros elevados, aumento das importações, dificuldades de acesso ao crédito e custos crescentes para produzir no Brasil. Representantes da indústria alertam que o enfraquecimento do setor compromete investimentos, reduz a competitividade nacional e ameaça a geração de empregos de maior qualificação e renda.
Redecker cobra reação em defesa do setor
O deputado federal Lucas Redecker (PSD-RS) comentou para a coluna Repórter Brasília o alerta feito pela CNI e afirmou que o Brasil corre o risco de comprometer seu crescimento futuro ao reduzir os estímulos ao setor produtivo. “A indústria é a base do desenvolvimento de qualquer país. Ela aumenta a produtividade e impulsiona a inovação, argumenta Lucas Redecker.
Falta de incentivo ao setor produtivo
Na visão de Lucas Redecker, “o problema é que hoje o Brasil cresce muito apoiado no consumo, mas incentiva cada vez menos o setor produtivo, o que compromete o crescimento futuro do país”, afirmou o parlamentar. Defensor histórico da indústria nacional, Redecker ressaltou que o setor enfrenta uma combinação de fatores que limita investimentos e reduz a competitividade das empresas brasileiras.
Juros e insegurança travam investimentos
Segundo o deputado, a indústria brasileira convive atualmente com juros elevados, crédito caro, aumento do chamado Custo Brasil, dificuldades logísticas, concorrência internacional e insegurança regulatória.
Agenda voltada à produção
Para Redecker, o País precisa construir uma agenda econômica voltada à produção, com estímulo ao investimento e maior previsibilidade para quem empreende, acrescentando : “Precisamos de uma agenda que fortaleça a competitividade da indústria, com mais segurança jurídica, estímulo ao investimento e menos obstáculos para quem produz”.
Indústria teme perda de competitividade
A preocupação da CNI é compartilhada por empresários de diversos segmentos, que observam a crescente perda de espaço da indústria nacional diante da concorrência internacional. O temor é de que o Brasil continue dependente de setores de baixo valor agregado, ampliando a vulnerabilidade econômica e reduzindo sua capacidade de inovação tecnológica.
Políticas de fortalecimento industrial
Especialistas do setor lembram que os países que conseguiram elevar renda, produtividade e desenvolvimento social mantiveram políticas permanentes de fortalecimento industrial. Sem uma reação consistente, a avaliação é de que o Brasil poderá aprofundar o processo de desindustrialização justamente em um momento de transformação tecnológica global e reorganização das cadeias produtivas internacionais.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa